O Distrito Anhembi, um dos maiores e mais movimentados centros de eventos da América Latina, entrou em uma nova fase de sustentabilidade.
A GL events, responsável pela gestão do complexo desde janeiro de 2022, firmou contrato com a Sabesp para o fornecimento regular de água de reúso.
O acordo prevê a entrega de dois milhões de litros por mês, destinados a serviços como limpeza, irrigação e sistemas de climatização dos pavilhões e áreas externas.
A iniciativa reforça a tendência de grandes corporações adotarem práticas mais eficientes no consumo de recursos naturais em um cenário de mudanças climáticas e escassez hídrica.
Para a Sabesp, o projeto amplia sua estratégia de distribuição de água de reúso, já presente em iniciativas como o Aquapolo, no Polo Petroquímico do ABC.
Além do impacto ambiental, a companhia destaca o aspecto econômico: esse modelo pode custar até quatro vezes menos do que o fornecimento convencional, trazendo previsibilidade para clientes industriais e empresariais.
Para Pedro Amaral, head de Grandes Clientes da Sabesp, o uso da água de reúso no Anhembi tem relevância estratégica.
“O uso da água de reúso permite reduzir a pressão sobre os mananciais da cidade e se alinha ao conceito de resiliência hídrica que queremos promover nos grandes centros urbanos”, afirma.
Ele ressalta que o recurso passa por etapas rigorosas de tratamento, como filtração e até osmose reversa em alguns projetos, garantindo qualidade para usos em larga escala.
Já o diretor do Distrito Anhembi, Rodolfo Andrade, vê a parceria como um marco no processo de revitalização do espaço.
“Com o fluxo de milhões de pessoas por ano, o complexo tem um desafio, mas também uma oportunidade: ser exemplo”, afirma.
“Mais do que os benefícios diretos para a resiliência hídrica e para a modernização do espaço, acreditamos que essa ação pode gerar um efeito multiplicador e inspirar outras iniciativas”, conclui.
MODELO INTERNACIONAL
Apesar de ainda representar apenas 1% do esgoto tratado convertido em água de reúso na região metropolitana de São Paulo, o potencial de crescimento desse modelo é significativo.
Experiências internacionais, como a de Israel — que reutiliza 95% do esgoto tratado — e a de Singapura, com até 40% de reintegração ao sistema público, servem como referência.
No Brasil, a expansão depende da instalação de novas redes e da adesão de empresas e órgãos públicos.
Com o novo contrato, a GL events se junta a indústrias como Santher e Santaconstancia, e a empresas da construção civil como a Concreserv, que já adotaram a prática de reúso.
Além da economia e da previsibilidade no abastecimento, o fator ambiental tem peso central: em tempos de estiagens prolongadas e queda nos níveis dos reservatórios, cada litro poupado no sistema convencional representa um alívio para o ecossistema urbano.
