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O que o próximo presidente pode fazer pelo setor de eventos de cultura e entretenimento

POR DORENI CARAMORI JÚNIOR

As eleições presidenciais costumam representar uma oportunidade para refletirmos sobre os rumos do Brasil.

Questões ligadas à economia, geração de empregos, competitividade, investimento e desenvolvimento regional ganham espaço no debate público e ajudam a definir prioridades para os anos seguintes.

Nesse contexto, acredito que a cadeia produtiva de eventos deve ocupar um espaço mais relevante nessa discussão.

Durante muito tempo, essa atividade foi observada apenas sob a ótica do entretenimento ou da realização de espetáculos. Hoje, contudo, sua dimensão econômica é muito mais ampla.

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Estamos falando de um segmento que se conecta diretamente ao turismo, à cultura, ao esporte, ao comércio, à hotelaria, à alimentação, ao transporte, à comunicação, à tecnologia e aos serviços.

Cada iniciativa realizada mobiliza profissionais, empresas, fornecedores e investimentos que impactam municípios, estados e regiões inteiras.

Previsibilidade e segurança jurídica

Essa característica faz deste segmento uma importante ferramenta de desenvolvimento econômico e social.

Por isso, a Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE) elaborou a Pauta do Setor de Eventos aos Candidatos à Presidência da República 2026, construída a partir da experiência de empresários, trabalhadores e profissionais que vivenciam diariamente os desafios operacionais e regulatórios da atividade.

Nosso objetivo não é defender privilégios nem criar tratamentos diferenciados.

O que buscamos é contribuir para a construção de um ambiente institucional capaz de oferecer previsibilidade, segurança jurídica e condições adequadas para a realização de investimentos de longo prazo.

Uma das questões centrais dessa agenda está relacionada à reforma tributária. A iniciativa representa um avanço importante para o país, mas alguns aspectos ainda precisam ser aperfeiçoados para refletir a realidade operacional da nossa atividade econômica.

Em muitos casos, ingressos, patrocínios e contratos são comercializados meses antes da realização efetiva dos projetos.

Por isso, é fundamental que a regulamentação considere essa dinâmica financeira, preservando o fluxo de caixa e permitindo planejamento adequado para empresas e investidores.

Outro ponto relevante envolve as relações de trabalho. Nossa atividade possui características próprias, marcadas pela sazonalidade, execução por projetos, formação de equipes temporárias e participação de profissionais especializados em diferentes etapas da operação.

Modernizar normas é essencial para criar instrumentos compatíveis com essa realidade, ampliando a formalização, reduzindo inseguranças jurídicas e criando condições para relações de trabalho mais adequadas às características do segmento.

Nesse contexto, também defendemos a ampliação das atividades que podem ser enquadradas no regime do Microempreendedor Individual (MEI), além da construção de um marco regulatório capaz de fortalecer a governança, a formalização e a profissionalização da cadeia produtiva.

Meia-entrada e gratuidades

Outra discussão necessária envolve a legislação relacionada à meia-entrada e às gratuidades. Trata-se de um tema complexo, que reúne interesses legítimos de consumidores, produtores culturais, organizadores, artistas e poder público.

Atualmente, convivemos com um conjunto de normas federais, estaduais e municipais, além de dezenas de propostas legislativas em tramitação sobre o assunto.

Nossa defesa é simples: que esse debate aconteça de forma ampla, transparente e nacional, reunindo todos os agentes envolvidos.

Decisões com impacto econômico relevante precisam considerar seus efeitos sobre o acesso à cultura, a sustentabilidade das operações e a capacidade de investimento do setor.

Também entendemos que o país precisa avançar na padronização regulatória. Hoje, uma mesma atividade pode estar sujeita a exigências bastante diferentes dependendo do estado ou município onde será realizada.

Essa multiplicidade de regras gera custos adicionais, aumenta a complexidade operacional e dificulta o planejamento de quem investe.

A construção de parâmetros mais harmonizados entre os diferentes entes federativos contribuiria para um ambiente mais previsível e eficiente, beneficiando organizadores, contratantes, fornecedores, investidores e consumidores.

Estamos tratando de uma atividade econômica que movimenta uma extensa rede de negócios em todo o território nacional.

São oportunidades para pequenos empreendedores, trabalhadores autônomos, microempresas, prestadores de serviço e grandes organizações em uma cadeia que gera emprego, renda e circulação econômica em diferentes regiões do Brasil.

Por essa razão, acreditamos que os candidatos à Presidência da República devem olhar para essa indústria sob uma perspectiva estratégica.

Não apenas como um segmento ligado ao entretenimento, mas como um instrumento de desenvolvimento, de fortalecimento da economia criativa e de estímulo ao empreendedorismo.

Diálogo e propostas

As eleições de 2026 representam uma oportunidade para aprofundarmos esse diálogo.

O setor está pronto para contribuir com propostas concretas voltadas ao aperfeiçoamento do ambiente de negócios, à atração de investimentos e à geração de oportunidades para milhões de brasileiros que fazem parte dessa cadeia produtiva.

O Brasil reúne condições para se consolidar como uma das grandes referências mundiais da economia da experiência.

Para alcançar esse objetivo, será necessário construir políticas públicas que compreendam a realidade da atividade, estimulem investimentos e ofereçam condições para um crescimento sustentável, previsível e integrado ao desenvolvimento nacional.

*Doreni Caramori Júnior é empresário e presidente da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE)

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