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Membros brasileiros da UFI: quem representa o Brasil?

Membros brasileiros da UFI: quem representa o Brasil?

Às vésperas da primeira UFI Central & South American Conference realizada no Brasil, o mapa de associados da entidade mostra a força dos grandes grupos internacionais na indústria brasileira de exposições, e levanta uma questão sobre quem ocupa os espaços de representação global do setor.

Quando a comunidade internacional de feiras e exposições desembarcar em São Paulo, em dezembro, encontrará o maior mercado de exposições da América Central e do Sul e um país que já mantém uma presença relevante dentro da UFI, The Global Association of the Exhibition Industry.

São 24 organizações brasileiras listadas como membros da associação, de acordo com o documento de membresia global da UFI consultado pelo Portal Radar. Mas o número, isoladamente, conta apenas parte da história. O dado mais interessante aparece quando se observa quem são esses membros e qual posição ocupam na cadeia de exposições brasileira.

Entre organizadoras, venues, associações, fornecedores e outras organizações, a composição brasileira revela um mercado fortemente conectado às grandes companhias internacionais da indústria global de feiras. Ao mesmo tempo, mostra uma participação proporcionalmente pequena das entidades associativas nacionais dentro dessa estrutura.

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É uma fotografia especialmente relevante às vésperas da UFI Central & South American Conference 2026, que será realizada em São Paulo nos dias 1º e 2 de dezembro, com programação no Frei Caneca Convention Center e no Expo Center Norte. No dia 3, a agenda continua com o Event Directors Summit. A iniciativa é realizada pela UFI, com a UBRAFE como anfitriã, e acontece em conexão com a Experience Expo.

O Brasil da UFI tem forte sotaque internacional

A categoria mais numerosa entre os membros brasileiros é a de Exhibition Organiser. São 11 organizações:

  • GL events Exhibitions Brazil
  • GL events Brazil/LATAM
  • IEG Brasil Eventos
  • Latam Feiras
  • Fiera Milano Brasil
  • NürnbergMesse Brasil
  • RX Brazil
  • Informa Markets LATAM
  • Koelnmesse Organização de Feiras
  • Grupo Eletrolar
  • Messe Muenchen do Brasil Feiras

O detalhe é revelador: com exceção do Grupo Eletrolar, a relação é formada por empresas vinculadas a grupos internacionais ou com controle estrangeiro. Estão ali algumas das marcas que formam a elite global da indústria de exposições: GL events, RX, Informa Markets, Koelnmesse, NürnbergMesse, Fiera Milano e Messe München, entre outras.

Não se trata de uma peculiaridade brasileira. A internacionalização faz parte do modelo de negócios dessas companhias. Grandes organizadores globais operam por meio de subsidiárias, aquisições, joint ventures e portfólios locais em diferentes continentes. O que chama a atenção é o grau dessa presença dentro da representação brasileira na UFI: dos 11 membros classificados como organizadores, dez estão ligados a estruturas empresariais internacionais.

A fotografia da UFI, portanto, ajuda a dimensionar algo que o mercado brasileiro conhece na prática há anos: a indústria de grandes feiras B2B no país está profundamente integrada ao processo global de consolidação e internacionalização do setor. São Paulo ocupa o centro dessa dinâmica: além de concentrar grande parte das operações dessas empresas, a cidade tornou-se uma das principais plataformas latino-americanas para grupos internacionais interessados em ampliar portfólios, lançar marcas e acessar setores econômicos brasileiros.

Só três membros representam associações da indústria

Na outra ponta do levantamento aparece um dado igualmente relevante. Entre as 24 organizações brasileiras identificadas no documento, apenas três estão classificadas pela UFI como Exhibition Industry Association:

  • UBRAFE (União Brasileira dos Promotores de Feiras)
  • ABEOC (Associação Brasileira de Empresas de Eventos)
  • ABRACE (Associação Brasileira de Cenografia e Estandes)

Isso significa que a presença formal brasileira dentro da UFI é consideravelmente mais empresarial e operacional do que associativa. E aqui é importante fazer uma distinção: ser membro da UFI não significa representar sozinho determinado mercado, assim como não participar da associação não significa ter menor relevância dentro do setor brasileiro.

A UFI é uma rede internacional especializada principalmente na indústria de exposições. O ecossistema brasileiro de eventos é mais amplo e reúne diversas associações com escopos, públicos e agendas institucionais diferentes. Ainda assim, quando se observa exclusivamente quem ocupa os espaços formais da associação internacional, o contraste aparece: há mais subsidiárias brasileiras de grandes organizadores internacionais do que associações nacionais de representação setorial.

Isso produz uma configuração institucional interessante: o Brasil está fortemente conectado à indústria mundial por meio das empresas que operam o negócio, mas possui uma presença associativa mais restrita no ambiente internacional que reúne parte relevante das lideranças globais do setor.

Os venues mostram outro tipo de concentração

O segundo grande grupo brasileiro dentro da UFI é formado pelos operadores de espaços. Sete organizações aparecem classificadas como Exhibition Centre Operator:

  • Riocentro
  • World Trade Center São Paulo
  • Farmasi Arena
  • São Paulo Expo
  • Santos Convention Center
  • Salvador Convention Center
  • Distrito Anhembi

Mais uma vez, a geografia diz bastante: os membros estão concentrados principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro, com presença também de Santos e Salvador. Enquanto isso, importantes mercados regionais brasileiros, incluindo cidades com calendários consolidados de feiras, congressos e eventos, não aparecem nessa relação.

