Gerir a logística de um evento com a magnitude de uma pequena cidade — 800 mil pessoas, 350 mil motos e operação ininterrupta por 10 dias — impõe desafios complexos à indústria do entretenimento.
No entanto, a trajetória do Capital Moto Week (CMW) em Brasília demonstra que a transição para o modelo Lixo Zero é viável por meio de planejamento estratégico de longo prazo.
O festival, que conquistou pelo quarto ano consecutivo a certificação da Zero Waste International Alliance, elevou seu índice de desvio de resíduos de aterros sanitários de apenas 5% em 2017 para mais de 90% nas edições recentes.
Para os profissionais do setor, o caso do CMW serve como um guia prático de viabilidade operacional e financeira na gestão de grandes públicos.
Juliana Jacinto, CEO do festival, ressalta que o avanço sustentável depende de um processo incremental e de decisões tomadas ainda na fase conceitual do projeto.
No CMW, a sustentabilidade integra o desenho do festival ao longo de 11 meses de planejamento, influenciando diretamente a escolha de fornecedores, a seleção de materiais e o desenho da cadeia logística.
Uma das principais viradas operacionais do evento foi a inclusão de cooperativas de catadores no núcleo do processo de triagem qualificada, transformando o manejo de resíduos em uma etapa geradora de renda e eficiência técnica.
Sob a premissa de que o resíduo deve ser tratado como recurso, o festival estruturou fluxos em que a matéria orgânica é direcionada para a compostagem e os recicláveis retornam ao ciclo produtivo, reduzindo custos de descarte e criando ativos econômicos.
Na linha de frente da operação, a substituição de plásticos de uso único por copos retornáveis e embalagens 100% compostáveis em todas as frentes de alimentação mitigou significativamente o volume de rejeitos.
O engajamento do público é estimulado por meio de sinalização clara e incentivos financeiros, como descontos atrelados à entrega de resíduos.
Para assegurar a conformidade de ponta a ponta, o festival adota a inclusão de metas ESG e diretrizes ambientais rígidas diretamente nos contratos de prestação de serviços de fornecedores e parceiros comerciais.
Além do gerenciamento de resíduos, o CMW estendeu sua atuação climática ao adotar uma política de carbono positivo, adquirindo créditos que superam o volume total de emissões geradas pelo evento.
A iniciativa se expande para além do perímetro do festival através de programas externos, como a coleta de lixo eletrônico em comunidades do entorno de Brasília, gerando impacto socioambiental e inclusão produtiva.
Kadmo Côrtes, vice-presidente do Instituto Lixo Zero Brasil (ILZB), aponta que o modelo do Capital Moto Week estabelece um novo padrão replicável para o mercado brasileiro de eventos de massa, provando que iniciativas de sustentabilidade ganham eficiência quando integradas à escala de mercado.
A próxima edição do Capital Moto Week ocorre entre os dias 23 de julho e 1 de agosto de 2026, em Brasília.
Em um complexo de 400 mil m², o evento conciliará sua infraestrutura de entretenimento — que inclui cinco palcos e atrações como Nazareth, Eagle-Eye Cherry e Barão Vermelho — com a manutenção dos compromissos de neutralidade de carbono e certificação Lixo Zero.
SERVIÇO:
Data: 23 de julho a 01 de agosto de 2026
Site oficial: www.capitalmotoweek.com.br
