A capital canadense está intensificando a estratégia para atrair grandes conferências internacionais e consolidar sua posição como destino de eventos de alto impacto econômico.
A articulação envolve Ottawa Tourism, Invest Ottawa e o Rogers Centre Ottawa, que passaram a operar de forma integrada dentro do programa Think Ottawa, uma espécie de “central de apoio” para disputar e vencer candidaturas no mercado global de convenções.
A proposta do Think Ottawa é reduzir fricções e aumentar a competitividade de Ottawa quando associações e organizadores internacionais escolhem onde sediar encontros globais.
Na prática, o programa oferece um pacote de suporte que vai do desenho da candidatura até a coordenação local: desenvolvimento da proposta, alinhamento de venue e hotelaria, conexão com líderes e especialistas da cidade, apoio de comunicação e orientação para acessar fontes de financiamento.
A estratégia mira especialmente eventos conectados aos setores em que Ottawa quer se posicionar como polo: aeroespacial, defesa e segurança, cibersegurança e inteligência artificial aplicada.
A proximidade com instituições federais, atores de segurança pública e missões internacionais é tratada como diferencial competitivo — ao lado da base tecnológica local e dos ativos de inovação.
Segundo Michael Crockatt, presidente e CEO do Ottawa Tourism, o modelo funciona quando lideranças locais assumem papel ativo nas candidaturas, ajudando a “vender” Ottawa para o mundo.
A ideia, diz ele, é transformar a cidade em ponto de encontro para discussões e parcerias internacionais, com retorno econômico e visibilidade para a comunidade de negócios e pesquisa.
Do lado do centro de eventos, Lesley Pincombe, CEO do Rogers Centre Ottawa, afirma que a cooperação entre as três organizações permite apresentar Ottawa como uma operação “pronta para receber”, com experiência integrada e foco em legado para além dos dias do evento.
Já a CEO do Invest Ottawa, Sonya Shorey, defende que eventos de negócios aceleram oportunidades concretas para a cidade, conectando visitantes e tomadores de decisão a uma base de tecnologia robusta.
Ela cita como trunfo a presença de uma força de trabalho de 96 mil profissionais de tecnologia, além de instituições de pesquisa e indústrias em expansão.
FUNDO FEDERAL ENTRA COMO “REFORÇO” NAS CANDIDATURAS
A engrenagem local ganha peso com o International Convention Attraction Fund (ICAF), da Destination Canada, um programa financiado pelo governo federal para ajudar destinos canadenses a competir por convenções globais.
O fundo atua como incentivo para que organizadores escolham o Canadá — e, no caso de Ottawa, foi usado para fortalecer a posição da cidade no mercado internacional.
O exemplo mais recente é a confirmação do INCYBER Forum Canada, que acontecerá de 1º a 3 de dezembro de 2026, no Rogers Centre Ottawa.
Considerado um dos principais encontros voltados a cibersegurança e segurança em IA, o evento deve reunir cerca de 4 mil participantes, gerar mais de 5 mil diárias de hotel e movimentar aproximadamente US$ 5,4 milhões na economia regional.
A candidatura vencedora foi construída em conjunto por Ottawa Tourism, Invest Ottawa, Rogers Centre Ottawa e hotéis locais, com apoio de recursos nacionais como o ICAF — que também deverá contribuir para a entrega e ampliação do impacto da edição de 2026.
Para Virginie De Visscher, diretora executiva de Business Events da Destination Canada, trazer eventos desse tipo para o país não é apenas uma questão de turismo: é estratégia econômica e de posicionamento internacional.
Na avaliação dela, encontros globais funcionam como plataformas para acelerar inovação, atrair talentos e fortalecer colaboração em setores considerados críticos para o futuro.
O QUE OTTAWA OFERECE AOS ORGANIZADORES
De acordo com as organizações envolvidas, o modelo de trabalho contínuo com organizadores se apoia em quatro frentes principais:
- conexão com especialistas e lideranças locais para fortalecer conteúdo e prestígio do evento;
- coordenação de candidatura e logística, integrando espaço, hotelaria e apoio institucional;
- acesso a instrumentos de financiamento e alavancas nacionais, como o ICAF;
- planejamento de legado e impacto, incluindo atração de talentos, parcerias em pesquisa, investimentos e retorno de visitantes.













