Início Feiras de Negócios Nova geração, mesmo DNA: Roberta Pletsch inicia um novo ciclo na Merkator

Nova geração, mesmo DNA: Roberta Pletsch inicia um novo ciclo na Merkator

Em entrevista ao Portal Radar, Roberta Pletsch compartilha os bastidores da transição de liderança na Merkator, após assumir o posto que era de seu pai, Frederico Pletsch. Com mais de duas décadas na empresa e paixão declarada pelo que faz, Roberta inaugura um novo capítulo na promotora de eventos, tendo a Geronto Fair como marco inicial de sua gestão plena.

Ela fala sobre legado, inovação, o papel do RS no cenário nacional e os caminhos que pretende traçar à frente da “pequena grande família Merkator”.

Roberta, você assumiu recentemente a direção da Merkator, sucedendo seu pai, Frederico Pletsch. Como tem sido esse processo de transição para você — tanto no plano pessoal quanto profissional?

Acredito que estou vivendo a minha melhor fase profissional e pessoal. Essa transição está sendo supertranquila e estou entregando o melhor que eu posso. Eu realmente amo o que eu faço e isso torna muito mais fácil.

Me sinto segura, confiante e com muita determinação para superar os desafios que não são poucos, mas que ao mesmo tempo essas adversidades estão me fazendo crescer muito.

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Tenho uma relação muito próxima com meu pai e como ele continua na Merkator conversamos bastante. Já estou trabalho há 22 anos na empresa e me sinto privilegiada por ter aprendido muito com ele, que é uma pessoa que sou fã número 1.

O Frederico segue por perto como apoio. Como é essa convivência profissional entre pai e filha dentro da Merkator? Há espaço para trocas de ideias ou vocês seguem estilos muito diferentes?

Nossa convivência é muito boa, mas confesso que de vez em quando não é fácil. Somos muito parecidos e isso é bom, mas também às vezes dificulta. Tenho meus defeitos e estou diariamente fazendo um esforço em ouvir mais as pessoas do que eu falar.

Conversamos muito e trocamos várias ideias, o que para mim é ótimo pois ele tem muito mais experiências vividas do que eu e muito mais sabedoria para tomar decisões. Outro fator que considero importante é essa troca intergeracional, pois ambos acabam aprendendo.

Você acredita que esse momento marca uma nova fase também para os eventos da Merkator? Existe um novo posicionamento sendo planejado?

Com certeza. Acredito que isso reforça o posicionamento e algo que a Merkator sempre teve no seu DNA que é: potencializar negócios. Ao longo destes anos nós temos percebido que nossos eventos vão muito além das negociações de corredores.

As conexões que são geradas são duradouras e envolvem diversos setores que convergem para um único objetivo, gerar negócios e resultados.

Você chegou a trabalhar em outras áreas ou sua formação já era voltada para o setor de eventos e comunicação?

Como tenista juvenil e tive o privilégio de representar o esporte no sul-americano no Equador e no Mundial do Japão em 1994. Sempre digo que o esporte é um dos melhores presentes que a vida me deu, porque o tênis é um esporte que te ensina praticamente tudo.

Temos que tomar decisões rápidas e saber que nem sempre iremos ganhar, mas que temos que batalhar até o último ponto, porque nesse esporte tudo pode acontecer.

Enquanto estava na faculdade fui professora de tênis para crianças no Clube Aliança de Novo Hamburgo, clube que tenho muito carinho. Até hoje lembro dessa época com muito carinho.

Sou Bacharel em Turismo e quando começaram as disciplinas de gestão de eventos na faculdade, confesso que fiquei muito interessada, porque desde pequena estava com meus pais em pavilhões e acompanhando as montagens dos estandes.

Então entrei na Merkator logo após a minha formatura e fiz um Pós de Comunicação e Marketing. E aqui estou agora com esse papel tão importante e que estou imensamente orgulhosa de estar à frente.

E Qual foi o momento em que você percebeu: “É isso. Quero continuar o legado da Merkator”?

Logo no início que comecei na Merkator, confesso que olhava as horas no relógio para ir embora e literalmente o tempo não passava. Engraçado relembrar disso agora, porque hoje o que mais falta é tempo para fazer tudo.

O momento que eu percebi foi através do meu amadurecimento tanto pessoal como profissional. Estudei bastante e tive que desatar alguns “nós”, como por exemplo ser a “filha do dono”, que independente do quanto tu és competente muitos acreditam que tu estejas somente nesse cargo por ser filha.

Mas isso já é passado e hoje não me preocupo mais, pois porque acredito e tenho confiança no meu potencial, além de ter um time fantástico de colaboradores que chamamos carinhosamente de “pequena grande família Merkator” que literalmente vestem a camisa da empresa.

Quais são os seus principais objetivos como nova “comandante” da Merkator?

Acredito que meu maior desejo é aumentar o portfólio de produtos da Merkator. Amo o setor coureiro calçadista até porque sou neta de fabricante de calçados e meu pai foi representante por vários anos.

Obviamente, as feiras de calçados continuam firmes e fortes, agora temos a Geronto Fair e para 2026 já temos outro evento engatilhado em um segmento completamente diferente. Esses novos projetos estão me fascinando, mas claro que jamais esquecendo aqueles que já temos.

Falando na Geronto Fair. Ela será o primeiro evento sob sua gestão plena. O que essa edição representa para você? Está preparando algo diferente?

A Geronto Fair é uma feira apaixonante e completamente diferente das feiras calçadistas. Na Geronto Fair estamos lidando com vidas e isso é algo imensurável de explicar.

