O Brasil abriga seis dos dez maiores centros de exposições da América Central e do Sul, segundo dados divulgados pela UFI, associação global da indústria de feiras e exposições. É uma liderança que vai além da dimensão dos pavilhões: revela a capacidade instalada do país para receber grandes eventos, movimentar cadeias produtivas e atrair negócios internacionais.
O dado ganha atualidade com a chegada da UFI Central & South American Conference 2026 a São Paulo, nos dias 1º e 2 de dezembro. Pela primeira vez em seis edições, o encontro regional será realizado no Brasil, reunindo lideranças internacionais da indústria de exposições.
Mas o que sustenta essa posição brasileira no cenário regional?
Parte da resposta está no Rio de Janeiro. Inaugurado em 1977, o Riocentro atravessou diferentes ciclos econômicos, recebeu eventos que marcaram a história do país e se transformou em um dos principais exemplos de operação de infraestrutura para grandes eventos sob gestão internacional.
Quase 50 anos de grandes eventos
Com mais de 500 mil m² de área total e aproximadamente 98 mil m² de área construída, o Riocentro reúne quatro pavilhões de exposições, centro de convenções modular, anfiteatro e hotel integrado.
A estrutura permite receber desde congressos corporativos até feiras internacionais, espetáculos e eventos com milhares de participantes. O complexo dispõe ainda de estacionamento com milhares de vagas e infraestrutura logística para grandes operações de montagem e desmontagem.
Essa versatilidade ajuda a explicar sua trajetória.
O Riocentro participou de momentos decisivos para a projeção internacional do Rio de Janeiro, como a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Eco-92, os Jogos Pan-Americanos de 2007 e os Jogos Olímpicos de 2016.
Décadas depois, continua recebendo eventos relevantes para diferentes setores da economia, entre eles a Bienal do Livro, a LAAD Defence & Security e a ABAV Expo.
São eventos de perfis distintos, mas que compartilham uma exigência: infraestrutura capaz de combinar capacidade de público, operação técnica, logística e serviços.
O investimento estrangeiro por trás dos centros de exposições
Desde 2006, o Riocentro é administrado pela francesa GL events, por meio de uma concessão de 50 anos.
A presença do grupo internacional acrescenta outra dimensão à história do complexo: a participação de operadores globais no desenvolvimento e na gestão da infraestrutura brasileira de eventos.
Ao longo desse período, o Riocentro passou por modernizações e ampliou sua oferta de serviços, incorporando instalações de hospitalidade e espaços voltados a diferentes formatos de encontros.
O modelo ilustra uma dinâmica importante para a indústria MICE: grandes venues não dependem apenas de área disponível. Sua competitividade exige investimento contínuo, atualização tecnológica, eficiência operacional e capacidade comercial para atrair organizadores.
Nesse mercado, construir um pavilhão é apenas o começo. Mantê-lo competitivo, ocupado e economicamente relevante é o desafio permanente.
O Brasil tem espaço. A disputa é por eventos.
A presença brasileira entre os maiores centros de exposições da região não se limita ao Riocentro.
São Paulo concentra outros equipamentos de grande porte, como o São Paulo Expo, o Distrito Anhembi e o Expo Center Norte, que ajudam a sustentar a capacidade nacional de receber feiras internacionais e eventos de elevada complexidade operacional.
Esse patrimônio coloca o país em posição relevante no mercado latino-americano, mas também evidencia uma questão estratégica: infraestrutura disponível não significa, automaticamente, liderança na atração de eventos internacionais.
A decisão de uma organizadora sobre onde realizar ou expandir uma feira envolve conectividade aérea, acesso aos mercados consumidores, segurança jurídica, custos operacionais, disponibilidade hoteleira e previsibilidade de negócios.
A qualidade dos pavilhões abre portas. A competitividade do destino determina quantas oportunidades efetivamente se concretizam.
Uma vitrine internacional em dezembro
A realização da UFI Central & South American Conference 2026 em São Paulo oferece ao Brasil uma oportunidade de apresentar essa capacidade a executivos, organizadores e operadores de diferentes mercados.
Promovido com a participação da UBRAFE como entidade anfitriã, o encontro terá atividades no Centro de Convenções Frei Caneca e no Expo Center Norte, em paralelo à Experience Expo. A programação será complementada pelo UFI Event Directors Summit, em 3 de dezembro.
A escolha do Brasil reconhece a importância de seu mercado para a indústria regional de exposições. Também amplia a oportunidade de discutir o próximo estágio de desenvolvimento do setor.
O Riocentro representa uma parte dessa trajetória: a de um país que investiu em equipamentos de grande porte e passou a contar com operadores internacionais na gestão de ativos estratégicos.
O próximo passo é transformar essa infraestrutura em maior presença nas rotas globais de feiras, congressos e negócios.
Porque ter alguns dos maiores pavilhões da região é uma vantagem. Fazer com que o mundo escolha utilizá-los é o que transforma capacidade instalada em protagonismo econômico.












