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Eventos sustentáveis deixam de ser promessa e viram exigência: o que o mundo já aplica

Sustentabilidade em eventos e novas exigências para o mercado MICE

Enquanto o Brasil amplia o debate durante a São Paulo Climate Week ’26, o mercado internacional transforma a sustentabilidade em norma, meta coletiva e critério de contratação.


A sustentabilidade em eventos deixou de ser apenas uma pauta de comunicação. No mercado global, ela já influencia contratos, seleção de fornecedores, escolha de destinos, desenho operacional e prestação de contas aos compradores.

Para o setor MICE (reuniões, incentivos, conferências e exposições), a mudança representa uma nova lógica de negócios. Não basta promover ações ambientais isoladas. Organizadores, espaços, patrocinadores e prestadores de serviço precisam demonstrar processos, indicadores e resultados.

É nesse cenário que o Fórum de Eventos Sustentáveis, realizado na programação da São Paulo Climate Week ’26, coloca o mercado brasileiro diante de uma discussão que já avançou da intenção para a operação.

Sustentabilidade em eventos ganha nova régua com a ISO 20121

A principal referência internacional do setor foi atualizada. Publicada em abril de 2024, a segunda edição da ISO 20121 estabelece requisitos para sistemas de gestão sustentável aplicáveis a eventos de diferentes tipos e portes.

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A revisão reforçou uma abordagem que considera, de forma integrada, os impactos ambientais, sociais e econômicos. Também ampliou a atenção a temas como inclusão, legado dos eventos e direitos humanos e das crianças.

Outro avanço importante está nas formas de demonstrar conformidade. Além da certificação independente, a norma admite autodeclaração e validação por fornecedores. Na prática, isso reduz barreiras financeiras e torna sua adoção mais acessível a pequenas e médias empresas.

Para o mercado, o efeito tende a aparecer na cadeia de contratação. Critérios de sustentabilidade passam a integrar briefings, processos de compras, avaliação de espaços e relacionamento com fornecedores.

Meta net zero organiza a agenda internacional

A iniciativa Net Zero Carbon Events foi lançada durante a COP26, em Glasgow, com o objetivo de mobilizar a indústria global de eventos em torno da neutralidade de carbono até 2050 e de reduções relevantes até 2030. Seu roadmap foi apresentado no ano seguinte, durante a COP27.

O plano organiza a descarbonização em cinco áreas prioritárias:

  • energia dos espaços;
  • produção e gestão de resíduos;
  • alimentos e desperdício de alimentos;
  • logística;
  • viagens e hospedagem.

A estrutura também inclui três frentes transversais: mensuração, compensação de carbono e divulgação de resultados.

Grandes operadores, como RX e Informa, já incorporam calculadoras de carbono, scorecards, padrões para fornecedores, estruturas reutilizáveis e sistemas de coleta de dados em seus eventos.

Deslocamento concentra o maior desafio de carbono

O transporte dos participantes permanece como uma das principais fontes de emissões de grandes encontros presenciais. Em conferências climáticas anteriores, a UNFCCC calculou que as viagens chegaram a representar cerca de 75% da pegada total. Em avaliações de eventos corporativos, essa participação pode ser ainda maior, dependendo da origem do público e do uso de transporte aéreo.

Esse dado muda decisões comerciais e operacionais. Escolher uma cidade próxima da maior parte do público, facilitar o acesso ferroviário ou rodoviário, oferecer participação remota e concentrar atividades em um mesmo destino podem gerar impactos maiores do que ações restritas ao local do evento.

Por isso, a ordem das decisões também mudou. O caminho mais consistente é medir as emissões, reduzir o que for possível e compensar apenas a parcela residual.

Formatos híbridos, fornecedores locais, alimentação de menor impacto e destinos acessíveis deixam de ser detalhes. Tornam-se instrumentos de gestão de custos, risco e carbono.

Resíduos deixam de ser campanha e viram processo

No mercado internacional, reduzir resíduos significa atuar antes da abertura dos portões. Manuais de expositores, guias de materiais, estruturas modulares, sinalização reutilizável e sistemas de separação precisam entrar no planejamento e nos contratos.

