Eventos e hotelaria ajudam a revelar um mapa importante da atividade econômica nos destinos brasileiros. Em junho de 2026, enquanto a ocupação hoteleira nacional recuou 1,2%, cidades com forte dinâmica de negócios registraram avanços expressivos na diária média e no RevPAR, indicador que mede a receita por apartamento disponível.
Os dados fazem parte da 227ª edição do InFOHB, informativo mensal do Fórum de Operadores Hoteleiros do Brasil (FOHB). O levantamento analisou 573 hotéis de redes associadas, responsáveis por 90.967 unidades habitacionais.
No consolidado nacional, a taxa de ocupação caiu 1,2% em comparação com junho de 2025. Em contrapartida, a diária média avançou 2,4% e o RevPAR cresceu 1,2%.
O cenário mostra uma hotelaria que avançou mais em valor do que em volume: mesmo com menor ocupação média, os hotéis conseguiram ampliar a receita gerada pelas tarifas.
Para o mercado de eventos, os números oferecem uma camada adicional de análise. Embora o InFOHB não meça diretamente o impacto de feiras, congressos e convenções, o cruzamento dos indicadores hoteleiros com os calendários locais pode ajudar a identificar períodos de maior pressão de demanda e oportunidades econômicas nos destinos.
Eventos e hotelaria: Curitiba lidera avanço do RevPAR
Entre os municípios monitorados, Curitiba apresentou um dos resultados mais expressivos de junho.
A capital paranaense registrou crescimento de 5,2% na ocupação, alta de 18,2% na diária média e avanço de 24,4% no RevPAR.
O desempenho colocou Curitiba no topo do crescimento do RevPAR entre as cidades analisadas e reforça a relevância econômica de destinos capazes de combinar turismo corporativo, negócios e eventos ao longo do calendário.
Porto Alegre também se destacou. A ocupação cresceu 9,3%, enquanto a diária média avançou 12,6% e o RevPAR subiu 23,2%.
Junho coincidiu com uma agenda relevante de encontros na capital gaúcha, incluindo o Congress on Brain, Behavior and Emotions, realizado entre 3 e 6 de junho de 2026.
Os dados, isoladamente, não permitem atribuir o desempenho hoteleiro a um único congresso. Ainda assim, o exemplo mostra como eventos de grande porte podem integrar o conjunto de fatores que ampliam a demanda por hospedagem em determinados períodos.
Vitória também apareceu entre os destaques, com crescimento de 17,7% no RevPAR.
Os resultados indicam que a valorização da hotelaria não está restrita aos maiores mercados do país. Destinos de diferentes portes podem capturar ganhos relevantes quando conseguem combinar demanda corporativa, conectividade, infraestrutura e um calendário consistente de eventos.
São Paulo mostra que agenda cheia não garante maior ocupação
Mesmo com uma agenda intensa de negócios e grandes eventos em junho, a capital registrou queda de 2,7% na ocupação, retração de 0,2% na diária média e redução de 2,9% no RevPAR.
Entre os grandes encontros realizados no período esteve a ABF Franchising Expo, entre 24 e 27 de junho, no Expo Center Norte.
O desempenho mostra que a presença de eventos relevantes não se traduz automaticamente em crescimento médio para toda a hotelaria de uma cidade.
São Paulo reúne uma ampla oferta de hospedagem, diferentes polos de eventos e demanda distribuída por várias regiões. Dessa forma, grandes feiras podem gerar picos importantes em determinados bairros, categorias de hotéis e períodos sem necessariamente elevar a média mensal de todo o município.
A leitura reforça um ponto estratégico na relação entre eventos e hotelaria: mais importante do que apenas contar quantos eventos uma cidade recebe é analisar porte, público, duração, localização, simultaneidade e capacidade de geração de pernoites.
Belém enfrenta o desafio econômico do período pós-COP30
Belém apresentou o resultado mais negativo entre os municípios analisados em junho. A taxa de ocupação caiu 17,4%, a diária média recuou 7,2% e o RevPAR registrou retração de 23,4%.
A análise exige atenção ao contexto. A COP30 foi realizada em Belém entre 10 e 21 de novembro de 2025, cerca de sete meses antes dos dados de junho de 2026. A cidade passou por um ciclo intenso de preparação e ampliação de sua estrutura de recepção associado ao megaevento.
No período pós-COP30, o desafio econômico passa a ser transformar infraestrutura, visibilidade internacional e capacidade instalada em fluxo recorrente de visitantes.
Os números de junho, isoladamente, não permitem afirmar que a queda do RevPAR tenha sido provocada pelo aumento da oferta de hospedagem.
No entanto, eles reforçam uma questão estratégica: como ocupar de forma sustentável a capacidade criada ou ampliada para um megaevento depois que o pico extraordinário de demanda termina?
Nesse cenário, uma programação contínua de congressos, feiras, convenções, encontros corporativos e eventos culturais pode contribuir para reduzir a sazonalidade e estimular novos ciclos de visitação.
