O pós-pandemia no setor de eventos – Artigo de Silvia Novaes Barreto

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Por Silvia Novaes Barreto*

O setor de Eventos foi um dos primeiros setores a parar e um dos últimos a retomar as atividades por conta da quarentena imposta pela pandemia do COVID-19, doença causada pelo novo coronavírus.

E por isso mesmo, infelizmente, foi um dos setores que mais duramente sentiu essa crise, contabilizando inúmeras empresas quebradas e profissionais, que de uma hora para outra, perderam seus empregos ou paralisaram sua atuação.

Entretanto, não se pode pensar a curto prazo, pois os Eventos já provaram há muito tempo serem atividades fundamentais para a sociedade e economia, na geração de empregos e oportunidades de negócios. Além disso, as possibilidades de crescimento e desenvolvimento são incríveis.

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Tomando como base o Estudo do II Dimensionamento Econômico da Indústria de Eventos no Brasil, publicado em 2013 (considerado o mais importante estudo e diagnóstico deste segmento do país), os Eventos representam mais de 4% do PIB brasileiro, empregando cerca de 7,5 milhões de pessoas.

Vale destacar ainda que esse mercado cresceu cerca de 80% em relação à primeira edição desta pesquisa (ou melhor, ao I Dimensionamento Econômico da Indústria de Eventos, realizada no ano de 2001).

Foram realizados mais de 590 mil eventos no Brasil no ano de 2012, somente considerando os Eventos analisados na pesquisa que eram aqueles com número mínimo de 200 participantes. Ou seja, pense em todas as reuniões, treinamentos, festas, comemorações, baladas, torneios, cultos religiosos, encontros com quantidade inferior a 200 pessoas e que nem foram contabilizados para efeitos desta pesquisa.

Meu ponto é que esse mercado é ainda muito maior. Além disso, se o segmento manteve a taxa de crescimento de 2013 até agora, podemos assumir que esses números são ainda mais robustos.

Vale destacar que estudos realizados pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), publicados pela União Brasileira dos Promotores de Feiras (Ubrafe), demonstram que as 800 feiras realizadas em São Paulo no ano de 2016 obtiveram resultado de R$ 16,3 bilhões. Estima-se que cada dólar investido em uma feira resulta em 10 dólares em benefício para a cidade onde ela se realiza.

Tratando agora de outro segmento que são os Eventos Sociais, aqueles que englobam casamentos, festas, comemorações, formaturas, bailes de debutantes, entre outros, segundo estudos e publicação da Abrafesta (Associação Brasileira de Eventos), em 2016, os brasileiros desembolsaram 17 bilhões de reais com eventos sociais.

Além disso, a quantidade de casamentos está em ascensão desde 2013, passando de 1 milhão ao ano, sendo que os gastos com esses eventos aumentam, em média, 10,4% ao ano. De 2013 a 2016, o crescimento foi de 25%. Só na cidade de São Paulo, 74 mil casamentos movimentaram 1,4 bilhão de reais em 2016. No estado, esse total chegou a 4,9 bilhões de reais.

Se ainda estes números não te convenceram, vamos falar então dos eventos corporativos, mais especificamente dos eventos que a AMPRO – Associação Brasileira de Marketing Promocional – entidade que os mapeia e os define como Live Marketing, divulgou que, em 2017, estes acontecimentos ou experiências, como o próprio setor prefere chamar, alcançou um faturamento de R$ 43,9 bilhões em 2017.

Além disso, essa mesma pesquisa ainda revelou que o live marketing tem apresentado crescimento constante, mesmo diante da crise econômica que atingiu o Brasil nos últimos anos. E essa evidência está na constatação de que os eventos trazem resultados que nenhuma outra estratégia de comunicação ou divulgação proporciona.

Sabe por quê? Porque os eventos são experiências vivas e marcantes. Nos eventos podemos envolver o público através da estimulação dos 5 sentidos, e desta forma, ativamos sensações e experiências que são registradas de forma contundente pelo nosso cérebro, tornando o evento memorável, ou seja, a possibilidade de lembrarmos positivamente de uma marca, um produto, um acontecimento marcado por um evento é muito maior.

Então, quando indagada se acredito que os eventos voltarão a ser realizados e retomados, minha resposta é um contundente SIM! Alguns podem contra-argumentar que sou uma entusiasta e defensora do setor, mas por isso apresento aqui fatos. E contra eles não há argumentos, não é mesmo?

Certamente, precisaremos nos adaptar aos novos protocolos sanitários, respeitar a quantidade limite de público em cada local, entender a nova dinâmica dos relacionamentos e contatos físicos, mas os eventos não podem e não vão parar. Muitas soluções incríveis e inovadoras surgiram nestes últimos meses, permitindo eventos em outros formatos, como os online, os híbridos, os drive-ins. Apoio todas essas iniciativas, porém, nada substitui o evento presencial.

Nada substitui a emoção da noiva entrando na nave da igreja, sua banda entrando ao vivo no palco, seu time jogando, um especialista ministrando uma palestra ou treinamento e a festa de aniversário que reúne amigos e familiares. Esse mesmo raciocínio se aplica para diferentes tipos e formatos de eventos que participamos.

Resiliência nunca foi tão relevante e importante. Temos que desenvolver essa capacidade, traduzida na física como a capacidade que um determinado material possui de retornar à sua forma original, mesmo após ter sido submetido a diferentes pressões.

As pressões sofridas pelos profissionais e empresas do setor foram e continuam sendo muito duras e desafiadoras, porém, convido a todos a pensarem que os eventos são atividades que vão continuar a existir. Eles já fazem parte da nossa rotina e realidade mais até do que nos damos conta. A quarentena vai passar e o show vai continuar. The show must go on. Tenho certeza disso!

*Silvia Novaes Barreto é docente da pós-graduação nos cursos de Negócios, Comunicação e Hospitalidade da Universidade Anhembi Morumbi e empreendedora digital co-fundadora do Backstage na web, plataforma educativa sobre a área de Eventos.