Com o crescimento acelerado do setor de entretenimento ao vivo, o Brasil bate recordes de festivais e turnês internacionais.
Só em 2024, o número de eventos aumentou 20%, com previsão de movimentar R$ 141,1 bilhões em 2025.
Cidades como São Paulo e Rio de Janeiro concentram os principais shows, entre eles o Lollapalooza, o The Town e o aguardado show gratuito de Lady Gaga em Copacabana, que pode reunir mais de 1,5 milhão de pessoas.
Mas para pessoas com deficiência, participar desses eventos ainda impõe barreiras significativas.
A influenciadora Amanda Valente, usuária de prótese há dois anos, frequenta festivais com regularidade e aponta tanto avanços quanto limitações.
Ela destaca a existência de cadeiras e scooters como recurso positivo, mas em número insuficiente: “Há melhorias, mas o investimento ainda está aquém da demanda. A estrutura disponível não atende todo mundo que precisa”, comenta.
Amanda também menciona elementos que funcionam bem, como a presença de plataformas elevadas e o respeito às filas prioritárias, mas observa que obstáculos persistem.
“No Lollapalooza, os morros do terreno dificultam a locomoção — especialmente em dias de chuva. Em 2023, vans que transportavam scooters ajudaram, o que fez diferença. Minha nota seria 7 de 10”, avalia.
Para o paratleta Edson Dantas, convidado da empresa Ottobock no mesmo festival, o cenário é semelhante.
“Houve avanço, com marcas que apoiam a acessibilidade e oferecem equipamentos como cadeiras motorizadas e scooters. Mas ainda há muitos desafios, como pisos escorregadios e a falta de colaboração do público”, afirma.
“Em dias de chuva, algumas áreas se tornam inacessíveis”, relata. Segundo ele, é preciso mais que estrutura: “Falta educação. Muita gente ignora as filas preferenciais. É fundamental aumentar o número de funcionários treinados para auxiliar”, completa.
Uma das iniciativas estruturadas para esse público é a da Ottobock, empresa que fornece suporte técnico e equipamentos de mobilidade em eventos como o Lollapalooza e o The Town.
A atuação inclui o empréstimo de cadeiras de rodas, scooters e atendimento especializado no local.
“Pensamos em toda a jornada: deslocamento, orientação e acolhimento”, afirma Gabriella Pessoa, analista de marketing e responsável pelas ações da empresa nos festivais.
“A ideia é garantir autonomia e respeito para cada pessoa com deficiência”, acrescenta a executiva.
Apesar de alguns avanços pontuais, a ampliação de políticas de acessibilidade em eventos culturais e esportivos no Brasil ainda é uma demanda urgente.
Em um setor que cresce rapidamente, garantir acesso pleno para públicos diversos não deve ser visto apenas como uma exigência legal, mas como um compromisso com a inclusão.













