A ArPa encerrou, no domingo (20), sua primeira edição internacional com resultados que combinam vendas, aquisições institucionais, novos negócios e o fortalecimento das conexões entre os circuitos artísticos da Argentina e do Brasil.
Realizada durante cinco dias na Casa Victoria Ocampo, em Palermo, a feira recebeu mais de 4 mil visitantes e reuniu galerias argentinas, brasileiras e norte-americanas.
A estreia internacional também consolidou a vocação da ArPa para promover intercâmbios dentro da América Latina.
Além da participação de galerias de diferentes países, a programação recebeu curadores, colecionadores e profissionais do mercado vindos de diferentes lugares, entre eles São Paulo, Lima, no Peru, e Los Angeles, na Califórnia, por meio do Programa Prisma, criado para aproximar agentes do circuito internacional das galerias e artistas participantes.
“Desde que a ArPa nasceu, imaginamos uma feira com identidade latino-americana e vocação de crescer além das fronteiras”, afirma Camilla Barella, diretora-geral e fundadora da ArPa.
“Escolher Buenos Aires para a estreia internacional reflete a relevância da cena artística e o potencial de intercâmbio entre a Argentina e o Brasil. Encerramos esta edição com a certeza de que esse vínculo tem substância e futuro”, completa
UMA FEIRA PARA VER AS OBRAS DE PERTO
A Casa Victoria Ocampo entregou o que a direção buscava: um espaço onde as obras pudessem ser vistas com calma, sem o ritmo acelerado dos grandes eventos.
Cada galeria apresentou um ou dois artistas, com projetos inéditos, e os salões e o jardim da residência funcionaram como parte da proposta expositiva, não como cenário.
A escolha da Casa Victoria Ocampo como sede foi parte central do projeto da ArPa Buenos Aires.
Monumento Histórico Nacional argentino, a residência foi preservada como espaço de memória e patrimônio arquitetônico, e a montagem da feira buscou estabelecer uma relação de respeito com sua arquitetura e com o legado cultural associado à escritora e intelectual Victoria Ocampo.
VENDAS E NOVAS CONEXÕES COM COLECIONADORES
A circulação de colecionadores e profissionais do setor esteve entre os principais resultados da primeira edição.
Ao longo dos cinco dias, as galerias relataram vendas e novos contatos com colecionadores argentinos e estrangeiros, além de oportunidades de aprofundamento de relações iniciadas em outras edições da ArPa.
A feira também marcou sua estreia com três aquisições para coleções de referência do circuito argentino.
O Museu de Arte Contemporânea de Buenos Aires (MACBA) anunciou a incorporação de Miss Anginas (2024), tríptico em óleo sobre tela de Verónica Gómez, apresentada pela galeria COTT.
A aquisição inaugura a Colección Expandida, nova linha do museu voltada à produção contemporânea argentina, e vem acompanhada da confirmação de uma exposição antológica da artista no MACBA em 2027.
A Coleção Ama Amoedo incorporou Sin título (2023), óleo sobre tela de Déborah Pruden, adquirida na galeria PASTO.
A obra amplia o núcleo de abstração feminina argentina da coleção, que já reúne trabalhos de Yente (1905–1990) e Germaine Derbecq (1899–1977).
Para completar, A Fundação Cervieri Monsuárez – instituição sem fins lucrativos, com sede em José Ignacio, Uruguai, dedicada à produção e difusão da arte contemporânea – adquiriu duas têmperas sobre lâmina de livro antigo de Alfredo Londaibere (Sem título, 2013).
PESQUISA DE MERCADO APONTA TENDÊNCIAS
Assim como na edição de São Paulo, a ArPa realizou uma pesquisa de mercado com galeristas, colecionistas e outros importantes atores do circuitos das artes.
Entre os principais destaques, foi possível averiguar que o contexto econômico da Argentina pesa na percepção de quem atua no setor:
– 70% dos respondentes indicam que ele influencia negativamente a atividade do circuito de arte contemporâneo – de forma decisiva para 40% e moderada para outros 30%.
Ainda assim, a leitura sobre o colecionismo e os vínculos regionais aponta em outra direção. Entre os respondentes, 46% avaliam o mercado como estável e 28% o veem em expansão.
Entre os perfis de compradores percebidos como mais ativos nos últimos meses, os novos colecionadores aparecem em primeiro lugar, citados por 43% dos respondentes, à frente dos colecionadores tradicionais, mencionados por 39%.
Ampliar e fidelizar essa base nova é apontado como o principal desafio do mercado por 41% de quem respondeu.
O olhar para fora é consistente entre quem respondeu. Mais da metade (54%) percebe o interesse pelo trabalho de artistas latino-americanos em crescimento, e 86% consideram que Argentina e Brasil estão bem ou parcialmente bem posicionados no circuito internacional.
A expectativa para o segundo semestre aponta na mesma direção: 47% dos respondentes projetam leve crescimento ou expansão significativa para o mercado da região até o fim do ano.
Os canais digitais são percebidos em expansão por 79% dos respondentes, embora boa parte aponte que os resultados ainda ficam aquém do potencial.
A sondagem também mapeou gostos e linguagens. A pintura é o suporte mais procurado com larga vantagem, mencionada por 80% dos respondentes, e a afinidade estética ou pessoal com a obra é o fator decisivo na hora da compra para 79% – à frente do preço e da trajetória do artista.
Entre as narrativas que mais despertam interesse, artistas emergentes com linguagens experimentais e questões de identidade – gênero, raça, pertencimento – aparecem empatados, com 33% cada, seguidos de perto por poéticas da natureza e do meio ambiente, com 30%.
“Buenos Aires tem uma cena viva e um público que acompanha de perto o que se produz na região. Essa sondagem nos permite entender esse circuito por dentro e construir uma relação mais sólida com ele”, finaliza Flavia Masetto, diretora da ArPa Buenos Aires.











