Alta de 14,8% no primeiro semestre de 2026 foi sustentada principalmente pelos serviços aéreos e pela hotelaria; eventos presenciais ampliam a demanda por transporte, hospedagem e mobilidade
As viagens corporativas mantiveram uma trajetória de expansão no Brasil durante o primeiro semestre de 2026. As agências associadas à Associação Brasileira de Agências de Viagens Corporativas (Abracorp) faturaram R$ 7,18 bilhões entre janeiro e junho, crescimento de 14,77% em relação aos R$ 6,25 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
O resultado acompanha o aumento das viagens de negócios e a realização de eventos presenciais em diferentes regiões do país. Segundo Douglas Fernandes de Camargo, diretor executivo da Abracorp, a combinação desses dois movimentos contribuiu para o desempenho observado no semestre.
Para a indústria de feiras e eventos, os números reforçam a dimensão econômica dos encontros presenciais. Expositores, compradores, palestrantes, fornecedores e equipes operacionais precisam se deslocar até os destinos que recebem os eventos, gerando demanda para companhias aéreas, hotéis, locadoras, serviços de transfer e outros fornecedores especializados.
Viagens corporativas avançam 14,8% no semestre
O transporte aéreo permaneceu como o principal segmento das viagens corporativas. As vendas de passagens realizadas pelas agências associadas somaram R$ 4,27 bilhões, alta de 12,84% na comparação anual.
Com esse resultado, os serviços aéreos responderam por aproximadamente 59,5% de todo o faturamento registrado no semestre. A participação confirma a importância da conectividade aérea para empresas, organizadores e profissionais que precisam circular entre os principais centros econômicos do país.
A hotelaria, por sua vez, apresentou o maior crescimento entre os segmentos de maior peso. O faturamento chegou a R$ 2,12 bilhões, avanço de 23,03% em relação ao primeiro semestre de 2025.
A participação dos meios de hospedagem no total movimentado pelas associadas da Abracorp subiu para 29,5%. O desempenho superou o ritmo de crescimento do mercado como um todo e mostra o peso da hospedagem na retomada dos deslocamentos profissionais.
Hotelaria amplia impacto econômico dos eventos
O avanço da hotelaria é especialmente relevante para destinos que recebem feiras, congressos e convenções de grande porte.
Além das diárias reservadas pelos visitantes, esses eventos costumam gerar demanda antecipada por bloqueios de apartamentos, alimentação, salas para reuniões paralelas e serviços de hospitalidade.
Esse movimento distribui os efeitos econômicos para além dos pavilhões. Restaurantes, empresas de receptivo, fornecedores de alimentos e bebidas, espaços de reunião e serviços turísticos também podem ser beneficiados pela permanência dos participantes nas cidades-sede.
A disponibilidade de quartos e a localização dos hotéis também influenciam a capacidade de um destino receber eventos maiores. Por isso, infraestrutura hoteleira, mobilidade e conectividade passaram a integrar as decisões estratégicas de organizadores e promotores.
Serviços complementares ganham espaço
O crescimento das viagens corporativas também alcançou segmentos complementares. A locação de veículos faturou R$ 203,3 milhões no primeiro semestre, alta de 7,42%.
Os serviços de transfer avançaram 29,15%, para R$ 36,1 milhões, enquanto o transporte rodoviário cresceu 12,07%, com receita de R$ 34,4 milhões.
O seguro-viagem apresentou o maior crescimento percentual do levantamento. O faturamento do segmento aumentou 70,42% e chegou a R$ 20,1 milhões no semestre.
Os dados mostram que a movimentação econômica gerada por um evento não fica restrita à venda de passagens ou à locação do espaço. Ela alcança uma rede formada por hospedagem, transporte, alimentação, logística, montagem, tecnologia, produção audiovisual e contratação de profissionais temporários.
Feiras presenciais ampliam deslocamentos profissionais
O calendário brasileiro de 2026 reúne feiras e eventos ligados ao agronegócio, à indústria, à saúde, ao varejo, à construção civil, à logística, à tecnologia, à alimentação e ao turismo.
Os encontros estão distribuídos por diferentes cidades e polos econômicos do país. O calendário de feiras e eventos de 2026 do Portal Radar reúne datas, locais e informações sobre parte dos principais eventos programados.
De acordo com a União Brasileira de Feiras e Eventos de Negócios (UBRAFE), o Brasil realiza mais de 2 mil feiras e eventos por ano, responsáveis por movimentar mais de R$ 1 trilhão em negócios.
A entidade também informa que o país concentra seis dos dez maiores centros de exposições da América Latina e ocupa uma posição de destaque no mercado regional de eventos de negócios.
Nesse cenário, transporte e hospedagem deixam de ser apenas itens operacionais. A oferta de voos, a capacidade hoteleira, a mobilidade urbana e a facilidade de acesso podem influenciar a atração de visitantes profissionais e a experiência de participação.
Junho mantém mercado em crescimento
Considerando apenas junho de 2026, as agências associadas à Abracorp movimentaram R$ 1,12 bilhão, crescimento de 6,51% em relação ao mesmo mês de 2025.
O transporte aéreo respondeu por R$ 640,4 milhões, alta de 6,52%. A hotelaria registrou faturamento de R$ 343,1 milhões, avanço de 4,67%, enquanto os serviços de transfer cresceram 35,11%.
Embora o ritmo mensal tenha ficado abaixo da expansão acumulada no semestre, os resultados apontam para a continuidade da demanda por deslocamentos profissionais.
Para organizadores, promotores e expositores, o cenário reforça a importância do planejamento antecipado. Negociações com hotéis, companhias aéreas, receptivos e empresas de mobilidade podem contribuir para o controle de custos e facilitar a presença de compradores e profissionais de outras regiões.
O crescimento das viagens corporativas evidencia, sobretudo, a capacidade das feiras presenciais de conectar mercados e distribuir atividade econômica por diferentes setores e destinos brasileiros.
