O setor de feiras e eventos tem passado por uma mudança significativa na forma de se relacionar com o público. Em vez de priorizar exclusivamente a geração de negócios ou a distribuição de materiais promocionais, empresas têm investido cada vez mais em experiências imersivas que combinam narrativa, sensorialidade e conexão emocional.
A estratégia responde a um novo padrão de consumo, no qual visitantes buscam vivências que expressem valores, propósito e identidade de marca.
A tendência também reflete transformações no modo como o público interage com informações. Materiais impressos e até mesmo links acessados por QR Code têm registrado menor adesão em muitos eventos.
Nesse cenário, ativações presenciais bem estruturadas se tornam ferramentas mais eficazes para gerar memorização da marca e estimular o interesse posterior por produtos ou serviços.
Algumas empresas já vêm incorporando esse modelo em suas ações. Casos recentes envolvendo as marcas Suvinil e Bacio di Latte ilustram como a combinação entre entretenimento, conteúdo e interação pode ampliar o engajamento do público.
As ativações foram desenvolvidas pela MCM Brand Experience e indicam que, atualmente, o impacto de um evento é medido também pela capacidade de gerar identificação e repercussão espontânea.
A Suvinil reuniu cerca de 300 participantes em um encontro que combinou conteúdo e integração entre convidados. Além de apresentar novidades da marca, a programação incluiu dinâmicas coletivas e uma palestra do filósofo Luiz Felipe Pondé.
A proposta foi ampliar o debate para temas como criatividade, propósito e transformação coletiva, associando o posicionamento da empresa a ideias de expressão e autenticidade.
Já a Bacio di Latte apostou em uma estratégia voltada ao lifestyle e ao potencial de compartilhamento nas redes sociais.
O lançamento dos produtos Water Shake e Picolés Insanos reuniu cerca de 50 convidados — em sua maioria influenciadores digitais — e gerou mais de 1 milhão de impressões online.
A programação incluiu apresentação da cantora MaLu e distribuição de kits com itens desenvolvidos em parceria com a Hope Resort, além de limoncello artesanal e uma campanha editorial associada à Vogue Brasil.
Para Monica Schimenes, CEO e fundadora da MCM Brand Experience, o movimento revela uma mudança mais profunda na forma como as marcas se conectam com o público.
Segundo ela, consumidores passaram a buscar experiências que permitam identificação com os valores das empresas.
“O consumidor contemporâneo é movido pela identificação. Ele não quer assistir a uma marca; quer vivê-la. Cada detalhe dessa jornada, do design do espaço à narrativa do evento, precisa dialogar com o público de maneira autêntica”, afirma.
Schimenes destaca ainda que a personalização se tornou um elemento central na construção de confiança entre marcas e consumidores.
“Quando a empresa demonstra que conhece seu público, ela deixa de ser apenas uma companhia e passa a se tornar uma experiência emocional”, diz.
A mudança também é interpretada por especialistas como um reflexo do período pós-pandemia. Após anos de restrições sociais, o público passou a valorizar encontros presenciais que ofereçam interação real e sensação de pertencimento.
Nesse contexto, eventos que combinam experiências sensoriais, conteúdo e compartilhamento digital tendem a ganhar espaço. Para o setor, o desafio passa a ser integrar estética, narrativa e produto em um mesmo ambiente.
As ativações mais bem-sucedidas são aquelas que conseguem equilibrar o impacto visual com a criação de vínculos afetivos — um fator que, cada vez mais, influencia a lembrança de marca e o engajamento do público.













