A ABIMAD, Associação Brasileira das Indústrias de Móveis de Alta Decoração, apresenta sua análise sobre o Salone del Mobile Milano 2026, principal evento internacional do setor.
Reconhecido como um termômetro do design global, o Salone reuniu mais de 1.900 expositores de 32 países e reforçou seu papel como plataforma principal do setor.
Nesta edição, o evento evidenciou um momento de transição importante para o design, com foco ampliado na experiência, na materialidade e na conexão emocional entre pessoas e espaços.
Segundo Paulo Mourão, presidente da ABIMAD, Milão segue como a principal referência para entender não apenas o que será tendência, mas como o design está respondendo às novas formas de viver.
“Em 2026, vimos um movimento muito claro de aprofundamento, menos sobre estética isolada e mais sobre significado, sensorialidade e função”, completa.
PRINCIPAIS MOVIMENTOS DO SALONE DEL MOBILE 2026
Entre os destaques do Salone del Mobile 2026 está a consolidação do design como experiência imersiva e multissensorial.
Instalações e lançamentos reforçaram a importância da integração entre estética, tecnologia e bem-estar, incluindo o uso do som como elemento ativo na construção dos ambientes, ampliando a percepção sensorial dos espaços.
Outro ponto relevante foi o fortalecimento do design narrativo e autoral, com peças que vão além da função e assumem papel quase arquitetônico.
Sofás, mesas e sistemas modulares aparecem como protagonistas, com formas esculturais e configurações flexíveis, refletindo a necessidade de ambientes mais adaptáveis.
“A casa contemporânea deixou de ser estática. O que vimos em Milão foi um design que acompanha a dinâmica da vida atual, com soluções versáteis, personalizáveis e cada vez mais integradas ao cotidiano.”, comenta Mourão.
A edição de 2026 também teve como eixo central a valorização dos materiais, não apenas como escolha técnica, mas como linguagem do design.
O tema “A Matter of Salone” colocou em evidência a materialidade como origem e expressão dos projetos, explorando madeira, pedra, metais, vidro e biomateriais em abordagens inovadoras e sensoriais.
Nesse contexto, observou-se um forte protagonismo de materiais naturais e táteis, como pedra, madeira e fibras, reforçando a busca por autenticidade e conexão com a natureza.
Ao mesmo tempo, o equilíbrio entre o artesanal e a tecnologia se destacou, com o resgate do fazer manual aliado a processos industriais avançados.
A sustentabilidade também se manteve como eixo central, com soluções que priorizam materiais reciclados, biomateriais e o ciclo de vida dos produtos.
Em termos cromáticos, bases neutras seguem predominantes, mas ganham novos contrastes com acentos mais vibrantes, enquanto texturas, relevos e acabamentos tridimensionais ampliam a riqueza visual e sensorial dos ambientes.
Além disso, a integração entre interior e exterior se fortalece, com soluções que incorporam elementos naturais e promovem bem-estar, reforçando o design biofílico como um dos pilares contemporâneos.
Para Paulo Mourão, “o material deixou de ser apenas suporte para se tornar protagonista do design. Existe uma valorização clara daquilo que é sensorial, durável e significativo, um caminho que também dialoga diretamente com a produção brasileira.”
SALONESATELLITE E SALONE RARITAS
Além da feira principal, a ABIMAD também destacou dois movimentos complementares que chamaram atenção em Milão neste ano: o SaloneSatellite e o estreante Salone Raritas.
Com curadoria de Marva Griffin, o SaloneSatellite apresentou projetos de jovens talentos de até 35 anos de diferentes partes do mundo, reforçando o valor do feito à mão e da produção artesanal. A cenografia expositiva foi assinada pelo Studio Bello Dias, de Ricardo Bello Dias.
“Para a ABIMAD, é sempre importante observar o que a nova geração está desenhando e pensando”, comenta Virgínia Lamarco, diretora de conteúdo do ABIMAD Hall News.
“Neste ano, o SaloneSatellite valorizou fortemente o feito à mão, algo que dialoga diretamente com as finalizações e processos das indústrias associadas”, completa.
Já o Salone Raritas marcou sua estreia no circuito propondo uma reflexão sobre o design colecionável, reunindo peças únicas, objetos conceituais e criações de forte identidade estética.
Com curadoria de Annalisa Rosso e projeto expositivo do Studio Formafantasma, o espaço trouxe ao centro da discussão a valorização de peças raras, vintage e atemporais.
“Ver peças únicas e clássicas dentro de um salão predominantemente industrial foi, no mínimo, inusitado”, conta Virgínia.
“Ao mesmo tempo, isso reflete uma valorização crescente de objetos atemporais e de forte identidade, algo que também conversa com o momento atual do design global”, conclui.
A leitura da ABIMAD reforça que o Salone aponta para um design mais consciente, integrado e emocional, no qual estética, função e experiência caminham de forma indissociável.
“Milão mostra que o futuro do mobiliário está na combinação entre inovação e identidade. Para a indústria brasileira, isso representa uma oportunidade estratégica de fortalecer o design autoral aliado à excelência produtiva.”, conclui Mourão.
