O Brasil se consolidou nos últimos anos como uma das principais rotas de turnês internacionais e grandes festivais. Com um público engajado e disposto a investir em apresentações de artistas nacionais e estrangeiros, o país registra ingressos esgotados em poucos minutos e uma mudança no comportamento de consumo, com os eventos ao vivo ganhando espaço entre as prioridades de gastos.
Uma pesquisa realizada pela Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box, em 2025, aponta que 89% dos brasileiros participam de até sete eventos ao vivo por ano.
O cenário também acompanha as condições econômicas do país. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026.
Esse movimento pode favorecer o consumo, incluindo os gastos com entretenimento, ingressos para áreas premium e viagens para acompanhar diferentes apresentações de uma mesma turnê.
O comportamento é observado entre fãs de artistas internacionais que passam pelo Brasil. Na turnê de Harry Styles pelo país, em 2022, parte do público se organizou para assistir a mais de um show.
Na apresentação mais recente do cantor em São Paulo, em julho deste ano, fãs que já haviam acompanhado a turnê anterior voltaram a garantir presença.
O interesse pelos eventos, no entanto, não se limita à apresentação musical. De acordo com o levantamento da Serasa e do Opinion Box, 70% dos brasileiros que frequentam shows apontam a vontade de assistir a um artista específico como principal motivação.
Outros 36% destacam a companhia dos amigos, enquanto 23% valorizam o ambiente e a estrutura do evento. O preço é decisivo para 18% dos entrevistados, e 12% buscam novidades e experiências diferentes.
A preferência por experiências também influencia a organização das turnês no país. Nos últimos anos, produtoras passaram a concentrar mais apresentações em cidades estratégicas, especialmente em São Paulo, principal destino de grandes turnês internacionais no Brasil.
Em vez de passar por diversas capitais, alguns artistas realizam várias datas em uma mesma cidade, atraindo fãs de diferentes regiões e fazendo da viagem parte da experiência.
“Atualmente, os shows estão sendo centralizados nos principais polos econômicos do país, principalmente em São Paulo”, afirma Gustavo Celso, CFO da BuyTicket. Segundo ele, essa dinâmica movimenta setores como turismo, hotelaria e comércio.
“Passamos de um país que recebia poucos artistas internacionais para receber turnês em grande escala por todo o território brasileiro”, completa.
A maior procura por apresentações também impulsiona o mercado de compra e revenda de ingressos. A BuyTicket registra crescimento de 200% na busca por ingressos de revenda em relação ao ano passado e já conta com uma base superior a 500 mil usuários.
Com apresentações esgotadas em poucos minutos, a revenda se tornou uma alternativa para quem não consegue comprar entradas durante a venda oficial.
A demanda também reflete o interesse de fãs em viajar para acompanhar seus artistas favoritos, assistir a diferentes datas de uma turnê ou repetir experiências anteriores.
“O mercado de ingressos está cada vez mais dinâmico, acompanhando um público que não quer viver o show apenas uma vez. Esse comportamento aumenta a demanda e fortalece o mercado de revenda, especialmente diante da procura por apresentações disputadas”, afirma Celso.
Para o executivo, a possibilidade de acompanhar diferentes datas de uma turnê ou reviver uma experiência contribui para ampliar a circulação de ingressos entre os fãs.





