O mercado brasileiro de música ao vivo atravessa um período de amadurecimento técnico e estratégico. É o que aponta o Panorama Mapa dos Festivais 2025, estudo anual que traça um diagnóstico 360º do setor.
A pesquisa indica que a profissionalização deixou de ser exclusividade dos grandes eixos e avançou para festivais de todas as regiões do país.
Um dos dados mais expressivos do relatório diz respeito à curadoria: o modelo multigênero consolidou sua liderança, respondendo por 48% da programação dos eventos nacionais.
O movimento reflete o comportamento atual de consumo, onde o público busca experiências diversas em um único local.
Enquanto os nichos de Jazz e Blues apresentaram crescimento, os festivais dedicados exclusivamente ao Rap e Trap registraram uma retração em comparação aos anos anteriores.
O FATOR INTERNACIONAL E O NOVO DASHBOARD
Pela primeira vez, o estudo incluiu um recorte específico sobre turnês internacionais. Em 2025, o Brasil recebeu 169 turnês estrangeiras, com uma predominância clara do Rock (55%), seguido por Pop, K-Pop e Música Eletrônica.
Para além do PDF estático, a edição deste ano introduz um dashboard interativo. A ferramenta permite que marcas e produtores cruzem dados de patrocinadores, artistas e regiões, facilitando a tomada de decisão estratégica para o ciclo de 2026.
“Os festivais se afirmam hoje como plataformas de comunidade e ativismo musical para quem realiza, e como espaços de valor emocional para quem frequenta”, pontuou Juli Baldi, diretora criativa do Mapa dos Festivais, durante o evento de lançamento.
O lançamento foi marcado por um debate sobre o futuro do setor, reunindo vozes como Guilherme Guedes (Multishow), Karla Megda (Sympla) e produtores de festivais independentes, como Fabrício Nobre (Bananada) e Ju Arruda (Breu/Liniker).
O consenso entre os especialistas é que o setor vive uma fase de “pé no chão”, focada em sustentabilidade financeira e experiência do usuário.
A pesquisa ouviu mais de 25 lideranças do mercado — incluindo executivos da Heineken, Natura e Deezer, além de organizadores de festivais como Afropunk (BA), Zepelim (CE) e Varadouro (AC) — e coletou dados de mais de mil frequentadores para entender as lacunas entre a oferta dos eventos e o desejo dos fãs.
DADOS DA PESQUISA:
- 366 festivais realizados, crescimento de mais de 20% em relação a 2023.
- 15 festivais cancelados, 3 festivais adiados, 58 festivais em sua primeira edição e 41 festivais em segunda edição
- Levantamento de 958 marcas e segmentos que mais investiram em festivais, identificando oportunidades para patrocinadores e anunciantes.
- Número de festivais por região: Centro-Oeste — 34, Nordeste — 68, Norte —18, Sudeste — 200, Sul — 46;
- Dados sobre Turnês Internacionais no Brasil: Artistas, regiões e marcas patrocinadoras dos shows internacionais em 2025 e o que já está confirmado para 2026;
- Preço médio do ingresso em festivais no Brasil em 2025: R$ 338,34.
- 3.703 artistas se apresentaram em festivais no país, um aumento de 25% em relação a 2024.
- Entre as 958 marcas patrocinadoras identificadas, o setor de bebidas domina o top 5 de patrocinadores, liderado por Amstel, Coca-Cola e Red Bull.
- Na pesquisa com público, 52% dos entrevistados afirmam preferir shows individuais, enquanto 48% preferem festivais. A mobilidade também aparece como fator importante: 30% dos frequentadores viajaram para participar de pelo menos um festival no último ano.
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