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CentroSul: concessão de R$ 31,5 milhões coloca gestão privada de venues em evidência

Com ágio de 90,9% no leilão realizado na B3, empresa DMDL vence disputa para operar o centro de convenções de Florianópolis por 35 anos. Projeto prevê R$ 53,4 milhões em investimentos e reacende o debate sobre modernização e competitividade dos equipamentos públicos de eventos.

CentroSul: concessão de R$ 31,5 milhões coloca gestão privada de venues em evidência

O leilão de concessão do CentroSul vencido pela DMDL Ltda. com uma proposta de R$ 31,5 milhões, deve colocar o venue na lsita dos principais equipamentos de eventos do país. 

A disputa na B3, em São Paulo, teve 144 lances e terminou com uma diferença de apenas R$ 100 mil entre os concorrentes. A oferta vencedora representou ágio de 90,91% sobre o valor mínimo de R$ 16,5 milhões. O Consórcio Floripa Eventos ficou em segundo lugar, com R$ 31,4 milhões.

Mais do que o resultado financeiro, a operação coloca em evidência uma questão estratégica para a indústria brasileira de eventos: como modernizar centros de convenções públicos, ampliar sua competitividade e garantir capacidade de investimento sem comprometer a continuidade das operações.

O que muda no CentroSul

O contrato previsto para 35 anos transfere à futura concessionária a responsabilidade pela gestão privada, operação e exploração comercial do equipamento.

O projeto contempla aproximadamente R$ 53,4 milhões em investimentos, com intervenções previstas nos primeiros seis anos da concessão. Entre as melhorias anunciadas estão ampliação e modernização dos espaços, revitalização da infraestrutura, acessibilidade, obras de drenagem e novos acessos para pedestres.

O plano também prevê áreas de convivência e uma galeria gastronômica, criando oportunidades de utilização do complexo para além do calendário tradicional de congressos, feiras e convenções.

A proposta amplia a discussão sobre o papel dos centros de convenções no desenvolvimento urbano. Em vez de estruturas utilizadas predominantemente durante grandes eventos, esses equipamentos podem incorporar atividades comerciais e serviços capazes de gerar movimento e receitas ao longo do ano.

Para Florianópolis, cidade que combina turismo, tecnologia e negócios, essa integração tem relevância particular.

Uma operadora que já conhece o modelo

A DMDL não chega ao segmento de concessões de venues como estreante. O grupo também está à frente do Centro de Convenções de Teresina, no Piauí, por meio de uma concessão de 20 anos voltada à modernização e operação do equipamento.

A experiência oferece uma referência concreta para avaliar o histórico da empresa. Ainda assim, os resultados da nova operação dependerão da execução dos investimentos, da estratégia comercial e da capacidade de posicionar o CentroSul na disputa por eventos nacionais e internacionais.

Segundo a Prefeitura, o projeto pretende transformar o centro em uma estrutura mais moderna e integrada à cidade.

O prefeito Topázio Neto classificou o resultado como o início de uma nova fase, destacando o potencial de atrair grandes eventos, movimentar o turismo e ampliar a utilização do espaço pela população.

Por que importa para o mercado MICE

O leilão do CentroSul vai além de uma mudança de operador. Ele oferece um caso concreto para acompanhar a evolução dos modelos de gestão dos equipamentos públicos de eventos no Brasil.

Para organizadores de feiras, congressos e convenções, o que efetivamente importa é a capacidade de entrega: infraestrutura adequada, previsibilidade operacional, qualidade dos serviços e condições comerciais competitivas.

Para o poder público, o desafio é assegurar que compromissos de investimento e manutenção se traduzam em melhorias reais, acompanhadas de mecanismos de fiscalização e indicadores de desempenho.

Já para a concessionária, a equação envolve conciliar o retorno econômico de um contrato de longo prazo com a necessidade de manter o venue comercialmente relevante em um mercado cada vez mais competitivo.

A outorga elevada demonstra o interesse dos participantes da disputa pelo ativo, mas não representa, por si só, garantia de maior ocupação ou de sucesso operacional.

A transição será o primeiro teste

A documentação da DMDL foi analisada e sua habilitação confirmada pela Prefeitura em 28 de setembro. A expectativa anunciada é que a nova concessionária inicie a operação em 1º de janeiro de 2027, após a conclusão dos trâmites administrativos e a formalização contratual.

Ainda há pontos relevantes a esclarecer, especialmente o cronograma de execução das obras, as medidas para preservar os eventos já contratados e a forma como as intervenções poderão afetar a capacidade de operação do complexo.

São questões decisivas para organizadores que trabalham com planejamento de médio e longo prazo e dependem da previsibilidade dos espaços contratados.

O CentroSul terá 35 anos para demonstrar os resultados do novo modelo. Para o mercado MICE, porém, os primeiros sinais aparecerão muito antes: na qualidade da transição, no cumprimento dos investimentos e na capacidade de transformar a modernização prometida em vantagem competitiva.

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Portal Radar

Conteúdo publicado pela equipe editorial do Portal Radar.

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