A RX, por exemplo, passou a utilizar guias de sustentabilidade para expositores, calculadoras para estandes e modelos padronizados de dados de energia e resíduos. A empresa também relata iniciativas com utensílios reutilizáveis, compostagem, reaproveitamento de materiais e redução de plástico descartável.

A Informa, por sua vez, criou o programa Better Stands para substituir estandes descartáveis por estruturas modulares e reutilizáveis. Além de reduzir resíduos, o modelo pode diminuir tempo de montagem, desmontagem e custos de construção.

A mudança central é simples: resíduos não podem ser tratados apenas no pós-evento. Eles precisam ser evitados ainda nas etapas de projeto, compra e produção.

Greenwashing amplia risco regulatório e reputacional

A comunicação ambiental também entrou em uma fase mais rigorosa.

Na União Europeia, a Diretiva 2024/825, conhecida como Empowering Consumers for the Green Transition, começará a ser aplicada em 27 de setembro de 2026. A norma fortalece a proteção contra alegações ambientais genéricas, selos não verificados e outras práticas consideradas enganosas.

Já a proposta da Green Claims Directive enfrentou uma interrupção nas negociações em junho de 2025, quando o terceiro encontro entre as instituições europeias foi cancelado. Em 2026, o processo ainda aparece oficialmente como pendente, sem uma conclusão legislativa.

Esse ambiente cria uma tensão para marcas e patrocinadores. De um lado, aumenta o risco de greenwashing — quando uma empresa exagera ou não comprova seus resultados. Do outro, cresce o chamado greenhushing, quando organizações evitam divulgar iniciativas legítimas por receio de questionamentos.

A saída não está no excesso nem no silêncio. Está na comunicação baseada em dados, metodologia, limites claros e evidências verificáveis.

ESG já influencia compras e contratos

Do lado de quem contrata, sustentabilidade deixou de ser apenas um diferencial reputacional.

Um levantamento da Global Business Travel Association identificou que 62% das empresas participantes já monitoravam as emissões de suas viagens corporativas. Além disso, 49% divulgavam emissões de Escopo 3 e cerca de um terço já considerava critérios climáticos na seleção de fornecedores.

Outro estudo da entidade, com dados de 285 empresas e US$ 22 bilhões em gastos anuais com viagens corporativas, mostrou avanços em políticas sustentáveis, definição de metas, relatórios e orçamentos de carbono. Ao mesmo tempo, a adoção de cláusulas ambientais nos contratos ainda avança lentamente.

Na previsão global de reuniões e eventos para 2026, a American Express Global Business Travel também classifica sustentabilidade e inclusão como elementos essenciais de eventos relevantes e orientados à geração de valor.

O recado para organizadores brasileiros é direto: compradores querem informações comparáveis. Estimativas anteriores ao evento, critérios claros para fornecedores e relatórios posteriores tendem a ganhar espaço em propostas comerciais e concorrências.

Brasil entra na conversa global

É nesse contexto que o Fórum de Eventos Sustentáveis, dentro da São Paulo Climate Week ’26, aproxima o mercado brasileiro das principais transformações internacionais.

O desafio local não é copiar modelos estrangeiros, mas converter referências globais em processos viáveis para a realidade nacional. Isso inclui qualificar fornecedores, padronizar dados, desenvolver métricas proporcionais ao porte dos eventos e criar instrumentos que também possam ser adotados por pequenas produtoras.

A mensagem que atravessa todas essas frentes é a mesma: sustentabilidade saiu do marketing e entrou na operação, no contrato, no orçamento e na avaliação de resultados.

Para quem organiza, patrocina ou compra eventos, o custo da inação tende a crescer. Já as empresas capazes de medir, comprovar e comunicar seus avanços podem transformar sustentabilidade em eficiência operacional, reputação e vantagem comercial.

Data: 07/08 (sexta-feira), o evento será das 14 às 18h (Happy Hour 🥂 às 17h) 
Horário previsto para seu painel: 14:15h, por favor chegar 20 minutos antes do início do painel.
Local: CIVI-CO (R. Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 445 – Pinheiros)

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