A procura por ingressos para shows, festivais e eventos esportivos também tem sido acompanhada pelo crescimento de golpes virtuais.
Um levantamento realizado pela Redbelt Security identificou 778 sites falsos de venda de ingressos entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026.
As páginas reproduziam elementos visuais e características de plataformas legítimas para tentar induzir consumidores a realizar compras fraudulentas.
De acordo com o levantamento, os criminosos exploram principalmente eventos com alta procura, utilizando estratégias que criam uma percepção de urgência ou escassez.
O consumidor é direcionado a uma página que aparenta ser um canal oficial e, após realizar o pagamento, descobre que o ingresso adquirido não existe.
A prática ganha relevância em um momento de expansão do mercado de entretenimento e de aumento da demanda por grandes eventos. Além do prejuízo financeiro, a compra de ingressos em sites fraudulentos pode resultar no uso indevido de dados fornecidos durante a transação.
Para Tironi Ortiz, CEO da Imply ElevenTickets, a atenção aos canais utilizados para a compra é uma das principais formas de reduzir o risco de fraude.
“Os criminosos se aproveitam da urgência e da expectativa do público para criar páginas que se passam por canais oficiais”, afirma.
“Por isso, é fundamental verificar se a compra está sendo realizada por uma plataforma autorizada pelo evento e evitar links recebidos por fontes desconhecidas ou ofertas que pareçam boas demais para ser verdade”, completa.
Entre os cuidados recomendados estão a conferência do endereço eletrônico da página, a consulta aos canais oficiais do evento para identificar os pontos autorizados de venda e a verificação dos dados da transação antes do pagamento.
A orientação também é desconfiar de páginas com endereços semelhantes aos de plataformas conhecidas ou de ofertas muito abaixo dos valores praticados oficialmente.
A preocupação, no entanto, não se restringe aos consumidores. Para os organizadores, a existência de sites que imitam seus canais de venda pode afetar a relação com o público e gerar problemas no acesso aos eventos, especialmente quando pessoas chegam ao local com ingressos falsos.
Nesse contexto, mecanismos de validação e controle de ingressos passam a ter importância não apenas na etapa de compra, mas também no acesso ao evento.
A adoção de sistemas capazes de verificar a autenticidade dos ingressos pode contribuir para identificar tentativas de fraude e reduzir problemas na entrada.
Ortiz também destaca a importância de padrões de segurança da informação na operação das empresas que lidam com pagamentos e dados de consumidores.
Entre as referências citadas estão a ISO 27001, voltada à gestão da segurança da informação, e o padrão PCI DSS, relacionado à proteção de dados em ambientes de pagamento.
No Brasil, as operações também estão sujeitas às regras estabelecidas pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Com a digitalização da venda de ingressos, a segurança passa a envolver diferentes etapas da jornada do público, desde a identificação do canal oficial e realização do pagamento até a validação do ingresso no acesso ao evento.
Para consumidores e organizadores, a recomendação é utilizar canais reconhecidos e adotar mecanismos que dificultem a falsificação e o uso indevido dos ingressos.
Crédito da imagem: Magnific













