A tecnologia de imersão ganhou protagonismo na Reatech + Expo Brasil Paralímpico 2025, ao mostrar como o universo dos videogames e simuladores pode ir muito além do entretenimento.
Desenvolvedores de soluções virtuais apresentaram equipamentos de última geração voltados à reabilitação física, treinamento esportivo e inclusão, permitindo ao público vivenciar, na prática, desafios enfrentados por atletas paralímpicos de alta performance.
Entre as experiências mais concorridas do evento, a Hand Bike chamou atenção ao transportar visitantes para o mundo do paraciclismo, modalidade olímpica adaptada para pessoas com deficiência.
O simulador reproduz, com alta precisão, o esforço e o controle necessários para impulsionar o veículo com as mãos.
Na prática, o usuário se senta sobre o equipamento fixo no chão, enquanto uma pista virtual é projetada em uma tela de LCD. Cada movimento com os braços aciona o personagem na corrida, que responde com velocidade e força proporcional ao impulso aplicado.
O desenvolvedor do simulador, Rodrigo Queiroz, explica que o sistema foi pensado para unir diversão, treinamento e análise de performance.
“O software calcula velocidade, força, RPM e calorias perdidas, e o usuário pode alternar entre os modos de competição e treinamento, comparando seus resultados. É uma ferramenta útil tanto para atletas quanto para reabilitação de músculos após lesões”, detalha.
A simulação foi encomendada pelo Comitê Paralímpico Brasileiro especialmente para a feira, com o objetivo de aproximar o público da rotina esportiva de atletas paralímpicos.
“O que a Hand Bike proporciona é uma experiência de empatia tecnológica. Qualquer pessoa pode sentir, mesmo que por alguns minutos, a dificuldade e a força exigidas para se mover apenas com os braços”, afirma o CEO da Fiera Milano Brasil, Maurício Macedo.
“É uma vivência que amplia o entendimento sobre o esforço e a superação envolvidos no esporte paralímpico”, completa.
O público respondeu com entusiasmo. O professor de educação física Roberto do Prado Junior foi um dos que aceitaram o desafio e completaram o percurso virtual em 38 segundos — o recorde é de 30 segundos.
PRECISÃO E REFLEXO NA PARAESGRIMA DIGITAL
Outro destaque tecnológico foi o Alvo Eletrônico, equipamento trazido da Itália pela Confederação Brasileira de Esgrima.
O simulador reproduz o ambiente competitivo da paraesgrima, colocando o participante em uma cadeira de rodas diante de um painel com cinco pontos luminosos. O desafio é tocar, com um florete adaptado, cada luz no momento exato em que acende.
A máquina calcula o tempo de reação e o tempo médio total gasto em uma rodada de dez toques. “É um equipamento de precisão que treina reflexo e pontaria, simulando o ritmo de um combate real”, explica o ex-atleta e coordenador de paraesgrima Ivan Sccwantes.
Segundo ele, o sistema aplica automaticamente as regras do esporte: para que o ponto seja validado, o toque precisa ter pelo menos 750 gramas de pressão.
“Na vida real, essa força é medida por sensores na ponta do florete. Aqui, a máquina faz essa leitura e valida ou não o toque, o que torna o treino acessível e seguro”, explica.
“Além de medir o tempo de resposta, o praticante aprimora a precisão e a força da estocada”, acrescenta Ivan Sccwantes.
As demonstrações reforçam um movimento crescente de integração entre inovação tecnológica e inclusão.
Equipamentos como a Hand Bike e o Alvo Eletrônico unem entretenimento, ciência do movimento e medicina esportiva, oferecendo experiências que tanto educam o público quanto apoiam o desenvolvimento de atletas e pacientes em reabilitação.
