A arquitetura brasileira ganha, a partir de 25 de março, um novo espaço de debate, experimentação e contato com o público.
Estreia nesta data a primeira edição da Bienal de Arquitetura Brasileira (BAB), iniciativa criada para ampliar a forma como a sociedade percebe e se relaciona com os espaços construídos no dia a dia.
Idealizada pelos fundadores da Archa, Anna Rafaela Torino e Raphael Tristão, em parceria com Lucas Aragão e Felipe Zullino, a bienal opera de maneira independente e sem fins lucrativos.
A proposta surge a partir de um diagnóstico claro: no Brasil, apenas 9% das reformas contam com a participação de arquitetos, segundo pesquisa do Datafolha, encomendada pelo CAU Brasil em 2022.
“A arquitetura ainda é vista de forma pontual, quase sempre associada apenas à obra. A BAB nasce para ampliar esse repertório, tratando a arquitetura como cultura, pensamento e experiência cotidiana”, afirma Anna Rafaela Torino, diretora de conteúdo da bienal.
A edição inaugural ocupará o Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque Ibirapuera, edifício projetado por Oscar Niemeyer com paisagismo de Roberto Burle Marx.
O espaço foi concebido como o “Pavilhão Brasil”, reunindo pavilhões temáticos inspirados nos biomas brasileiros, com leituras contemporâneas sobre o morar em diferentes regiões do país.
Além da área expositiva interna, a BAB contará com o chamado Pátio Metrópole, espaço externo que propõe a criação simbólica de uma cidade.
O local reunirá instalações construtivas, ativações comerciais, arena de conteúdo, cafés, restaurantes, workshops e experiências interativas.
Segundo Raphael Tristão, presidente da BAB, a proposta é aproximar o público da arquitetura de maneira direta.
“A bienal inaugura um modelo que combina educação, tecnologia e experiência para tornar a arquitetura mais acessível e presente no cotidiano das pessoas”, afirma Tristão.
CONCURSO NACIONAL DEFINE MASTERPLAN
O projeto expográfico da primeira edição foi definido por meio de um concurso nacional aberto a arquitetos de todas as regiões do país. O vencedor foi o Estúdio Leonardo Zanatta Arquitetura, selecionado entre dezenas de propostas.
Como prêmio, o arquiteto receberá uma viagem cultural à Bienal de Arquitetura de Veneza 2026, acompanhado pelos sócios do escritório Superlimão.
“Foi especialmente gratificante vencer diante da qualidade do júri e do nível das propostas apresentadas. Assumir o masterplan da primeira edição da BAB é uma grande responsabilidade”, comenta Leonardo Zanatta.
O júri reuniu nomes de referência da arquitetura, do design e da cultura brasileira, como Amer Moussa, Daniel Mangabeira, Greg Bousquet, Marko Brajovic, Nara Grossi, Rodrigo Ohtake e Silvio Todeschi, entre outros.
BIOMAS COMO EIXO CURATORIAL
Também por meio de concurso foram selecionados os escritórios responsáveis pelos pavilhões estaduais, organizados a partir dos biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica, Pampas e Pantanal.
As propostas exploram relações entre arquitetura, território, clima, memória e modos de vida, valorizando a diversidade cultural do país.
Os projetos vão desde casas ribeirinhas e experimentações vernaculares até leituras urbanas e contemporâneas, sempre situadas em contextos específicos e conectadas às realidades locais.
A Bienal de Arquitetura Brasileira acontece de 25 de março a 30 de abril de 2026, no Parque Ibirapuera, em São Paulo.
Os ingressos custam R$ 100 (inteira) aos fins de semana e R$ 80 (inteira) durante a semana, com vendas exclusivamente pelo site oficial da BAB. A entrada recomendada é pelo Portão 03, na Avenida Pedro Álvares Cabral.
Além da exposição principal, parte da área externa será aberta ao público, com praça e palco para ativações culturais e programação paralela.