Ela é uma feira que une pilares como: desenvolvimento econômico, tecnologia e inovação, turismo e lazer, educação e cultura, mercado de trabalho, marketing e consumo, saúde e bem-estar e políticas públicas. Acreditamos no envelhecimento ativo.

Sou uma pessoa extremamente exigente comigo mesma e só eu sei o quanto tem sido difícil a realização desse evento, porque a feira é tão ampla que muitos ainda não percebem a grandeza dela. Fui tenista a vida inteira e adepta de todos os esportes com raquetes.

Descobri o Pickleball, esporte pouco conhecido ainda no Brasil, mas que nos EUA é muito praticado por adultos maduros, devido a dimensão da quadra ser pequena, a raquete é mais leve que tênis, beach tennis e paddle, a bola é de plástico e perfurada sendo que não é necessário sacar por cima,o que torna tudo muito mais fácil para os praticantes.

Na Geronto Fair, teremos uma quadra de Pickleball, com jogos de exibições com praticantes 50 + 60+ 70+ nos dias do evento, além de clínicas para os visitantes que terão acesso a feira.

A Geronto é uma feira para negócios e tendências na economia prateada e nada mais inovador que trazer um esporte pouco conhecido, mostrando que idade é somente um número.

Que tipo de legado você espera deixar, olhando para os próximos anos da empresa?

Sinceramente, estou pensando muito no momento atual que a empresa está passando, e confesso que não sobra muito tempo para pensar em legado. Mas com certeza tenho um desejo de honrar tudo que meu pai construiu com tanto esforço e dedicação.

Me considero uma pessoa do bem e jamais quero perder o meu jeito de ser. Tive a sorte de ter uma educação com princípios que me tornaram a pessoa que sou hoje. Aprendi desde cedo que a vida dá voltas e que temos que tratar as pessoas da mesma forma, independente da classe social ou da posição profissional que ocupam.

Acredito que ética é fundamental para o sucesso na vida e fazer as coisas com AMOR é o grande trunfo de tudo. Tenho como bordão o” VAMO QUE VAMO”, algo que aprendi com o tênis que para mim significa garra, determinação, comprometimento, celebrar as vitórias e aprender com as derrotas.

O Rio Grande do Sul sempre foi muito forte em feiras, especialmente nos setores calçadista, agrícola e turístico. Como você vê o papel do estado hoje no cenário nacional de eventos?

Hoje, eu vejo o Rio Grande do Sul (RS) mantendo esse protagonismo, mas também se reinventando. Além das feiras tradicionais, o estado tem se destacado em novos segmentos, como tecnologia, inovação, economia prateada e economia criativa.

Eventos como a própria Geronto Fair, por exemplo, mostram como o RS está atento às novas demandas da sociedade e do mercado. Outro ponto importante é a força do interior.

Cidades como Gramado, Caxias do Sul, Bento Gonçalves e Pelotas têm impulsionado o turismo de negócios e ampliado o alcance dos eventos, descentralizando as oportunidades.

Claro, ainda temos desafios — como a conectividade aérea em algumas regiões e a modernização da infraestrutura em certos espaços.

Mas o que vemos é um ambiente com muita capacidade de inovação, profissionais qualificados e uma cultura empreendedora que continua sendo referência no Brasil. O RS tem tudo para seguir como um dos grandes líderes nacionais no setor de eventos.

Gramado virou uma espécie de “lar” para os eventos da Merkator. O que torna a cidade tão estratégica para vocês? Tem planos de outras regiões?

A Merkator sempre utilizou nas suas estratégias locais que unissem turismo e negócios, o que por muitos anos foi grande base para muito do sucesso da promotora. Continuamos com este pensamento, mas não descartamos do nosso portfólio a possibilidade de estar em locais que possam cumprir o que de fato a Merkator se propõe, que é gerar e potencializar negócios pois sempre iremos priorizar com que nossos eventos gerem resultados eficazes e duradouros.

Além da estrutura do Serra Park, Gramado oferece turismo, gastronomia e encantamento. Como esses elementos contribuem para a experiência das feiras que vocês promovem?

Gramado é muito mais do que um destino de eventos — é uma cidade que encanta em cada detalhe. E isso transforma completamente a experiência de quem participa das feiras que promovemos.

A estrutura do Serra Park já é um diferencial: moderna, ampla e cercada pela natureza. Mas quando somamos isso à atmosfera da cidade, o impacto é ainda maior.

A gastronomia, a hospitalidade e o charme de Gramado criam um ambiente acolhedor e memorável. As pessoas vêm para fazer negócios, mas também aproveitam para viver a cidade, se conectar, relaxar e até trazer a família.

Isso aumenta o tempo de permanência, melhora a percepção do evento e fideliza o público. Além disso, o turismo fortalece o networking. Muitos encontros acontecem fora dos estandes — em cafés, jantares, passeios. É uma experiência 360°, onde o conteúdo, o ambiente e as relações caminham juntos.

A cidade também oferece algum tipo de apoio institucional ou parceria na realização dos eventos? Como é a relação da Merkator com o poder público e com o trade local?

Temos uma boa relação com o poder público de Gramado. Meu pai, Frederico Pletsch, foi homenageado como Cidadão Gramadense pelo que as feiras representam e movimentam na cidade durante os períodos que acontecem.

Sempre mantemos essa boa relação até porque entendemos que essa parceria precisa acontecer pela movimentação que a feira produz na cidade como um todo seja em rede hoteleira, alimentação e outros tantos setores que englobam a realização do evento.

Crédito da imagem: Divulgação/Merkator Feiras

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