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A Nova Economia dos Eventos

Eventos corporativos são mais que turismo: Reino Unido defende nova estratégia para o setor

Proposta britânica busca reconhecer feiras, congressos e encontros empresariais como instrumentos de promoção comercial, inovação e desenvolvimento econômico. Debate também ganha relevância para o Brasil

Eventos corporativos são mais que turismo: Reino Unido defende nova estratégia para o setor

Os eventos corporativos movimentam hotéis, restaurantes e transportes. Entretanto, sua importância econômica vai muito além do turismo. Feiras de negócios, congressos e encontros empresariais também abrem mercados, aproximam compradores e fornecedores e estimulam a inovação.

Essa diferença entre os impactos turísticos e a finalidade comercial dos eventos está no centro de uma discussão que ganhou força no Reino Unido.

Em 20 de outubro de 2026, a Events Industry Alliance (EIA), entidade representativa da indústria britânica de exposições, reforçou sua defesa de uma estratégia nacional específica para eventos de negócios.

A proposta busca aproximar o setor das políticas de comércio e desenvolvimento industrial, reconhecendo sua contribuição para a competitividade das empresas e para o crescimento econômico.

Eventos corporativos como instrumentos de desenvolvimento econômico

A mobilização da EIA ganhou respaldo institucional em julho de 2026, quando a Comissão de Cultura, Mídia e Esporte da Câmara dos Comuns publicou um relatório sobre a situação dos eventos de negócios no Reino Unido.

Segundo o documento, o segmento contribui com aproximadamente £33,6 bilhões anuais para a economia britânica, além de sustentar centenas de milhares de empregos.

O relatório também destacou o papel das feiras e conferências na promoção comercial, na inovação e na construção de relacionamentos empresariais duradouros.

Apesar desses resultados, os parlamentares identificaram dificuldades relacionadas à coordenação governamental, ao financiamento e à ausência de uma estratégia nacional de longo prazo.

Entre as recomendações, a comissão propôs uma política independente para eventos de negócios, alinhada à estratégia industrial britânica.

Também defendeu a transferência da responsabilidade governamental pelo segmento para a área de negócios e comércio, além da criação de um conselho nacional com representantes da indústria.

O objetivo seria ampliar o reconhecimento dos eventos empresariais como ferramentas de desenvolvimento econômico, e não apenas como atividades associadas à movimentação turística.

Governo britânico reconhece importância, mas mantém estratégia integrada

Em setembro de 2026, o governo britânico respondeu oficialmente às recomendações parlamentares.

Embora tenha reconhecido a contribuição dos eventos de negócios para o comércio, os investimentos e a inovação, não acolheu integralmente a proposta de criar uma estratégia nacional independente.

Em vez disso, informou que pretende incorporar o segmento a uma política mais ampla de grandes eventos, com lançamento previsto para 2027.

A decisão evidencia duas perspectivas sobre o posicionamento institucional do setor.

De um lado, representantes da indústria defendem maior autonomia e políticas específicas para os eventos empresariais. De outro, o governo considera que uma estratégia integrada pode reunir objetivos comuns às atividades corporativas, culturais, esportivas e turísticas.

Por que eventos corporativos não devem ser avaliados apenas pelo turismo?

Uma feira industrial pode receber milhares de visitantes, gerar hospedagens e movimentar restaurantes. No entanto, seu principal objetivo pode ser apresentar máquinas, negociar contratos de fornecimento ou conquistar novos mercados.

Da mesma forma, um congresso científico pode estimular a atividade turística de uma cidade. Mas também promove intercâmbio de conhecimento, cooperação entre instituições e desenvolvimento tecnológico.

Nesses casos, o deslocamento dos participantes é consequência de uma atividade empresarial, científica ou comercial, e não necessariamente sua finalidade principal.

Essa distinção ajuda a compreender por que os eventos corporativos possuem funções econômicas que ultrapassam os indicadores tradicionais do turismo.

O debate não propõe desconsiderar a importância dos destinos e de sua infraestrutura. A questão é reconhecer que determinadas modalidades de eventos também se relacionam diretamente às políticas de indústria, comércio exterior, ciência e tecnologia.

Brasil também utiliza eventos como ferramentas de promoção comercial

No Brasil, o turismo de negócios e eventos possui representação institucional no Ministério do Turismo.

Em julho de 2025, o Conselho Nacional de Turismo instituiu a Câmara Temática de Turismo de Eventos, com caráter permanente.

O colegiado atua na discussão de temas relacionados a congressos, feiras, eventos corporativos, viagens de incentivo e geração de negócios internacionais.

Ao mesmo tempo, o país já utiliza feiras e encontros empresariais em suas políticas de promoção comercial.

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), por exemplo, desenvolve ações que incluem feiras internacionais, missões empresariais e rodadas de negócios para aproximar empresas brasileiras de compradores estrangeiros.

Essas iniciativas demonstram que os eventos também podem funcionar como instrumentos de internacionalização e desenvolvimento produtivo.

Portanto, o desafio brasileiro não está necessariamente em retirar os eventos das políticas de turismo, mas em fortalecer sua articulação com as áreas de indústria, comércio e desenvolvimento econômico.

Uma nova perspectiva para a economia dos eventos

A discussão britânica oferece uma oportunidade para ampliar o debate sobre o reconhecimento econômico dos eventos corporativos no Brasil.

Indicadores como fluxo de visitantes, ocupação hoteleira e movimentação de serviços continuam relevantes. Entretanto, eles não revelam integralmente os resultados comerciais e estratégicos que podem surgir desses encontros.

Uma feira pode movimentar a economia de uma cidade durante alguns dias. Já os contratos, as parcerias e as oportunidades comerciais iniciadas naquele ambiente podem produzir resultados durante meses ou anos.

Por isso, o reconhecimento dos eventos de negócios exige uma análise que considere tanto sua cadeia produtiva quanto sua contribuição para outros setores econômicos.

O turismo é parte importante da economia dos eventos. Mas não é a única dimensão que deve orientar seu reconhecimento e suas políticas de desenvolvimento.


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Esta é a primeira reportagem da série especial A Nova Economia dos Eventos, do Portal Radar. No próximo capítulo, o foco será o papel das feiras de negócios como instrumentos de promoção comercial e ampliação das exportações brasileiras. 

Autor

Portal Radar

Conteúdo publicado pela equipe editorial do Portal Radar.

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