Com um modelo curatorial consolidado, nova ocupação nos espaços históricos da Mercado Livre Arena Pacaembu e foco na pluralidade de vozes e formatos, a ArPa 2025 encerrou sua quarta edição com resultados expressivos.
Realizada entre 28 de maio e 1º de junho, a feira reuniu cerca de 60 galerias de 14 países e apresentou projetos de aproximadamente 100 artistas.
Instalada no complexo da Mercado Livre Arena Pacaembu, a ArPa integra o pilar cultural da nova concessão do espaço e resgata sua vocação histórica para atividades culturais e amplia o acesso à arte.
Em 2025, a feira ocupou, além do Mercado Pago Hall, o repaginado Ginásio Poliesportivo Mercado Livre em uma experiência ampliada de circulação e fruição artística em uma das regiões mais emblemáticas da cidade de São Paulo.
Mais de 13 mil pessoas passaram pela edição e a venda de ingressos ultrapassou a feira do ano anterior. Circularam pela feira colecionadores, artistas, curadores, jornalistas, críticos e representantes de instituições.
A ArPa também reafirmou seu papel como espaço de networking e articulação do ecossistema artístico ao reunir profissionais de diversas áreas e promover trocas entre gerações para ativar futuras colaborações.
A edição de 2025 reforçou o modelo de seletas exposições por estande de galerias convidadas e curadorias focadas em pesquisa, multiplicidade de suportes e pluralidade de perspectivas.
O Setor UNI, com curadoria da colombiana Ana Sokoloff, baseada em Nova York, trouxe 12 projetos solos de 12 galerias nacionais e internacionais.
Esta ação destacou artistas emergentes e consagrados de seis espaços internacionais e seis brasileiros para representar distintas geografias e narrativas.
“O UNI propôs um olhar sensível sobre o espírito do nosso tempo, por meio de práticas artísticas que exploram temas como poder, pertencimento e a marginalização de pessoas e da natureza frente aos desafios contemporâneos”, explica Sokoloff.
O Programa Prisma, programa de visitas formativas com curadores e colecionadores, teve papel estratégico na ativação de redes e na ampliação do alcance institucional da feira.
Com quatro duplas de artistas e colaboradores, o Setor Base reafirmou a arte como ferramenta de educação, cuidado e transformação social.
Projetos como desenhodesejo, de Thiago Honório e Julia Gallo; e Cadê a matriz?, de Santídio Pereira e Fabrício Lopez, propuseram reflexões sobre ancestralidade, vontade e memória, acompanhadas de conversas com o público.
A proposta do setor, concebida como espaço de criação e interlocução, consolidou-se como núcleo de formação, pedagogia e produção de sentido coletivo.
As conversas do Setor Base se destacaram como um espaço pulsante de troca e reflexão, contribuição para a formação de público e o engajamento de estudantes de artes visuais.
PREMIAÇÕES
Três importantes reconhecimentos marcaram a edição. O “Prêmio Melhor Estande” foi concedido à galeria Quadra com base em critérios como coerência curatorial, inventividade na montagem e relevância das obras.
Com avaliação de um júri internacional formado por curadores internacionais convidados pela ArPa, o prêmio concedeu benefício exclusivo na aquisição de estande para a edição seguinte e busca estimular projetos autorais e excelência expositiva.
A menção honrosa da premiação foi concedida à MaPa Galeria, que participou do Setor Principal com um sensível e potente projeto dedicado às irmãs Jandyra Waters e Ismênia Coaracy (in memoriam).
A curadoria das obras destacou a força do olhar das artistas sobre o cotidiano e perspectivas que transcendem o tempo e segue dialogando com o presente.
Já o “Selo Mandacaru” reafirmou seu compromisso com a valorização de artistas pertencentes a minorias de direito. Em 2025, sete artistas indicados concorreram a premiação:
– Carmézia Emiliano (Central Galeria), Helô Sanvoy (Aura Galeria), Juliana Lapa (Galeria Marco Zero), Monica Ventura (Nara Roesler), Rayana Rayo (Galeria Marco Zero) e Ventura Profana (FORMATOCOMODO).
Em sua terceira edição, a premiação selecionou a artista recifense Rayana Rayo, que traz em suas pinturas um universo figurativo de matriz fantástica, reporta à lida com o seu próprio inconsciente e com acontecimentos cotidianos.
A aquisição da obra foi acompanhada por meio de um júri composto por Camilla Barella, diretora geral da feira, Beth da Matta, gestora executiva do Projeto Mandacaru, e Lucas Dilacerda, curador desta edição do Selo Mandacaru.
Por fim, a obra Torso, de Tatiana Chalhoub (galeria Fortes D’Aloia & Gabriel), foi selecionada pelos curadores da Pinacoteca de São Paulo e adquirida pela MOS Incorporadora, que a doará ao museu — iniciativa inédita que reforça o compromisso com a ampliação e a diversificação do acervo institucional público.
CRESCIMENTO E FUTURO
A Pesquisa ArPa 2025, lançada durante a feira, indicou uma percepção de estabilidade com tendência de crescimento moderado, aumento do interesse internacional por artistas da região e a necessidade de maior projeção global.
O mapeamento também identificou desafios relacionados à renovação do colecionismo, à logística de circulação de obras e à valorização de projetos artísticos ligados a contextos latino-americanos.
A diversidade de gênero, origem e geração segue como eixo da ArPa. Em 2025, foi notável o protagonismo de artistas mulheres e LGBTQIAPN+, assim como a presença de lideranças femininas nas galerias.
A direção da feira também é conduzida por mulheres, reforçando um ecossistema comprometido com a equidade, a ampliação de repertórios e a transformação das estruturas do sistema da arte.
“A ArPa 2025 confirma a maturidade da feira como espaço de visibilidade, formação e projeção internacional”, afirma Camilla Barella, diretora geral da ArPa.
“Seguiremos com o compromisso de manter um modelo curado, conectado com as urgências do presente e comprometido com um ecossistema mais diverso e sustentável”, finaliza.













