POR EUGÊNIO NETO
O setor de eventos vive hoje um dos momentos mais aquecidos que já presenciei em quase 30 anos de atuação.
Os números confirmam essa percepção: a procura por eventos corporativos cresceu 16% no último ano, segundo o DataEventos (ABEOC), enquanto o volume de viagens de negócios avançou 46% em 2025, consolidando o Brasil como líder do setor MICE na América Latina, de acordo com a Embratur. Só no primeiro semestre, a alta acumulada já chega a 15,96%, conforme o TrendsCE.
Mas, na prática, o dado mais relevante não está apenas no crescimento — está no desequilíbrio. Nunca tivemos tantos projetos acontecendo ao mesmo tempo e, ainda assim, seguimos com dificuldade para formar equipes completas.
Faltam técnicos, operadores, produtores e profissionais preparados para atender a um mercado que se tornou mais exigente, tecnológico e dinâmico.
Esse cenário é reflexo direto da retomada pós-pandemia, que gerou uma demanda reprimida e acelerou o ritmo do setor. Hoje, vivemos uma nova fase, com eventos mais complexos e com maior exigência de entrega.
E isso escancarou um problema estrutural: não há profissionais suficientes prontos para acompanhar essa evolução.
Na minha visão, não faz mais sentido esperar que o mercado entregue mão de obra qualificada. O setor precisa assumir o papel de formar seus próprios talentos. Na Neto Eventos, essa realidade já é prática.
Grande parte da nossa equipe foi desenvolvida internamente, com profissionais que começaram em funções operacionais e hoje ocupam posições técnicas estratégicas.
Foi com esse olhar que estruturamos nosso novo Centro de Formação e Armazenamento, em Palhoça, na Grande Florianópolis. Com mais de 2 mil metros quadrados, o espaço foi projetado para sustentar nosso crescimento e também para desenvolver pessoas.
É ali que nasce a Neto Academy, iniciativa voltada à capacitação de profissionais para o setor de eventos.Em 2025, realizamos 250 eventos em diferentes estados. O crescimento é consistente e deve continuar.
Mas a sustentabilidade desse avanço depende diretamente da formação de mão de obra. Oportunidade não falta. O que o setor precisa agora é transformar interesse em qualificação — e assumir, de vez, o compromisso de formar quem vai sustentar esse novo ciclo.
*Eugênio Neto é CEO da Neto Eventos e Diretor de Eventos do Floripa Amanhã













