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João Carlos Basílio

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É do décimo andar do piramidal prédio da Fiesp, na opulenta Avenida Paulista, que o paulistano João Carlos Basílio comanda a ABIHPEC (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos). De uma ampla sala, o Químico Industrial vive o dia a dia da associação, que reúne 350 empresas pertencentes a um setor que fatura bilhões anualmente. Visivelmente apaixonado pelo que faz, Basílio entrou para o ramo ainda jovem, com 19 anos, e junto com seu irmão criou e administrou a perfumaria Rastro. Desde 1995 presidindo a ABIHPEC, da qual foi fundador, João acumula muitas histórias e vitórias para o setor.

Como o Sr. entrou para o ramo da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (HPPC)?

Minha formação é de químico industrial, pela faculdade Oswaldo Cruz, de São Paulo, na época que ela era ficava na Avenida Angélica. Comecei a trabalhar no ramo de higiene pessoal, perfumaria e cosméticos com 19 anos e estou nele até hoje.

E como foi a sua entrada na Perfumaria Rastro?

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Meu irmão me convidou para trabalhar junto com ele, depois para ser sócio, e fomos os criadores da perfumaria Rastro, uma empresa que, nos anos 1960 e início dos 1970, tinha uma representatividade muito significativa no cenário do mercado de HPPC brasileiro. No entanto, houve um desentendimento entre nós dois, eu saí da empresa.

E ele seguiu com a empresa?

Meu irmão era estilista, não era um homem da indústria. Era uma pessoa ligada mais à área criativa. A empresa passou por sérias dificuldades com a vinda do plano cruzado em 1986, e então eu então procurei os advogados dele, nós fizemos um acordo e eu retornei a empresa.

E qual foi o cenário que encontrou?

A empresa estava com uma série de dificuldades, bastante complicada, bastante endividada, e procuramos trabalhar para a recuperação. Foi um período muito difícil, sendo que em pouco menos de seis anos a moeda brasileira perdeu doze zeros. O dinheiro ia virando pó! Era difícil trabalhar naquela época. Assim mesmo, com diversas dificuldades, a gente conseguiu recuperar, e então houve uma fatalidade: meu irmão faleceu. Com todo esse esforço que eu vinha tendo, senti-me desmotivado e resolvi vender a empresa.

Para quem ela foi vendida?

Eu vendi para o Nelson Morizono, na época da Dorsay-Monange, que depois foi vendida paraa Hypermarcas. Não tenho mais participação na marca Rastro, tenho a Rastro Química. Na época eu conversei com o Nelson e ele permitiu que eu continuasse mantendo-a dentro da razão social da empresa. Hoje sou prestador de serviços e fabrico para terceiros. Quem comanda ela é meu filho; eu sou, digamos, um conselheiro dele.

E começou a ABIHPEC?

Eu já era, nessa época, presidente do Sipatesp (Sindicato da Indústria de Perfumaria e Artigos para Toucador no Estado de São Paulo), um sindicato regional, e passamos a ter uma entidade nacional, a ABIHPEC, criada por mim. Isso me entusiasmou, foi um processo que fui incorporando, fui vendo o quanto esse setor tinha de potencial. Hoje temos uma bela estrutura, somos um setor muito bem organizado.

E o que mudou do início da ABIHPEC até os dias atuais?

Mudou tudo. Primeiro nós tivemos uma significativa redução da carga tributária. Ela era absurdamente alta, e nós conseguimos reduzir, mas ela ainda segue absurdamente alta. Nós somos um setor regulado, temos que prestar contas à Anvisa em varias questões, e eram processos lentos e demorados que hoje estão muito mais ágeis, sendo que 60% dos nossos produtos já estão em regime de notificação. Somos mais de 350 associados e representamos 94% do faturamento do setor. Quando a ABIHPEC começou, eram apenas 67 associados.

O Sr. poderia dar um exemplo?

Há 20 anos, para você lançar um simples sabonete no mercado brasileiro o prazo já chegou a demorar dois anos. A mudança nesse aspecto foi bastante grande, e nós vamos agora, em 2013, completar. Teremos no sistema todos os produtos do nosso setor em regime de notificação dentro da Anvisa. Você notifica a Anvisa de que vai lançar tal produto e sai vendendo.

Como é a preocupação da ABIHPEC com a sustentabilidade?

Temos uma preocupação ambiental forte, somos um dos poucos setores que, na política nacional de resíduos sólidos, já estão cumprindo a legislação. Ela ainda não está definida por parte do governo, mas aquilo que nós propusemos, já realizamos. Temos o apoio da Abipla (Associação Brasileira das Empresas de Produtos de Limpeza e Afins), que aderiu ao nosso projeto, e de outras empresas que estão individualmente aderindo. Com isso, nós já somos responsáveis por um quarto das embalagens distribuídas e comercializadas no País.

Como funciona o projeto Beautycare Brazil, que a Associação tem com a Apex-Brasil?

A parceria com a Apex objetiva incrementar as exportações brasileiras. Nós já estamos no projeto há 12 anos, e os resultados são totalmente positivos. Temos hoje 32 empresas participando, e nós trabalhamos com elas no incremento de suas exportações. A indústria brasileira de HPPC não exportava nada, mas nós fechamos o ano com mais de US$ 130 milhões em exportações somente com essas 32 empresas.

De quantas feiras internacionais vocês participam?

Nós éramos ilustres desconhecidos quando começamos a participar de feiras e exposições no resto do mundo. Hoje nós vamos a algumas feiras que entendemos serem estratégicas para participar, mas promovemos mais as rodadas de negócios.

Como funciona?

Nós contratamos uma empresa de consultoria que rastreia potenciais compradores em determinado país e agenda reuniões entre as empresas que estarão lá no período, e então nós vamos visitá-los em seu escritório. Em um primeiro momento, fazíamos em um hotel, mas entendemos que é melhor fazer dentro da rotina de trabalho dessas empresas, no escritório desses compradores. Essas reuniões são muito mais produtivas do que fazer um baita de um stand na feira, ficar ali na porta esperando quem passa ter algum interesse de conversar conosco.

E no Brasil, como é a participação?

No Brasil estamos presentes apenas na Hair Brasil, com um stand. Aproveitamos a Feira para fazer rodadas de negócios internacionais, trazemos compradores, jornalistas internacionais. Também atendemos os nossos associados ou empresas interessadas em se afiliar a nossa entidade.

As conquistas foram várias durante esses anos. Mas, se o Sr. precisasse citar apenas uma, qual seria?

A conquista mais importante, em meu entendimento, é manter o setor unido, manter as empresas unidas sob o chapéu da ABIHPEC, a confiança que os associados têm na nossa administração. Nós sentamos para procurar resolver os problemas do setor e, lá fora, cada um briga pelo seu espaço, mas aqui dentro todos estão unidos para procurar resolver os problemas do setor.

Fonte: Entrevista realizada por Luis Orsolon, originalmente publicado na edição número 14 da Radar Magazine (publicação do Grupo Radar de Comunicação ao qual pertence o Portal Radar).

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