Isso não significa ausência de infraestrutura fora desses mercados. Significa algo mais específico: essa infraestrutura não está representada da mesma maneira dentro da rede formal da UFI. E essa diferença importa, porque em uma indústria internacionalizada, pertencer a uma associação global também amplia exposição institucional, networking, intercâmbio de conhecimento e contato com organizadores, investidores e operadores de outros mercados.

Há, portanto, uma diferença entre possuir infraestrutura de eventos e inserir essa infraestrutura nas principais redes internacionais da indústria.

Quem não aparece também ajuda a entender o mercado

A lista da UFI não deve ser confundida com um ranking de representatividade do setor brasileiro. Algumas entidades nacionais relevantes não fazem parte da relação de membros consultada. É o caso da ABRAPE (Associação Brasileira dos Promotores de Eventos), que representa empresas ligadas à promoção de eventos na área de entretenimento. Também não aparece a ABRAFESTA (Associação Brasileira de Eventos), que desenvolve atuação técnico-institucional voltada à cadeia produtiva e às empresas prestadoras de serviços do setor.

Essa diferença ajuda a revelar uma característica importante do mercado brasileiro: a representação institucional dos eventos no país está distribuída entre organizações com escopos distintos, como feiras de negócios, congressos, entretenimento, eventos sociais, fornecedores, serviços especializados e diferentes segmentos da cadeia produtiva. Nem todas têm como prioridade estratégica integrar uma associação internacional dedicada à indústria de exposições.

Portanto, o mapa da UFI é um retrato da conexão internacional de parte do setor brasileiro, não um censo completo de suas forças institucionais. Ainda assim, o número reduzido de associações nacionais entre os membros chama atenção diante da dimensão econômica e da diversidade da cadeia brasileira.

Do turismo à logística: quem mais conecta o Brasil à UFI

As demais categorias completam uma fotografia interessante do ecossistema brasileiro presente na associação:

  • Tourism Board and Convention Bureau: Visit Brasil
  • Freight Forwarder/Logistics: Fulstandig Shows e Eventos
  • Communication, Marketing Agency, Media/Press: Grupo Radar

O Portal Radar faz parte do Grupo Radar. A informação é registrada aqui por transparência editorial, uma vez que esta reportagem analisa um documento no qual o próprio grupo está relacionado entre os membros brasileiros.

A presença dessas diferentes categorias mostra que a conexão internacional não ocorre apenas por meio de organizadores e centros de exposições. Turismo, logística, comunicação, fornecedores e representação institucional fazem parte do ecossistema que sustenta uma feira internacional.

A UFI chega ao Brasil em um momento simbólico

É justamente nesse cenário que São Paulo recebe a UFI Central & South American Conference. A edição de 2026 será realizada pela primeira vez no Brasil. A própria UFI vem apresentando o país como o maior mercado da indústria de exposições da região e destaca que o Brasil concentra seis dos dez maiores centros de exposições da América Central e do Sul.

A conferência reunirá executivos de organizadoras, venues, fornecedores e outras lideranças da indústria das Américas e de outros mercados. A agenda já mostra que a discussão irá além da operação de feiras.

Entre os temas programados estão geração de valor no ecossistema de exposições, crescimento além das fronteiras nacionais e o futuro do modelo de negócios da indústria. Uma das sessões leva um título particularmente significativo: “Brazil: The Exhibition Market You Can’t Afford to Ignore”, algo como “Brasil: o mercado de exposições que você não pode se dar ao luxo de ignorar”. É uma escolha de palavras que diz muito sobre o momento brasileiro.

Durante décadas, mercados latino-americanos foram observados principalmente como destinos de expansão de portfólios consolidados na Europa e nos Estados Unidos. Agora, a discussão começa a mudar: a América Latina aparece também como mercado de crescimento. Análises apresentadas à própria indústria projetam expansão mais rápida para o mercado latino-americano de exposições do que para mercados maduros como Europa e América do Norte nos próximos anos.

Nesse contexto, o Brasil deixa de ser apenas uma praça regional relevante e passa a ocupar uma posição estratégica no mapa global das exposições.

Mas quem falará pelo Brasil?

Talvez essa seja a pergunta mais interessante sugerida pelos 24 nomes da lista. O Brasil tem venues de escala internacional, tem grandes feiras, tem subsidiárias das principais organizadoras do mundo, tem associações estruturadas, tem fornecedores especializados e uma cadeia extensa de empresas e profissionais que vivem dos eventos. E agora terá, pela primeira vez, a conferência regional da UFI dentro de casa.

A presença internacional do mercado brasileiro, portanto, já não está em discussão. A próxima discussão é sobre como essa presença será construída e quem participará dela.

Se o crescimento da indústria brasileira continuar atraindo grupos internacionais, investimentos, aquisições e novos eventos, a composição dos espaços de representação ganhará importância ainda maior. Organizadores globais naturalmente carregam para esses ambientes suas próprias estratégias corporativas. Associações nacionais carregam outra perspectiva: interesses coletivos, ambiente regulatório, tributação, infraestrutura, formação profissional e políticas públicas. Fornecedores, venues e demais elos da cadeia acrescentam outras prioridades.

Nenhuma dessas vozes substitui a outra, e a maturidade de um mercado talvez esteja justamente na capacidade de colocá-las ao redor da mesma mesa.

Em dezembro, essa mesa estará montada em São Paulo, e, pela primeira vez, estará no Brasil.

Transparência editorial: o Grupo Radar, do qual faz parte o Portal Radar, consta entre os membros da UFI citados nesta reportagem. Sua inclusão no levantamento segue exclusivamente a classificação apresentada pela entidade e não interfere na análise editorial.

Portal Radar

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