Sul lidera desempenho regional da hotelaria
O recorte regional também revelou diferenças importantes no desempenho da hotelaria brasileira em junho.
O Sul apresentou o melhor resultado, com crescimento de 4,8% na ocupação, alta de 8,9% na diária média e avanço de 14% no RevPAR.
O Nordeste também teve desempenho positivo, com crescimento de 6% no RevPAR.
Na direção oposta, o Norte registrou retração de 9,6% na ocupação e queda de 11,6% no RevPAR. O Sudeste apresentou redução de 1,4% no indicador, enquanto o Centro-Oeste avançou 4,4%.
Os números mostram que a hotelaria brasileira opera em ritmos distintos.
Sazonalidade, viagens corporativas, lazer, conectividade aérea, calendário de eventos e características da oferta local se combinam de maneira diferente em cada região.
Hotéis econômicos e midscale sustentam crescimento da receita
A análise por categoria acrescenta outra dimensão ao desempenho do setor. Os segmentos Econômico e Midscale registraram queda na ocupação, mas conseguiram ampliar a receita por apartamento disponível.
No segmento Econômico, o RevPAR cresceu 2,1%. No Midscale, a alta foi de 3,3%. Já o segmento Upscale recuou nos três principais indicadores: queda de 2,1% na ocupação, de 2,7% na diária média e de 4,8% no RevPAR.
Os números sugerem maior resiliência das categorias utilizadas por diferentes perfis de viajantes, incluindo parte relevante do mercado corporativo.
Ainda assim, a relação não deve ser interpretada de forma automática. O desempenho depende do perfil de demanda de cada destino, da estratégia tarifária e do mix de hóspedes.
Primeiro semestre confirma crescimento puxado por receita
No acumulado de janeiro a junho de 2026, a hotelaria brasileira manteve trajetória positiva.
A taxa de ocupação cresceu 0,7%, enquanto a diária média avançou 5,7% e o RevPAR subiu 6,5% em comparação com o mesmo período de 2025.
A análise acumulada considerou 547 hotéis, responsáveis por 86.369 unidades habitacionais.
Mais uma vez, o crescimento da receita ficou significativamente acima do avanço da ocupação.
Para hotéis, organizadores de eventos e gestores de destinos, o resultado reforça a importância de compreender não apenas quantas pessoas viajam, mas também quando viajam, quanto tempo permanecem e quais períodos concentram maior disposição de pagamento.
É justamente nesse ponto que a integração entre eventos e hotelaria ganha valor estratégico.
Calendário de eventos pode virar ferramenta de inteligência econômica
Os indicadores do InFOHB não constituem um levantamento sobre o mercado de eventos. No entanto, quando analisados em conjunto com calendários de feiras, congressos, convenções e grandes encontros, podem oferecer uma camada adicional de inteligência econômica sobre os destinos.
Um pico de ocupação ou de diária média não prova, sozinho, o impacto de determinado evento. Da mesma forma, uma queda mensal não significa necessariamente ausência de uma agenda relevante.
O cruzamento sistemático das informações, porém, permite formular perguntas mais precisas.
Quais eventos realmente geram pernoites? Quais períodos concentram maior pressão sobre as tarifas? Onde estão os grandes intervalos de baixa demanda? Quais segmentos atraem visitantes de outras cidades e aumentam o tempo de permanência? Como distribuir melhor o calendário para reduzir os vales de ocupação?
As respostas interessam a hotéis, centros de convenções, organizadores, entidades empresariais e gestores públicos.
O principal sinal dos dados de junho é justamente esse: eventos e hotelaria precisam ser analisados como partes de uma mesma engrenagem econômica.
O setor de eventos movimenta demanda em diferentes elos da cadeia de turismo, transporte, alimentação e serviços. A hotelaria, por sua vez, produz indicadores frequentes e comparáveis que ajudam a enxergar parte desse movimento.
Quando calendários de eventos e dados de hospedagem passam a ser analisados em conjunto, os destinos deixam de apenas contar eventos e avançam na compreensão da economia que esses encontros ajudam a movimentar.
| Indicador Brasil | Jun/2025 | Jun/2026 | Variação |
|---|
| Taxa de ocupação | 60,40% | 59,69% | -1,2% |
| Diária média | R$ 411,62 | R$ 421,53 | +2,4% |
| RevPAR | R$ 248,63 | R$ 251,60 | +1,2% |
Destaques positivos de RevPAR: Curitiba +24,4% · Porto Alegre +23,2% · Vitória +17,7%
Destaques negativos de RevPAR: Belém -23,4% · Belo Horizonte -9,4% · Manaus -5,4%
RevPAR por região em junho: Sul +14% · Nordeste +6% · Centro-Oeste +4,4% · Sudeste -1,4% · Norte -11,6%
Acumulado de janeiro a junho de 2026: ocupação +0,7% · diária média +5,7% · RevPAR +6,5%
Amostra de junho: 573 hotéis de redes associadas, com 90.967 unidades habitacionais.













