Quando Belém foi escolhida para sediar a COP30, o Brasil assumiu diante do mundo o compromisso de receber, com excelência, um dos maiores e mais estratégicos encontros internacionais da década.
Mais do que ser palco de negociações históricas sobre o futuro do planeta, a capital paraense tornou-se também vitrine da capacidade nacional de entregar soluções complexas de infraestrutura em tempo recorde — e, nesse cenário, as estruturas temporárias da chamada Blue Zone despontam como o grande desafio técnico e humano.
Com mais de 125 mil m² funcionais, a Blue Zone será o epicentro das discussões climáticas, abrigando plenárias, salas de negociação e espaços de apoio que receberão chefes de Estado e delegações do mundo inteiro.
À frente do projeto, está a DMDL, empresa 100% brasileira, que carrega a responsabilidade de entregar um ambiente que une segurança, conforto, acessibilidade e sustentabilidade.
“O desafio é enorme, mas também é a oportunidade de demonstrar nosso compromisso com entregas de excelência”, afirma Marcos Gamboa, responsável pela execução do overlay da Blue Zone. Segundo ele, o cronograma enxuto e as exigências internacionais serviram como combustível para a adoção de soluções inovadoras.
“Estamos falando de uma estrutura temporária de grande escala, que precisa atender padrões diplomáticos e logísticos da conferência, sem abrir mão de qualidade e sustentabilidade.”
Um dos pontos centrais destacados por Gamboa é a integração multidisciplinar que marca o projeto. “É essa sinergia entre engenharia, arquitetura e operação que garante uma gestão colaborativa e soluções técnicas capazes de atender às demandas da ONU e dos governos envolvidos”, explica.
Essa abordagem permitiu alinhar todas as etapas — do desenho das estruturas internas até o planejamento de fornecedores — com eficiência.
O caráter sustentável foi incorporado em cada fase da obra. O executivo lembra que práticas de coleta seletiva, reciclagem de materiais, baixo consumo de recursos hídricos e a adoção de estruturas modulares reutilizáveis foram premissas do projeto. “Tudo foi pensado de acordo com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU”, reforça Gamboa.
O FATOR HUMANO
Para erguer a estrutura, a previsão é de mais de 2 mil trabalhadores atuando até a fase final. A gestão desse contingente envolve planejamento cuidadoso, treinamentos e valorização da mão de obra local.
“Contamos com profissionais que já possuem o DNA da DMDL, o que nos garante eficiência operacional. Mas, mais importante, deixamos um legado de qualificação para a região, que sairá ainda mais preparada para eventos internacionais de grande porte”, afirma.
O clima úmido e as chuvas intensas da Amazônia também demandaram adaptações. Estruturas de alta resistência à umidade, cronogramas flexíveis e sistemas robustos de climatização foram implementados para garantir o funcionamento sem riscos.
Além disso, a logística ganhou atenção especial. “Adotamos rotas marítimas e terrestres otimizadas, centros de armazenamento temporário e uma gestão de suprimentos eficiente para assegurar que tudo chegasse no tempo certo”, detalha o executivo.
Outro ponto decisivo foi o alinhamento com as exigências da UNFCCC (Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima). A Blue Zone contará com sistemas de comunicação e TI de padrão internacional, que darão suporte às negociações de alto nível.
“Mantemos diálogo constante com organismos internacionais para garantir que todas as diretrizes técnicas, diplomáticas e de sustentabilidade sejam plenamente atendidas”, diz Gamboa.
LEGADO PARA BELÉM E PARA O BRASIL
Mais do que um espaço temporário, a Blue Zone simboliza um marco para o setor de eventos no país. “A COP30 deixa para Belém uma herança de qualificação profissional, desenvolvimento socioeconômico e inovação em eventos sustentáveis”, avalia. Para ele, o feito reforça a imagem do Brasil como protagonista na organização de agendas globais.
“Estamos incorporando inovações que certamente vão pautar futuros eventos, como estruturas modulares reutilizáveis, sistemas de montagem rápida e soluções de baixo impacto ambiental”, finaliza Gamboa.
