POR DORENI CARAMORI JÚNIOR
Os grandes eventos têm se consolidado como instrumentos estratégicos de desenvolvimento, capazes de gerar emprego, renda e dinamizar uma ampla cadeia produtiva no país.
Os dados mais recentes do Ministério do Turismo (MTur) evidenciam esse cenário: apenas no primeiro trimestre de 2026, os gastos de visitantes internacionais alcançaram R$ 16 bilhões, crescimento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Esse avanço, e a própria pasta reconhece, está diretamente associado à capacidade do país de atrair espetáculos e experiências.
Shows mobilizam centenas de milhares de pessoas e produzem impactos expressivos. A estimativa da Prefeitura do Rio de Janeiro de que serão injetados R$ 800 milhões na economia carioca com uma única apresentação da cantora Shakira em Copacabana, por exemplo, ilustra como ativam setores como hotelaria, alimentação, transporte e comércio. Trata-se de um efeito multiplicador que beneficia empresas de vários perfis.
O aumento do fluxo de chegadas estrangeiras reforça essa dinâmica. O país registrou, em março, o maior volume da história, e o acumulado do trimestre também bateu recorde.
Esse movimento encontra neste mercado um importante fator de atração, posicionando o país como destino competitivo no cenário global.
Os dados do Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE) corroboram essa tendência. O consumo nas atividades de recreação atingiu R$ 25,33 bilhões no primeiro bimestre de 2026, o maior da série histórica.
No mercado de trabalho, também demonstra vigor: o core business do segmento alcançou mais de 205 mil empregos formais, evolução de 84,5% em relação ao período pré-pandemia. São aproximadamente 94 mil novos postos criados desde 2019.
Políticas públicas
Quando abordamos o hub setorial, que inclui áreas como hospedagem, transporte, alimentação e serviços correlatos, o impacto é ainda mais amplo, com mais de 4,27 milhões de trabalhadores, um incremento de aproximadamente 820 mil vagas em comparação ao período pré-pandemia.
Esse desempenho não ocorre de forma isolada. É resultado de um processo de recuperação estruturado, que contou com políticas públicas fundamentais. Isso reflete nos mais de 350 mil eventos que ocorrem anualmente em todas as regiões do país.
Entre elas, destaca-se o Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (PERSE), que garantiu a sobrevivência às empresas durante o período mais crítico da pandemia e consolidou as bases para a retomada sustentável.
Ao oferecer segurança jurídica e alívio tributário, permitiu que voltassem a investir, inovar e gerar oportunidades.
Hoje, não apenas se recuperaram, mas alcançaram um novo patamar. A capacidade de impulsionar o turismo e ativar diferentes segmentos da economia o coloca o setor como peça-chave na estratégia de desenvolvimento do país. Investir em eventos é apostar no crescimento, na competitividade e na geração de oportunidades para milhões de brasileiros.
*Doreni Caramori Júnior é empresário e presidente da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE).













