O mercado de eventos no Brasil, responsável por movimentar cerca de R$ 300 bilhões por ano — o equivalente a aproximadamente 4,3% do PIB nacional, segundo estimativas da ABEOC em parceria com o Sebrae — passa por uma transformação relevante.
A busca por experiências mais imersivas e conectadas ao público tem redefinido a forma como empresas estruturam encontros corporativos e ações de relacionamento.
Esse movimento está ligado ao conceito de memória de marca, estratégia em que experiências vividas pelos participantes criam associações emocionais duradouras.
A prática, já consolidada entre grandes empresas globais, ganha força no país à medida que eventos deixam de ser apenas informativos e passam a assumir um papel mais estratégico na comunicação.
“Quando bem estruturada, a experiência gera conexão e permanece na memória do público muito depois do evento terminar”, afirma Evandro Monteiro, especialista no setor e CEO da Origami Marketing e Eventos.
Segundo ele, esse reposicionamento tem levado empresas a ampliarem sua atuação. É o caso da Origami Marketing e Eventos, que passou a assumir projetos mais complexos e a integrar diferentes etapas da cadeia de produção.
Um dos exemplos citados é a produção de eventos de grande porte para marcas nacionais, que contribuíram para a expansão da empresa no segmento de live marketing.
Entre os projetos recorrentes está a participação na produção da Expert XP, evento anual do mercado financeiro que reúne milhares de participantes e se consolidou como um dos principais encontros do setor.
A estrutura envolve logística, montagem de espaços temporários, gestão de fornecedores e coordenação de conteúdo. O evento já contou com convidados internacionais, como o ator e empresário Arnold Schwarzenegger.
A valorização de experiências presenciais também é sustentada por dados de mercado. Pesquisa da EventTrack aponta que 74% dos consumidores desenvolvem percepção mais positiva sobre uma marca após participar de eventos.
Já levantamento da Nielsen indica que a memória de marca responde por cerca de 38,7% do impacto de comunicação, superando o próprio reconhecimento da marca.
INTEGRAÇÃO COM TURISMO E AMPLIAÇÃO DA JORNADA
Outro reflexo dessa transformação é a integração entre eventos e turismo corporativo. Empresas do setor passaram a adotar o modelo MICE, ampliando sua atuação para além da organização dos encontros.
Nesse contexto, a Origami estruturou um braço voltado à gestão da jornada completa dos participantes, incluindo deslocamentos, hospedagem e experiências associadas aos eventos.
A proposta é acompanhar todas as etapas — antes, durante e depois — e integrar a logística à experiência.
Projetos internacionais também fazem parte dessa estratégia, com a realização de eventos em destinos na Europa, Estados Unidos, Austrália e Oriente Médio.
A tendência acompanha o crescimento global das viagens corporativas. Segundo a Global Business Travel Association (GBTA), a América Latina movimentou cerca de US$ 63,9 bilhões no setor em 2025, com o Brasil entre os principais mercados.
USO DE TECNOLOGIA E NOVA FASE DE EXPANSÃO
O avanço do setor também tem impulsionado investimentos em tecnologia. Entre as iniciativas está o uso de inteligência artificial para análise de dados gerados em eventos, com foco em captação de leads e mensuração de resultados, além da digitalização de processos e adoção de metodologias mais ágeis.
Próxima de completar duas décadas de atuação, a Origami indica que pretende ampliar sua capacidade operacional acompanhando esse movimento de mercado.
A transformação em curso aponta para um cenário em que eventos passam a ser planejados como plataformas de experiência e relacionamento, conectando conteúdo, pessoas e negócios de forma mais integrada.












