A participação brasileira na SIAL Paris 2026 terminou com expectativa de gerar US$ 3,5 bilhões em negócios imediatos e futuros.
Realizada entre 17 e 21 de outubro, na França, a feira reuniu 156 empresas brasileiras, entre elas 14 cooperativas da agricultura familiar que participaram pela primeira vez do evento.
A delegação foi coordenada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), em parceria com entidades setoriais.
Durante cinco dias, os expositores apresentaram produtos como cafés especiais, mel, castanhas, açaí, umbu, cajá e bebidas produzidas com ingredientes da biodiversidade brasileira, em busca de compradores e oportunidades de exportação.
Um dos destaques foi a diversidade de produtos regionais apresentados ao mercado internacional.
Além de alimentos tradicionais, empresas brasileiras levaram à feira bebidas inovadoras e ingredientes com potencial de aplicação em diferentes indústrias, incluindo a cosmética.
CARNE, AVES, SUÍNOS E OVOS MOVIMENTAM A PARTICIPAÇÃO BRASILEIRA
Os segmentos de proteína animal também marcaram presença na feira. A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) levou 25 empresas e cooperativas dos setores de aves, suínos e ovos, distribuídas em quatro espaços com mais de 670 metros quadrados.
A programação incluiu degustações e reuniões comerciais.
Na área de carne bovina, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC) reuniu 22 empresas em um pavilhão de 600 metros quadrados.
Além de prospectar clientes, a iniciativa buscou fortalecer relações comerciais e identificar alternativas para ampliar o acesso a mercados internacionais.
COOPERATIVAS APRESENTAM PRODUTOS REGIONAIS A COMPRADORES ESTRANGEIROS
A participação de 14 cooperativas da agricultura familiar marcou a estreia do segmento na feira com identidade própria, incluindo marcas e embalagens.
A iniciativa integrou o programa Cooperar para Exportar e buscou preparar as organizações para negociar diretamente com compradores internacionais.
Entre os produtos que despertaram interesse estavam cafés especiais, mel, castanhas e geleias de frutas nativas, como a mangaba.
Segundo Fátima Torres, presidente da União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes Brasil), a participação permitiu apresentar não apenas os produtos, mas também sua origem e as comunidades responsáveis pela produção.
Na Bahia, a Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (CooperCuc) aproveitou a feira para prospectar novos clientes para seus produtos derivados de frutas da Caatinga.
A organização, que exporta desde 2005, apresentou um portfólio de aproximadamente 35 itens, incluindo doces, geleias, compotas e sucos de umbu e maracujá-da-caatinga.
Um dos avanços foi o contato com uma empresa do Reino Unido interessada nas barrinhas de doce de umbu produzidas pela cooperativa. As negociações devem continuar após a feira, com a perspectiva de estabelecer um fornecimento regular.
COOPERAÇÃO AMPLIA ESCALA E VARIEDADE DE PRODUTOS PARA EXPORTAÇÃO
A atuação conjunta entre cooperativas também contribuiu para ampliar a capacidade de atendimento ao mercado internacional.
De acordo com Luciano Monteiro, presidente da Cooperativa Agropecuária Regional de Palmeira dos Índios (Carpil), o compartilhamento de estruturas de beneficiamento e a união de volumes permitem atender a demandas que seriam difíceis de suprir individualmente.
Segundo ele, a integração ajudou a ampliar a oferta de aproximadamente 20 para cerca de 100 produtos destinados a mercados internacionais.
Na SIAL Paris, compradores demonstraram interesse em castanhas, cafés, geleias e ingredientes voltados à indústria cosmética, com destaque para o óleo de pequi destinado à fabricação de dermocosméticos.
A expectativa das cooperativas é dar continuidade aos contatos estabelecidos em Paris e transformar as oportunidades identificadas em novos contratos de exportação.
A SIAL Paris 2026 reuniu mais de 300 mil visitantes de 190 países e contou com 8 mil expositores, 15 mil encontros de negócios e 400 mil produtos apresentados.
Para os participantes brasileiros, o evento serviu como plataforma de prospecção comercial e divulgação de produtos nacionais, especialmente aqueles associados à biodiversidade e à produção regional.





