O Sistema Integrado de Parques e Atrações Turísticas (Sindepat) reelegeu Pablo Mórbis, CEO do Grupo Cataratas, para a presidência de seu Conselho de Administração no biênio 2026–2028. A decisão foi tomada em Assembleia Geral Ordinária realizada em 21 de outubro, no Tauá Resort Atibaia, no interior de São Paulo.
A recondução do executivo para um segundo mandato ocorre em um momento de mudanças regulatórias relevantes para o turismo brasileiro. A implementação da Reforma Tributária, o debate sobre a redução da jornada de trabalho e o possível fim da escala 6×1 estão entre os principais temas que deverão orientar a atuação da entidade nos próximos dois anos.
Reforma Tributária e relações de trabalho no centro da agenda
A competitividade dos empreendimentos turísticos será um dos eixos centrais da nova gestão. Durante o mandato anterior, o Sindepat acompanhou as discussões da Reforma Tributária no Congresso Nacional e coordenou, em parceria com a consultoria Alvarez & Marsal, um estudo sobre os possíveis impactos das mudanças para o segmento de parques e atrações.
Agora, o desafio passa pelo acompanhamento da implementação do novo sistema tributário e de seus reflexos sobre custos operacionais, investimentos e sustentabilidade econômica dos negócios.
No campo trabalhista, a entidade pretende acompanhar as propostas de redução da jornada e de alteração da escala 6×1. A preocupação está relacionada às particularidades de um setor cuja operação se concentra justamente em fins de semana, feriados e períodos de alta temporada.
O Sindepat defende que eventuais mudanças considerem essas características operacionais, conciliando a valorização dos trabalhadores com a manutenção dos empregos e a viabilidade econômica dos empreendimentos.
Parcerias e inteligência de mercado ganham espaço
A continuidade da gestão também deverá fortalecer a articulação institucional e os projetos de inteligência de mercado desenvolvidos pela entidade.
Nos últimos dois anos, o Sindepat ampliou sua rede de relacionamentos, com acordos de cooperação técnica firmados em 2026 com a ONU Turismo e a Embratur, além de iniciativas com o Sesc e a Abav Nacional. A entidade também iniciou seu processo de filiação à ONU Turismo.
Entre os avanços está o Termômetro Mensal de Parques e Atrações, desenvolvido em parceria com a Noctua Advisory, com indicadores voltados ao acompanhamento do desempenho do segmento.
A sustentabilidade também integra essa agenda. O Sindepat realizou seu primeiro Diagnóstico de Maturidade ESG e trabalha com a Resorts Brasil e a consultoria GKS no desenvolvimento de indicadores específicos para parques e atrações turísticas.
Uma agenda que se aproxima do setor de eventos
Embora representem segmentos distintos, parques, atrações turísticas, feiras, eventos e hospitalidade compartilham desafios relacionados à tributação, à contratação de profissionais e à operação em períodos de maior demanda.
A discussão sobre a jornada de trabalho, por exemplo, tem implicações que ultrapassam os parques turísticos. Organizadores de eventos, centros de convenções, empresas de produção e prestadores de serviços também dependem de estruturas operacionais flexíveis para atender programações noturnas, fins de semana e grandes concentrações de público.
Na esfera tributária, a necessidade de adaptação às novas regras de consumo e obrigações fiscais constitui outro ponto de aproximação entre os segmentos.
Nesse contexto, as prioridades anunciadas pelo Sindepat indicam possíveis oportunidades de convergência institucional entre entidades do turismo e da indústria de eventos, especialmente em temas que exigem previsibilidade regulatória e diálogo com o poder público.
Essa aproximação já encontra expressão em iniciativas mais amplas de representação setorial, como o movimento Vamos com Eventos e Turismo, que incluiu segurança jurídica, ambiente tributário competitivo e modernização das relações de trabalho entre suas pautas.
Conselho mantém representantes de grandes grupos do setor
Além de Mórbis, a composição para o biênio 2026–2028 mantém Sandro Fernandes, CEO do Grupo Iter, e Alessandro Cunha, CEO da Aviva, nas vice-presidências.
O Conselho de Administração reúne ainda Edilson Doubrawa, do Beto Carrero World; Yuri Benites, do Itaipu Parquetec; Renato Fensterseifer, do Alpen Park; e Lizete Ribeiro, do Grupo Tauá.
O Conselho Fiscal será integrado por Murilo Pascoal, do Beach Park; Mareli Saciloto, do Parque Unipraias; e Cícero Fiedler, do Grupo Interparques, que chega como novo integrante.
A permanência de Mórbis e de parte expressiva da liderança reforça a continuidade da agenda institucional do Sindepat, agora concentrada na adaptação regulatória, na sustentabilidade e no fortalecimento da representatividade econômica dos parques e atrações turísticas do Brasil.





