O projeto setorial Wines of Brazil confirmou a importância da China como mercado estratégico para a vitivinicultura nacional com sua participação na ProWine Shanghai 2025.
O programa é fruto de uma parceria do Instituto de Gestão, Planejamento e Desenvolvimento da Vitivinicultura do Estado do Rio Grande do Sul (Consevitis-RS), com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil).
Entre os aspectos positivos estão a geração de negócios e o posicionamento comercial alcançados na feira, de 12 a 14 de novembro, no Shanghai International Expo Center.
Durante os três dias de evento, as seis vinícolas brasileiras presentes (Aurora, Barbara Eliodora, CRS Brands, Nova Aliança, Miolo e Salton) registraram perspectivas de USD 50 mil em negócios imediatos e USD 132 mil projetados para os 12 meses seguintes.
Embora os números estejam abaixo, se comparado com o desempenho da edição anterior, o contexto macroeconômico global torna os resultados especialmente relevantes.
Segundo o gerente de promoção para o mercado externo do Consevitis-RS, Rafael Romagna, a manutenção de indicadores positivos na China demonstra resiliência das empresas brasileiras frente a um cenário de instabilidade no comércio internacional de bebidas.
“Atingir resultados positivos é bastante significativo neste momento, considerando as tendências que vão em sentido contrário em algumas categorias alcoólicas, especialmente na China onde o mercado de vinhos vem enfrentando muitos desafios”, afirma.
“A ProWine é, hoje, a principal ação de promoção do vinho brasileiro na China, e a constância da presença fortalece nossa imagem e abre novas portas para negócios”, completa.
Ainda que com tendência de queda, a China permanece como um dos maiores mercados consumidores de vinho do mundo, mesmo após a retração pós-pandemia.
O país apresenta crescimento em algumas categorias, como no segmento de vinhos importados premium, impulsionado pelo público jovem urbano e pelo avanço do e-commerce.
O projeto Wines of Brazil tem observado demanda crescente também por produtos não alcoólicos ou de baixo teor alcoólico, tendência alinhada ao suco de uva gaseificado brasileiro, já adaptado para o mercado chinês em garrafas e rótulos específicos.
“Há interesse na pluralidade dos nossos produtos, não apenas nos vinhos. O suco de uva integral e o espumante sem álcool são categorias com grande potencial”, destaca Romagna.
Embora o Brasil tenha diversificado sua oferta, o foco da estratégia de internacionalização permanece sobre os espumantes, categoria em que o país acumula reconhecimento crescente em premiações mundiais.
A campanha internacional “Enjoy the FRESH side of life” sustenta esse posicionamento, destacando o frescor, a identidade e a modernidade associados à produção nacional.
Esse foco contribui para diferenciar o Brasil de competidores tradicionais como França, Chile e Austrália, especialmente em um momento de maior seletividade do consumidor chinês.
A participação na ProWine Shanghai encerrou o calendário de promoção comercial internacional do Wines of Brazil em 2025.
No ano, o projeto marcou presença em eventos de alto impacto econômico para a cadeia produtiva, como Wine Paris, ProWein Düsseldorf, Vinexpo America e ProWine São Paulo.
Com essas iniciativas, o Wines of Brazil contabilizou USD 1,57 milhão em negócios imediatos gerados nas feiras, USD 7,80 milhões projetados para os 12 meses seguintes e 55 empresas brasileiras beneficiadas ao longo do ano.
Atualmente, o Wines of Brazil reúne 55 vinícolas associadas e inicia 2026 com foco em ampliar a presença em mercados estratégicos e fortalecer o desempenho exportador da cadeia vitivinícola brasileira.













