A indústria do plástico chega à Interplast 2026 sob pressão — e em transformação. Em um cenário de maior cobrança por soluções sustentáveis e eficiência produtiva, fornecedores de matérias-primas devem usar a feira, que acontece de 25 a 28 de agosto em Joinville (SC), como vitrine de tecnologias que tentam responder a um desafio central: como manter desempenho industrial enquanto se reduz o impacto ambiental.
A 13ª edição do evento, organizado pela Messe Brasil, reunirá players nacionais e internacionais em torno de um eixo comum: inovação aplicada à economia circular. Mais do que apresentar portfólios, as empresas chegam com apostas claras sobre o futuro do setor.
Um dos exemplos vem da Eco Ventures, que leva ao evento o aditivo Go Green P-Life, tecnologia de origem japonesa voltada à aceleração da degradação de plásticos convencionais.
Desenvolvido a partir de ácido graxo de óleo de coco, o material atua sobre polímeros derivados da nafta — como polietileno, polipropileno, PET e poliestireno —, tornando-os oxi-biodegradáveis.
Estudos recentes conduzidos pelo pesquisador Kenji Miyamoto, da Keio University, indicam que plásticos tratados com o aditivo podem ser degradados por microrganismos presentes tanto no solo quanto em ambientes marinhos.
Na mesma direção, a Total PET aposta no avanço do PET reciclado como matéria-prima versátil. Seus flakes reciclados seguem ganhando espaço em aplicações que vão de embalagens a fibras têxteis, enquanto o polipropileno reciclado se consolida em segmentos mais exigentes, como o automotivo. A empresa também destaca o PET PCR grau alimentício — 100% reciclado e aprovado pela Anvisa — alinhado às exigências regulatórias recentes.
A Interplast também deve marcar movimentos estratégicos de empresas que buscam reposicionamento.
A Piplas, por exemplo, estreia na feira com uma nova linha de compostos de poliamida reciclada, desenvolvida a partir de resíduos de processos de compostagem. A proposta é ampliar o uso de materiais reciclados em aplicações técnicas, mantendo resistência e durabilidade.
Já a Advanced Polymers concentra sua participação em dois lançamentos: o biopolímero compostável OKONEX® e um PET reciclável desenvolvido para atender padrões mais rigorosos da economia circular.
A estratégia reflete uma tendência crescente no setor: alinhar inovação não apenas à performance, mas também à rastreabilidade e conformidade ambiental.
A diversificação de matérias-primas também ganha espaço. A MISA apresenta soluções minerais voltadas a diferentes etapas da cadeia produtiva, enquanto a Procolor aposta em uma inovação de processo com seu novo masterbatch líquido, que promete maior uniformidade de cor e redução de desperdícios.
Outro movimento relevante vem da AWS Brasil, que expande o uso de pigmentos em bioplásticos por meio da linha Biomaster, voltada especialmente para produtos de uso único.
A proposta dialoga com a crescente demanda por materiais compostáveis em aplicações de curto ciclo de vida.
No campo das resinas de engenharia, a Thathi Polímeros reforça a oferta de materiais de alto desempenho para setores como automotivo e eletroeletrônico, enquanto a Colortrade direciona sua estratégia para alternativas ao dióxido de titânio importado, em resposta a impactos regulatórios como medidas antidumping.
A substituição de insumos fósseis também aparece nas soluções da Inbra, que apresenta plastificantes vegetais livres de ftalatos para PVC, e da Karina Plásticos, com sua linha de bioplásticos compostáveis Karinbio®, desenvolvida para decomposição em diferentes ambientes.
Além das matérias-primas, a feira evidencia uma mudança importante no discurso do setor: eficiência operacional e previsibilidade de processo passam a ser tão valorizadas quanto a sustentabilidade.
Empresas como Termocolor e Beplast destacam soluções que reduzem perdas, aumentam a estabilidade produtiva e integram funcionalidades técnicas aos materiais.
Esse equilíbrio entre desempenho e responsabilidade ambiental também orienta a atuação da Flamel, que reforça o papel estratégico da escolha da matéria-prima no resultado final dos produtos, e da Parabor, que traz ao Brasil resinas modificadas voltadas à engenharia de materiais.
No conjunto, a Interplast 2026 deixa claro que a discussão sobre sustentabilidade no plástico avançou de um discurso institucional para um campo técnico e competitivo.
A corrida agora não é apenas por materiais mais “verdes”, mas por soluções que consigam, ao mesmo tempo, atender exigências regulatórias, reduzir custos e manter — ou elevar — o padrão de desempenho industrial.
SERVIÇO:
Data: 25 a 28 de agosto de 2026
Horário: 13h às 20h
Local: Centro de Convenções e Exposições EXPOVILLE
Endereço: R. XV de Novembro, 4315 – Glória, Joinville – SC













