A indústria global de feiras e exposições segue demonstrando resiliência e capacidade de adaptação em um cenário econômico ainda marcado por incertezas.
É o que aponta a 36ª edição do Global Exhibition Barometer, estudo bienal divulgado pela UFI, associação que representa o setor de exposições em nível mundial.
Segundo o relatório, 47% das empresas entrevistadas registraram crescimento superior a 5% em suas atividades domésticas ao longo de 2025.
Para 2026, as projeções seguem positivas: 33% das companhias esperam aumento anual acima de 10% nos lucros operacionais, indicando confiança na continuidade da recuperação e da expansão do setor.
Além do desempenho financeiro, o levantamento revela uma aceleração consistente na adoção de inteligência artificial.
Atualmente, 87% das empresas do setor já utilizam algum tipo de solução baseada em IA — um avanço de quatro pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, realizada seis meses antes.
IA GANHA ESPAÇO, MAS MATURIDADE AINDA ESTÁ EM CONSTRUÇÃO
O uso de IA no setor de eventos está concentrado, principalmente, em ferramentas padrão aplicadas a processos operacionais e administrativos.
Cerca de 68% das empresas afirmam utilizar soluções genéricas, enquanto 15% já contam com ferramentas integradas aos seus sistemas internos. Apenas 4% desenvolveram algoritmos próprios baseados em dados proprietários.
Apesar da ampla adoção, a maioria das organizações ainda se encontra em fase de testes ou pesquisa. Os principais objetivos estão ligados ao aumento da eficiência operacional, à melhoria da experiência do cliente e, em menor escala, à geração direta de novas receitas por meio de produtos baseados em IA.
Formatos de eventos entram no centro do debate
Outro ponto central do relatório é a discussão sobre a evolução dos formatos de feiras e exposições. Para 37% dos respondentes, há uma necessidade clara de atualização geral dos eventos.
Outros 58% avaliam que a necessidade de mudança depende do tipo de feira ou público atendido — o que indica uma tendência de personalização crescente dos formatos.
A percepção varia conforme o perfil das empresas: cerca de 70% dos gestores de venues afirmam que a necessidade de mudança depende do evento, percentual que cai para 60% entre organizadores e 50% entre prestadores de serviços e fornecedores.
Quando questionados sobre quais melhorias são mais relevantes, os profissionais do setor apontam, de forma consistente, a interatividade e o engajamento como prioridades absolutas. Entre as principais apostas estão experiências participativas, demonstrações práticas, competições, gamificação e formatos de aprendizado mais dinâmicos, inclusive com reconhecimento formal para fins de desenvolvimento profissional.
Também aparecem como relevantes a realização de eventos sociais paralelos, a atualização do design visual das feiras (iluminação, sonorização e sinalização), mudanças no layout dos pavilhões e a criação de dias temáticos em eventos de múltiplos dias.
A presença de palestrantes de grande notoriedade, embora valorizada, é vista como um diferencial de impacto relativamente menor.
Apesar do cenário positivo, o relatório mostra que o setor segue atento a riscos macroeconômicos e geopolíticos.
No curto prazo, o principal desafio apontado pelas empresas é a situação econômica em seus mercados domésticos, seguido pelos desdobramentos da economia global e por tensões geopolíticas.
No médio prazo, a economia global assume o primeiro lugar entre as preocupações, reforçando a percepção de que o desempenho do setor de eventos está cada vez mais conectado a dinâmicas internacionais.
CENÁRIO NO BRASIL
No Brasil, o setor de feiras e exposições inicia 2025 em um cenário amplamente positivo. Segundo o levantamento, metade das empresas brasileiras do setor espera um crescimento superior a 5% na área locada ao longo do ano, enquanto 40% projetam estabilidade, indicando um mercado aquecido e em expansão.
Esse desempenho se reflete também nas receitas: 43% das empresas apontam crescimento acima de 5% na locação de espaços e 33% na venda de serviços, mantendo esses dois pilares como as principais fontes de faturamento da indústria no país.
A rentabilidade acompanha esse movimento. Em 2025, 50% das empresas brasileiras esperam aumento de mais de 10% no lucro operacional, e outras 39% preveem estabilidade, posicionando o Brasil entre os mercados com melhor desempenho financeiro dentro do estudo.
Para 2026, embora o otimismo permaneça, o setor adota uma postura mais conservadora: cresce a expectativa de estabilidade tanto em área locada quanto em resultados, sinalizando um período de consolidação após o avanço registrado em 2025.
No campo operacional, a cautela também se reflete na gestão de pessoas. A maioria das empresas (76%) pretende manter o quadro atual de funcionários, enquanto apenas 24% planejam contratar, reforçando uma estratégia focada em eficiência e produtividade, e não em expansão acelerada de estruturas.
Entre os principais desafios apontados pelas empresas brasileiras estão a situação da economia doméstica, o cenário econômico global e as incertezas geopolíticas, que aparecem como as maiores preocupações tanto no curto quanto no médio prazo.
O estudo também mostra um avanço relevante no uso de inteligência artificial no setor brasileiro.
Cerca de 60% das empresas já utilizam ferramentas padrão de IA de forma recorrente, enquanto 20% têm soluções integradas a seus sistemas e 15% desenvolveram algoritmos próprios.
Apesar desse avanço, a aplicação da IA ainda está concentrada principalmente na melhoria de processos e eficiência operacional, com a geração direta de novas receitas sendo apontada como uma fronteira ainda pouco explorada.
Por fim, o levantamento indica que o setor brasileiro reconhece a necessidade de evolução nos formatos dos eventos.
Embora 63% afirmem que essa necessidade depende do tipo de feira ou exposição, há consenso de que a experiência do participante deve ganhar centralidade, com maior foco em interatividade, engajamento e formatos mais dinâmicos, em detrimento de modelos excessivamente tradicionais.
ESCOPO GLOBAL DA PESQUISA
Concluído em dezembro de 2025, o estudo reúne dados de 378 empresas em 57 países e regiões. A edição inclui análises específicas de 19 mercados estratégicos — entre eles Brasil, Estados Unidos, China, Alemanha, França e Reino Unido — além de cinco regiões agregadas.
Os resultados também são segmentados por tipo de atuação: organizadores, centros de eventos e fornecedores.
O relatório completo está disponível para download clicando aqui. A próxima edição do Global Exhibition Barometer está prevista para junho de 2026.
