A criação do Comitê Gestor do IBS e o avanço da infraestrutura digital da CBS marcam o início de um período de transição que exigirá adequações operacionais, revisão de contratos e reavaliação da carga tributária efetiva pelas empresas do segmento.
Segundo a Associação Brasileira de Empresas de Eventos (Abrafesta), os primeiros impactos práticos tendem a ser sentidos antes mesmo do aumento pleno da carga financeira.
“Desde a tramitação do PLP 108/2024, estamos atuando de forma técnica e institucional para garantir previsibilidade fiscal e segurança jurídica ao setor de eventos”, afirma Ricardo Dias, presidente da Abrafesta.
“Temos acompanhado de perto a regulamentação, produzido análises técnicas e orientado nossas associadas sobre o período de transição, que entra em uma fase mais aguda agora em 2026”, completa.
A partir deste ano, começa o período de teste da CBS (0,9%) e do IBS (0,1%), com novas regras de compensação e obrigações acessórias.
Nesse estágio, o principal impacto é operacional, com necessidade de adequações em sistemas, emissão de documentos fiscais eletrônicos, parametrizações e controles de compliance, especialmente para empresas que atuam em cadeias longas e fragmentadas.
Outro ponto de atenção envolve precificação e contratos. O setor de eventos reúne serviços como locação de equipamentos, montagem, cenografia, audiovisual, catering, logística e venues, o que tende a exigir revisões contratuais e ajustes na formação de preços, sobretudo em contratos de médio e longo prazo, para refletir a transição do atual modelo de PIS, Cofins e ISS para CBS e IBS.
A entidade também alerta para a variação da carga tributária efetiva, que dependerá da capacidade de apropriação de créditos ao longo da cadeia.
De acordo com Dias, enquanto feiras, congressos e eventos culturais contam com uma redução de 60% na alíquota, os eventos sociais e os buffets seguem sujeitos à alíquota cheia.
“O impacto final varia conforme o perfil de cada empresa, especialmente entre aquelas com maior volume de insumos tributados ou mais intensivas em mão de obra”, explica.
“A ABRAFESTA atua na defesa dos interesses de seus associados, mas esse trabalho acaba beneficiando todo o setor, ao fortalecer o associativismo e promover um ambiente mais equilibrado para a atividade”, finaliza Ricardo Dias.













