O relatório “Net Zero Carbon Events – Reporting Results”, publicado em outubro de 2025, marca um ponto de virada na trajetória da indústria global de eventos rumo à neutralidade de carbono.
O documento, que reúne os resultados do primeiro ciclo de monitoramento da iniciativa, revela um setor que começa a estruturar suas ações, mas ainda enfrenta desafios significativos para consolidar métricas, ampliar a colaboração e validar dados de emissões de forma consistente.
Entre julho de 2023 e janeiro de 2025, o programa contou com 144 signatários ativos — cerca de 48% das organizações que assumiram o compromisso de reportar suas ações até aquele período.
O objetivo central foi mapear como diferentes empresas — incluindo organizadores, operadores de espaços e prestadores de serviços — estão cumprindo o compromisso público de alinhar suas operações ao Acordo de Paris, que prevê a redução de 50% das emissões até 2030 e a neutralidade completa até 2050
O relatório aponta avanços importantes. A maioria das empresas participantes já iniciou ações concretas de redução e comunicação, especialmente entre operadores de espaços e organizadores com infraestrutura própria, que lideram em transparência e divulgação de seus planos de descarbonização.
Esses grupos se destacam por utilizar canais estruturados, como sites corporativos e relatórios anuais, para comunicar suas metas e resultados, reforçando uma postura estratégica e pública em relação ao tema
O engajamento com fornecedores e parceiros também aparece como eixo fundamental. Protocolos de sustentabilidade e checklists específicos começaram a ser adotados para avaliar práticas em áreas como catering, construção, decoração, sinalização, e equipamentos elétricos e eletrônicos — setores de alto impacto ambiental dentro da cadeia produtiva dos eventos
No campo da mensuração, o relatório mostra que a maioria das empresas já monitora emissões diretas (Escopos 1 e 2), especialmente consumo de eletricidade, viagens corporativas e geração de resíduos.
Entretanto, o Escopo 3, que inclui impactos indiretos como transporte de participantes e emissões na cadeia de suprimentos, ainda é pouco incorporado.
As categorias menos relatadas foram carbono incorporado em edificações, emissões de alimentos e bebidas e hospedagem de participantes, com índices entre 2% e 13%
O documento reconhece que esta primeira rodada teve caráter de mapeamento inicial — um exercício de aprendizado coletivo. O próximo ciclo, que ocorrerá entre 2025 e 2026, promete ser mais rigoroso:
– Incluirá dados quantitativos de emissões, aprimorará a metodologia de mensuração e introduzirá um sistema global de validação de dados.
Essa nova etapa também prevê a criação de uma linha de base global (global baseline), que permitirá comparar resultados e mensurar o progresso real de descarbonização da indústria de eventos
A iniciativa, coordenada pela Joint Meetings Industry Council (JMIC) e apoiada pela UFI – The Global Association of the Exhibition Industry, reforça em seu relatório final que o sucesso do movimento depende de três pilares: educação, transparência e colaboração multissetorial.
Estão previstos novos webinars, programas de capacitação climática e uma atualização da metodologia de medição para 2026
Apesar dos desafios, o relatório mostra que o compromisso coletivo com o “Net Zero Carbon Events” deixou de ser uma promessa vaga e começa a se transformar em ação mensurável.
O movimento, segundo os organizadores, “representa uma verdadeira colaboração global” — um esforço conjunto para garantir que a indústria de eventos se torne não apenas mais verde, mas também mais responsável e transparente frente às exigências climáticas do século XXI.”
Para ver o relatório completo (em inglês) clique aqui.
