Início Eventos Sociais, Esportivos e Corporativos Desafios de maturidade da cadeia produtiva do setor de eventos

Desafios de maturidade da cadeia produtiva do setor de eventos

POR PAULO PASSOS

O setor de eventos no Brasil percorreu, nas últimas décadas, um caminho intenso. Quem acompanha essa trajetória de perto viu o mercado ganhar escala, visibilidade e relevância econômica, ao mesmo tempo em que assumiu níveis crescentes de complexidade operacional.

 Hoje, eventos movimentam cidades, ativam cadeias produtivas extensas e geram milhares de postos de trabalho diretos e indiretos. Esse crescimento é real, concreto e mensurável.

 O desafio aqui proposto é entender se, junto com ele, amadurecemos como setor na mesma proporção. Será?

 No início, o setor de eventos operou com estruturas informais e forte dependência do improviso. Era um mercado menor, menos regulado e com menor exposição a riscos jurídicos, operacionais e reputacionais.

Anúncio

 Com o tempo, surgiram novos espaços, novos formatos de eventos, empresas mais especializadas e uma ampliação significativa da cadeia de fornecedores e atuação de grandes grupos internacionais no Brasil.

 A profissionalização avançou, investimentos foram feitos e o setor passou a ocupar um espaço mais claro na economia e nas políticas públicas.

 Essa evolução foi importante e necessária, mas será que aconteceu de forma homogênea em toda a cadeia produtiva?

 Crescer em volume é consequência de demanda. Maturidade operacional é resultado de escolha que se manifesta na forma como os eventos são planejados, nos cronogramas de montagem e desmontagem, na integração entre as equipes, nos investimentos realizados, no respeito às normas técnicas e na atenção às condições de trabalho.

 Ainda é comum ver eventos pensados a partir das datas disponíveis, sem necessariamente ajustar todo o restante. Quando isso acontece, a operação vira o espaço onde se compensam falhas de planejamento. E esse modelo tem limites claros, especialmente quando falamos de segurança, custos e sustentabilidade.

 Eventos não são produtos isolados; são sistemas complexos que dependem da integração entre organizadores, venues, empresas de cenografia, montadoras de estandes, fornecedores técnicos, equipes operacionais, prestadores de serviços, poder público, entidades representativas e, claro, patrocinadores, expositores e o público visitante ou participantes de cada evento

 Quando essa engrenagem funciona de forma coordenada, o evento flui. Quando não, o problema aparece primeiro na montagem. É ali que o planejamento se materializa ou se revela insuficiente.

 Avançamos em escala, diversidade de formatos e capacidade de realização. O setor de eventos brasileiro demonstra criatividade, resiliência e competência técnica para entregar eventos cada vez mais complexos.

 A fragilidade, quando existe, permanece na base: prazos incompatíveis com a complexidade dos projetos, dificuldade de integração entre estratégia e execução e uma cultura que ainda tolera o improviso como regra.  

Isso, sem falar de empresas que dão ao custo, o poder de decisão, sacrificando qualidade e segurança.

Priorizar o menor custo na contratação, é deixar em segundo plano a capacidade e infraestrutura do fornecedor.

 Enquanto essas fragilidades não forem enfrentadas de forma estruturada, seguiremos transferindo riscos para a operação e para as pessoas que sustentam o evento no dia a dia.

 Amadurecer como setor exige decisões objetivas. Exige tratar os eventos como projetos completos, do conceito à desmontagem. Exige prazos viáveis, investimento em infraestrutura, capacitação de mão de obra, respeito às normas técnicas e valorização das equipes que operam no chão de cada evento.

 Exige, também, diálogo qualificado entre os diferentes agentes da cadeia e atuação consistente das entidades representativas na construção de boas práticas.

 Mais do que crescer, o setor de eventos precisa crescer melhor. Subir a régua não é apenas um discurso. É uma necessidade para garantir segurança, sustentabilidade e longevidade a uma cadeia produtiva que já provou sua relevância econômica e social.

*Paulo Passos é consultor, palestrante e Diretor executivo da ABRACE – Associação Brasileira de Cenografia e Estandes.

Portal Radar
Privacy Overview

Utilizamos cookies para oferecer melhor experiência, melhorar o desempenho, analisar como você interage em nosso site e personalizar conteúdo.