POR DANILO NUNES
Quando olhamos para eventos do ecossistema da Creator Economy, seja internacionalmente com a Vidcon ou no Brasil como o YOUPIX Summit, eles conversam diretamente com quem já está dentro do ecossistema.
São espaços que funcionam como um grande ponto de encontro entre creators, times de influência, squads de marca, agências, plataformas e profissionais que mexem com os principais orçamentos e que se cruzam o ano inteiro em produções, propostas e corridas de entregas.
Eventos assim acabam sendo uma atualização feita por quem vive, respira e opera esse mercado.
Olhando para uma audiência diferente, o CEEX (Creator Economy Experience) surge com um papel de educar o que é a creator economy de fato para profissionais que lideram marcas e empresários que muitas vezes ouvem falar, percebem a grande oportunidade, mas não operam nas trincheiras, buscando um espaço para acompanhar inovações e aplicar aprendizados em seus negócios.
O fato de se posicionar como movimento, reflete esse papel dos próprios palestrantes, convidados e embaixadores, terem criado um ecossistema que incentivou a participação mútua, e, mais importante, trouxe uma visão de como muitos profissionais que nascem da economia criativa tradicional, estão já operando e também buscando como operar nesse novo ecossistema.
“O CEEX é o espaço onde creators deixam de ser apenas influenciadores e se tornam acionistas da nova economia. Reunimos quem cria narrativas, quem investe, quem inova e quem transforma”, afirma Vitor Cabral – idealizador e fundador do CEEX.
E a distinção é importante. A economia criativa é ampla e envolve entretenimento, audiovisual, design, artes, produções culturais, modelos de mídia e existe muito além da internet.
A creator economy (economia dos criadores) é uma evolução da gig economy, que sai desse lugar de bico e ganha tração através da plataformização, novas tecnologias e mudança no comportamento de consumo, criando um ecossistema que mexe na estrutura tradicional.
Apesar de não substituir a televisão ou as instituições tradicionais, ressignifica o papel delas dentro de diversos modelos de negócio e da jornada de comunicação que hoje é híbrida, fragmentada e profundamente conectada, abrindo espaço para criação de novas pessoas públicas, novas empresas, ferramenta se inclusive, profissões que surgem tanto na frente da câmera como nos bastidores.
Isso fica claro ao misturar nos palcos: artistas que potencializaram sua visibilidade com a internet – como Manu Gavassi, Leo Picon e Malu Borges; criadores nativos de plataforma que construíram comunidades em torno de temáticas específicas – como Láctea e Isaías Silva; com profissionais da economia criativa tradicional – como Patrícia Ramos, Nicole Bahls e Pyong Lee; lideranças de marketing – como João Branco e Rafael Kiso; e fundadores de empresas do ecossistema da creator economy; com profissionais que atuam em plataformas como Meta, TikTok, YouTube e Kawai; e instituições de ensino que lideram a conversa, como a ESPM.
A presença do especialista e o lugar da academia dentro desse movimento
Na última edição, minha participação foi marcada por diferentes camadas profissionais, mas principalmente como professor e pesquisador da área de Creator Economy em nome da ESPM – que como uma das principais apoiadoras do evento, capitaneou um palco proprietário.
Meu papel foi desde a mediação de diversas conversas, como também palestrando e apoiando a curadoria do evento, liderada pela professora Renata Alcalde – coordenadora da mais nova Pós Graduação em Creator Economy da ESPM (em parceria com as renomadas YOUPIX e Sato Rahal).
A presença da instituição no evento serviu para garantir que as conversas tivessem densidade, metodologia e critério.
Não se trata apenas de estar num palco, trata-se de assegurar que o debate esteja alinhado ao que é, de fato, a creator economy: um fenômeno econômico, comunicacional e cultural que exige leitura crítica e capacidade de análise de ecossistemas, algo que a escola faz com naturalidade ao reunir mercado, pesquisa e todo tipo de inovação.
Dividindo atuação com essa cadeira de professor, pelo lado empresário e fundador da Nudgy Creative Strategy – primeira agência brasileira especializada em implementar sistemas criativos com foco em performance para alavancar empresas DTC – criei, participei e mediei painéis que intercalam criação, influência, performance e modelo de negócios.
Conversas como “Sistematização da Criatividade: quando criação e performance precisam conversar”, colocaram lideranças criativas de agência, times de growth e macro creators para debater a importância de traduzir a criação em objetivos de negócio e entender as nuances da tal liberdade criativa na relação entre creator, marca e audiência.
Enquanto no mesmo palco, expandimos a conversa para investidores e ventures que encontraram na creator economy oportunidades para alavancar suas DNVBs, junto dos investidores, fundadores e operadores de marcas como Guday e Vhita – ambos clientes e parceiros.
E, no fim, aquilo que antes era expectativa ficou evidente: a Creator Economy não está apenas infiltrada na economia criativa, ela está moldando seus próximos capítulos.
*Danilo Nunes é professor, pesquisador da Creator Economy e CEO e Fundador da Nudgy – primeira agência brasileira especializada em construir e alimentar sistemas criativos com foco em performance.













