O mercado global de feiras e eventos de negócios continua a demonstrar uma sólida capacidade de adaptação diante de instabilidades geopolíticas e oscilações macroeconômicas.
Conforme revelam os dados consolidados da 37ª edição do relatório global da UFI (Associação Global da Indústria de Exposições), mais de um quarto das empresas do setor (27%) planeja obter um incremento anual superior a 5% em suas receitas líquidas, enquanto uma parcela majoritária de 38% prevê faturamento estável para os próximos meses.
O levantamento estatístico detalha que as recentes turbulências no Oriente Médio apresentaram reflexos comerciais localizados, sem gerar o temido efeito cascata nas cadeias produtivas globais.
Fora do eixo geográfico dos países membros do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), cerca de 90% das companhias pesquisadas declararam que os impactos operacionais foram nulos ou estritamente moderados.
No epicentro regional da crise, onde 55% dos negócios relataram perdas acentuadas decorrentes do adiamento de calendários e da menor adesão de expositores, o cenário já aponta para trajetórias de reestruturação.
“Os indicadores sinalizam que não há evidências concretas de desdobramentos negativos sistêmicos fora do Golfo Pérsico, e as tendências de alta persistem globalmente”, afirmou Chris Skeith OBE, diretor-executivo e CEO da UFI.
“Dentro da região afetada, embora o impacto seja perfeitamente compreensível, observamos uma evolução favorável desde o fechamento da coleta de dados, o que nos dá segurança de que o segmento retomará o ritmo rapidamente”, completou.
ECONOMIAS DOMÉSTICAS GERAM MAIOR CAUTELA FINANCEIRA
Se por um lado os conflitos regionais não paralisaram a atividade internacional, por outro, a conjuntura econômica interna de cada nação desponta como o principal fator de fricção no curto prazo.
Para 19% dos executivos ouvidos, o estado financeiro dos mercados domésticos constitui o maior desafio corporativo imediato — uma preocupação majoritária em quase todas as regiões do planeta, com exceção da Europa e do bloco que reúne o Oriente Médio e a África, áreas onde os entraves puramente geopolíticos lideram a agenda de riscos.
Para o planejamento estratégico de médio prazo, contudo, a ordem das prioridades sofre uma leve alteração. A evolução econômica global passa a ocupar o topo das preocupações operacionais (18%), seguida diretamente pelas ameaças geopolíticas gerais (15%) e pela situação de mercado das sedes nacionais das corporações (13%).
Essa postura mais comedida dos tomadores de decisão é nítida nas estimativas de rentabilidade líquida para o próximo ano.
Embora os lucros operacionais tenham se mostrado bastante robustos no último balanço — com 37% das empresas registrando expansões acima de 10% —, as projeções para os trimestres seguintes se mostram conservadoras: a grande maioria (54%) aposta na manutenção dos patamares vigentes, e apenas 19% mantêm a perspectiva de um salto de dois dígitos nos rendimentos.
MODERNIZAÇÃO DE PROCESSOS GANHA CAPILARIDADE
Em paralelo aos ajustes macroeconômicos, o setor acelera sua infraestrutura digital. Atualmente, 91% das organizações que atuam na cadeia de exposições declaram utilizar recursos tecnológicos automatizados e modelagens de dados em suas rotinas — representando uma expansão de quatro pontos percentuais em relação aos dados computados no semestre anterior.
A segmentação do uso tecnológico indica que 70% das corporações operam ferramentas padronizadas de mercado, enquanto 17% já contam com soluções integradas diretamente aos seus sistemas de gestão e 4% desenvolveram algoritmos proprietários baseados em bancos de dados internos.
O foco central dos investimentos atuais reside no aumento da eficiência operacional interna (citada por 62% dos que utilizam ou testam tais inovações) e no aprimoramento da experiência do cliente final (53%).
O mapeamento macroeconômico foi estruturado a partir de dados fornecidos por 466 empresas distribuídas por 59 países e regiões administrativas.
O estudo detalha o desempenho de 20 mercados focais, incluindo economias latino-americanas como Brasil, Argentina e Colômbia, além de polos como Estados Unidos, China, Alemanha, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos.
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