A crescente presença feminina na construção civil será um dos temas em destaque da FEICON – Feira Internacional da Construção Civil, que acontece entre os dias 7 e 10 de abril de 2026.
O evento, considerado o maior do setor na América Latina, abre espaço para discutir os avanços, desafios e perspectivas da participação das mulheres em um mercado historicamente dominado por homens.
O debate ganha relevância diante de indicadores que mostram a expansão consistente da presença feminina no setor.
Dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (Confea) apontam que o número de mulheres registradas nas áreas de engenharia e agronomia cresceu 36% nos últimos cinco anos, superando o ritmo de crescimento dos registros masculinos no mesmo período.
No mercado de trabalho, a tendência também é de avanço. Informações do Sinduscon-SP e de painéis do Ministério do Trabalho e Emprego indicam que a presença feminina com carteira assinada na construção civil aumentou 184% desde 2006.
Apenas em 2023, 20,2% das mais de 110 mil vagas formais criadas no setor foram ocupadas por mulheres, percentual superior ao registrado em anos anteriores.
Atualmente, elas representam cerca de 20% dos profissionais registrados no Confea, o equivalente a mais de 240 mil engenheiras e especialistas.
Em São Paulo, são aproximadamente 54 mil profissionais registradas, cerca de 16% do total.
Para Lígia Mackey, presidente do Crea-SP e primeira mulher a ocupar o cargo em 90 anos da instituição, os números indicam uma mudança relevante, embora ainda distante do potencial feminino no setor.
“Ter mais de 54 mil mulheres registradas no Crea-SP é um marco que reflete a ocupação gradual de espaços que sempre foram nossos por direito, mas que historicamente eram compostos por homens”, afirma.
Segundo ela, a expansão recente revela uma transformação estrutural, mas que ainda exige políticas voltadas à permanência e à ascensão profissional.
“Nos últimos cinco anos, o crescimento dos registros de mulheres foi de 36%, enquanto o de homens foi de 24%. Ainda assim, há espaço para avançar muito mais diante do potencial feminino na engenharia”, conclui Lígia.
DEBATE GANHA VISIBILIDADE NO SETOR
A ampliação da presença feminina também começa a se refletir em espaços de discussão e representação dentro da própria cadeia da construção civil.
Na FEICON, o tema estará presente em painéis da Feiconference, que reúne especialistas e lideranças para discutir tendências e desafios do setor.
Entre as vozes que participam desse debate está a engenheira Iza Valadão, embaixadora da FEICON e produtora de conteúdo digital voltado ao setor da construção.
Para ela, a transformação já é perceptível especialmente na formação das novas gerações de profissionais.
“Vejo esse crescimento de forma muito concreta, principalmente nas universidades. A presença feminina nos cursos de Engenharia Civil e Arquitetura tem aumentado significativamente”, afirma.
Apesar do avanço, Iza destaca que o desafio agora é consolidar essa presença em posições estratégicas dentro das empresas. “O crescimento é real, mas o próximo passo é ampliar a presença feminina em cargos de liderança e em funções técnicas de alta responsabilidade.”
Segundo ela, eventos do porte da FEICON contribuem para esse processo ao dar visibilidade às profissionais do setor.
“Quando a feira coloca mulheres como palestrantes, líderes de debate e influenciadoras técnicas, ela ajuda a normalizar essa presença e a inspirar novas entradas no mercado.”
REPRESENTATIVIDADE TAMBÉM NA ORGANIZAÇÃO DO EVENTO
A participação feminina também se reflete na estrutura organizacional da própria FEICON.
Mais de 30 mulheres atuam diretamente na organização da feira, em áreas como marketing, atendimento, operação e gestão. Entre elas está Mayra Nardy, diretora de portfólio da RX, empresa responsável pelo evento.
Segundo Mayra, discutir a presença feminina na construção civil é parte do compromisso do evento com a evolução do setor.
“A FEICON acompanha o avanço das mulheres na construção civil tanto como pauta quanto como realidade do mercado”, diz a executiva.
O aumento da participação feminina em áreas técnicas, na gestão e na organização de grandes eventos demonstra que essa transformação já está em curso”, conclui.
Para ela, dar visibilidade a essa mudança é fundamental para fortalecer um ambiente mais representativo e alinhado às novas demandas da cadeia produtiva.
AVANÇOS AINDA CONVIVEM COM DESAFIOS
Apesar do crescimento nos indicadores, as mulheres ainda representam cerca de 12% da força de trabalho total da construção civil no Brasil.
Em áreas como projetos, planejamento e administração, a participação feminina chega a 22,5%, enquanto nas atividades de campo varia entre 9% e 11%.
Para Lígia Mackey, superar essa desigualdade depende tanto da abertura de oportunidades quanto de políticas de permanência e equidade dentro das empresas.
“Precisamos atuar em duas frentes: combater o preconceito estrutural e criar políticas que garantam a permanência das mulheres no setor”, aponta.
“Não basta atrair profissionais para a faculdade; é preciso garantir que elas cheguem aos cargos de decisão com equidade salarial e suporte institucional”, conclui Lígia.
Uma das iniciativas nesse sentido é o Programa Mulher do Crea-SP, que em 2025 impactou mais de 25 mil pessoas por meio de trilhas de capacitação, palestras e ações de networking.
SERVIÇO:
Data: 7 a 10 de abril
Local: São Paulo Expo – São Paulo (SP)