Em meio ao desafio de recolocar a Alemanha em rota de crescimento, o setor de feiras comerciais reforça seu papel como motor estratégico da economia alemã.
A avaliação é do AUMA – Comitê de Exposições e Feiras da Indústria Alemã –, que defende no novo boletim trimestral “Messe-Politikbrief” reformas urgentes e ampliação dos programas de incentivo à participação internacional.
Com mais de 5.500 empresas alemãs beneficiadas anualmente, os programas de apoio às feiras internacionais, como o Auslandsmesseprogramm e o Young Innovators, são considerados ferramentas vitais para a diversificação de mercados e fortalecimento das exportações “made in Germany”.
A AUMA alerta, no entanto, que os recursos destinados aos programas estão estagnados em torno de 57 milhões de euros, e pede que sejam elevados para pelo menos 66 milhões.
“Cada euro investido nesses programas gera € 216 em valor econômico no território alemão”, afirma Philip Harting, presidente da AUMA.
Segundo ele, o novo governo de coalizão entre CDU/CSU e SPD já sinalizou positivamente no acordo de coalizão, mas a implementação das medidas precisa ser imediata para surtir efeito ainda em 2025.
VISTOS MAIS RÁPIDOS PARA NEGÓCIOS
Outro ponto de atenção é a morosidade na emissão de vistos para visitantes de feiras vindos de países que exigem entrada autorizada.
A AUMA critica o fato de que o tema só tenha sido tratado no contexto da imigração de mão de obra, e não como barreira à competitividade internacional.
Mais de 2,5 milhões de pessoas viajam anualmente à Alemanha para participar de feiras. Para o setor, processos digitais e vistos de múltiplas entradas para expositores frequentes são medidas urgentes para evitar a perda de negócios para centros concorrentes como Dubai e Cingapura.
O boletim também pede que a política econômica alemã volte a priorizar a redução de custos operacionais, como energia e impostos. Entre as sugestões estão:
- Abolir o imposto sobre aviação;
- Reduzir encargos trabalhistas para um teto de 40% da folha salarial;
- Modernizar a malha ferroviária e aérea para conectar melhor a Alemanha com o restante da Europa;
- Simplificar exigências de relatórios legais, sobretudo para pequenas e médias empresas.
A Alemanha é o país que sedia dois terços das principais feiras líderes mundiais, em cidades como Frankfurt, Berlim, Hannover e Colônia.
Só o setor de feiras é responsável por até 230 mil empregos diretos e indiretos, com impacto significativo no turismo de negócios e na economia regional.
Para a AUMA, o momento é decisivo. “A estrutura já existe. O que falta é um empurrão político para garantir que a Alemanha continue sendo referência mundial em feiras, negócios e inovação.”













