Festas populares, eventos culturais e competições esportivas vêm incorporando um número crescente de tecnologias para administrar operações que envolvem milhares de pessoas, estruturas temporárias e equipes de diferentes áreas.
Monitoramento por câmeras, inteligência artificial, controle de acesso, conectividade, reconhecimento facial e sistemas de energia passaram a fazer parte da infraestrutura de eventos de grande porte.
A mudança acompanha a própria evolução desse mercado, que exige cada vez mais integração entre segurança, logística, comunicação e gestão operacional.
Em muitos casos, os eventos também funcionam como ambientes para testar e aprimorar tecnologias que posteriormente podem ser utilizadas em outros segmentos, como indústria, condomínios, centros empresariais e grandes empreendimentos.
Um exemplo está na Vila Sítio São João, em Campina Grande (PB). O espaço utiliza um conjunto de tecnologias para monitoramento, controle de acesso, conectividade e energia, incluindo 140 câmeras, 15 controladores de acesso e 12 catracas.
Parte dos equipamentos conta com recursos de inteligência artificial voltados à análise das operações e do fluxo de público.
Na Oktoberfest Blumenau, em Santa Catarina, a tecnologia também passou a integrar diferentes frentes da operação.
Na edição mais recente, que recebeu cerca de 689 mil visitantes, foram utilizadas 415 câmeras associadas a recursos de inteligência artificial e reconhecimento facial, além de drones para monitoramento aéreo e 13 totens de emergência.
Segundo Guilherme Guenther, diretor-presidente executivo da Blumenau Eventos, a integração entre tecnologia e os órgãos de segurança vem sendo ampliada desde 2018.
De acordo com ele, na edição de 2025 não foram registrados furtos ou perdas de celulares, resultado atribuído à combinação entre os recursos tecnológicos e a atuação das equipes envolvidas na segurança do evento.
A utilização de tecnologia também se estende às competições esportivas. Na Stock Car Pro Series 2026, sistemas de monitoramento inteligente, câmeras térmicas, controle de acesso, leitura de placas, conectividade e infraestrutura de energia são empregados durante as etapas da competição.
Os recursos também auxiliam no acompanhamento de ativos e equipamentos utilizados pelas equipes, como veículos e pneus.
Para Marcio Ferreira, VP de Mercado e Jornada do Cliente da Intelbras, a complexidade operacional desses eventos exige que diferentes sistemas trabalhem de forma integrada.
“Grandes eventos funcionam como verdadeiras cidades temporárias. A tecnologia permite integrar diferentes sistemas e equipes, oferecendo mais agilidade e informações para apoiar a operação”, afirma.
Além da segurança, a utilização desses recursos tem ampliado as possibilidades de gestão dos espaços. Sistemas de inteligência artificial e monitoramento em tempo real, por exemplo, podem auxiliar no acompanhamento da ocupação, na distribuição das equipes e na identificação mais rápida de ocorrências.
A integração entre conectividade, segurança e energia também reduz a necessidade de operações isoladas e permite acompanhar diferentes estruturas a partir de uma mesma operação.
Em eventos temporários, nos quais a infraestrutura precisa ser montada e desmontada em períodos relativamente curtos, essa integração representa um desafio adicional.
A experiência adquirida nesses ambientes de alta circulação também tem reflexos fora do setor de eventos.
Tecnologias e modelos de operação utilizados em festas, feiras e competições podem ser adaptados para outros ambientes que enfrentam desafios semelhantes de controle de fluxo, segurança, conectividade e acompanhamento de ativos.
“A experiência em projetos dessa natureza contribui para desenvolver tecnologias cada vez mais eficientes e adaptáveis a diferentes tipos de operação”, finaliza Ferreira.
