A Vinexposium decidiu reposicionar sua principal feira nas Américas em meio a um cenário de pressões tarifárias, ajustes regulatórios e transformação no consumo de bebidas alcoólicas.
A partir de 2026, a antiga Vinexpo America passa a se chamar Vinexpo Americas, refletindo uma estratégia de expansão que busca consolidar o evento como plataforma de negócios para todo o continente.
A mudança de nome acompanha uma ampliação de escopo. O evento passa a se apresentar como um hub que conecta mercados da América do Norte, Central e do Sul, além do Caribe, em um momento em que produtores e distribuidores buscam alternativas para manter presença e competitividade diante de um ambiente comercial mais complexo.
Realizada nos dias 29 e 30 de abril, no Miami Beach Convention Center, a feira aposta na posição estratégica de Miami como ponto de articulação regional.
A cidade tem se consolidado como porta de entrada para negócios no continente, reunindo compradores de diferentes mercados em um mesmo ambiente.
Dados da edição anterior reforçam esse papel. Em 2025, o evento reuniu 2.106 profissionais de 46 países e gerou mais de mil reuniões de negócios, com 40% dos participantes vindos da América Latina e do Caribe.
A organização pretende ampliar esse alcance em 2026, com foco em fortalecer fluxos comerciais intra-regionais.
O reposicionamento ocorre em paralelo a um momento de transição no mercado. Nos Estados Unidos, maior consumidor global de vinhos, o setor ainda apresenta retração, embora em desaceleração.
Após queda de 8,5% no volume nos primeiros meses de 2025, o recuo foi suavizado para 7,5% em 12 meses, indicando adaptação às novas estruturas tarifárias.
Ao mesmo tempo, outros mercados ganham protagonismo. O Brasil, por exemplo, registrou crescimento de 1,3% no consumo de bebidas alcoólicas em 2024, segundo a IWSR.
O país aparece como um dos polos mais dinâmicos da América Latina, impulsionado pela combinação entre produção local, cultura de consumo em bares e expansão do segmento premium.
Grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro têm papel relevante nesse movimento, com consumidores mais abertos a produtos importados e novas ocasiões de consumo — fator que amplia o interesse de produtores internacionais na região.
DIVERSIFICAÇÃO E NOVOS HÁBITOS DE CONSUMO MOLDAM A FEIRA
Para responder à fragmentação do mercado e à diversificação de portfólio, a edição de 2026 será estruturada em três frentes complementares: vinhos, destilados e bebidas não alcoólicas.
Além do núcleo principal, o evento incorporará as plataformas Be Spirits, dedicada a destilados e mixologia, e Be No, voltada ao segmento de bebidas sem álcool.
A inclusão deste último reflete uma tendência global de crescimento do consumo moderado e de produtos associados ao bem-estar, que vem alterando o portfólio de grandes marcas e distribuidores.
Segundo a organização, a proposta é criar um ambiente integrado, no qual expositores tenham acesso simultâneo a compradores de diferentes categorias, ampliando oportunidades comerciais em um cenário de consumo mais fragmentado.
Executivos da Vinexposium avaliam que a reformulação responde diretamente às incertezas geopolíticas e comerciais que afetam o setor.
A necessidade de diversificar mercados e canais de distribuição tem levado empresas a buscar eventos capazes de gerar conexões mais amplas e consistentes.
Nesse contexto, a Vinexpo Americas passa a ser posicionada não apenas como feira, mas como uma infraestrutura de apoio à continuidade dos negócios no continente.
A estratégia inclui também a ampliação de conteúdo analítico, com programação voltada a inteligência de mercado, tendências de consumo e dinâmicas competitivas regionais.
A edição de 2026 já conta com a confirmação de 15 países expositores, incluindo produtores tradicionais e mercados emergentes, indicando manutenção do interesse internacional mesmo diante de um ambiente econômico mais desafiador.













