Início Eventos Sociais, Esportivos e Corporativos ABRAPE alerta sobre crescimento mais lento de empregos no setor de eventos

ABRAPE alerta sobre crescimento mais lento de empregos no setor de eventos

O setor de eventos de cultura e entretenimento deverá encerrar 2026 mantendo trajetória positiva, porém em ritmo inferior ao observado nos últimos anos.

A avaliação consta em estudo elaborado pela Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE), com base em modelos estatísticos aplicados às séries históricas do Novo CAGED e da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), além de indicadores de consumo calculados a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As projeções foram elaboradas em um momento de maior atenção por parte do setor. Os dados mais recentes do mercado de trabalho mostram perda de intensidade na geração de empregos formais ao longo de 2026, após um período de forte recuperação pós-pandemia.

“Ao mesmo tempo, as empresas enfrentam um ambiente econômico mais desafiador e passam por um processo de adaptação após o encerramento do PERSE, considerado uma das principais ferramentas de sustentação da cadeia produtiva nos últimos anos”, diz a associação.

Ainda assim, os modelos estatísticos apontam para a continuidade do crescimento da atividade econômica no segundo semestre, embora em um ritmo mais moderado e com menor margem para absorver choques econômicos ou aumentos de custos operacionais.

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No mercado de trabalho, a expectativa é que o núcleo principal das atividades de eventos gere aproximadamente 2,4 mil novos empregos formais entre julho e dezembro, encerrando o ano com um estoque (total de vagas disponíveis em um mercado de trabalho) próximo de 210 mil trabalhadores.

Já o hub, que reúne áreas como turismo, hospedagem, alimentação, publicidade, infraestrutura e serviços, deverá criar cerca de 79 mil postos adicionais, alcançando aproximadamente 4,44 milhões de vínculos formais.

Para o presidente da ABRAPE, o empresário Doreni Caramori Júnior, o cenário projetado reflete uma mudança de ciclo, com as empresas precisando se adaptar ao novo contexto econômico e ao fim do PERSE.

“O setor demonstrou força ao longo dos últimos anos, porém precisará de previsibilidade, segurança jurídica e estímulos aos investimentos para continuar gerando empregos, atraindo novos negócios e movimentando toda a sua cadeia produtiva”, salienta Doreni.

De acordo com o economista Alison Fiuza, um dos responsáveis técnicos pelo estudo, a moderação no ritmo de expansão é compatível com um mercado que já absorveu boa parte do crescimento observado nos anos anteriores.

“Os resultados sugerem que o mercado continuará ampliando seu estoque de empregos formais ao longo do segundo semestre. No entanto, esse avanço deve ocorrer em ritmo inferior ao observado nos anos anteriores”, indica Fiuza.

“A atividade continua sustentada por uma base de empregos significativamente superior à registrada após a pandemia, o que demonstra maior maturidade e capacidade de adaptação do setor”, completa.

As estimativas também apontam para a manutenção da trajetória positiva dos gastos das famílias com recreação e entretenimento.

A expectativa da entidade é que o setor movimente aproximadamente R$ 153 bilhões ao longo de 2026, sendo cerca de R$ 76 bilhões concentrados no segundo semestre.

Para o economista Leonardo Alonso, que também participou da elaboração do estudo, a manutenção do consumo continuará sendo um dos principais fatores de sustentação do ecossistema de eventos.

“Esse movimento beneficia não apenas os promotores e organizadores de eventos, mas também segmentos como hotelaria, gastronomia, turismo, transporte e diversos serviços que integram essa cadeia econômica”, finaliza.

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