O setor de eventos de cultura e entretenimento segue gerando empregos e ampliando o consumo em 2026, mas em um ritmo mais moderado do que o observado no ano passado.
Dados do Radar Econômico da Associação Brasileira dos Promotores de Eventos (ABRAPE) mostram que o core business do setor acumulou saldo de 5.090 empregos formais entre janeiro e julho deste ano.
O levantamento é elaborado com base em informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Receita Federal,
O resultado permanece positivo, mas representa uma queda de 58,4% em relação ao mesmo período de 2025, quando haviam sido criadas 12.226 vagas.
O desempenho indica uma desaceleração das contratações após os resultados mais intensos observados nos últimos anos.
Entre os segmentos que compõem o núcleo da atividade, a organização de eventos continua sendo o principal vetor de crescimento, com saldo acumulado de 4.612 empregos em 2026.
Em sentido contrário, recreação e lazer e atividades ligadas ao patrimônio cultural e ambiental registraram saldo negativo no período.
O core business abrange atividades como organização de eventos, atividades artísticas e culturais, espetáculos, recreação e lazer e produção e promoção de eventos esportivos.
MERCADO DE TRABALHO
A desaceleração também pode ser observada no hub setorial, formado por atividades relacionadas à hospedagem, alimentação, publicidade, infraestrutura para eventos, segurança privada e serviços gerais.
Entre janeiro e julho, esse conjunto acumulou 81.891 empregos formais, resultado 22,4% inferior ao registrado no mesmo período de 2025, quando o saldo havia alcançado 105.506 postos de trabalho.
Apesar da redução no ritmo das contratações, o mercado de trabalho permanece em trajetória de expansão.
O setor de eventos contabilizou 209.034 empregos formais em julho, enquanto o hub setorial alcançou 4,37 milhões de trabalhadores com carteira assinada.
CONSUMO
Enquanto o mercado de trabalho apresenta crescimento mais moderado, os indicadores de consumo continuam avançando.
A estimativa da ABRAPE para as atividades de recreação alcançou R$ 89,9 bilhões entre janeiro e julho de 2026, resultado 7,8% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior e o maior valor da série histórica para os sete primeiros meses do ano.
Somente em julho, a movimentação estimada chegou a R$ 12,7 bilhões.
A projeção é calculada pela entidade com base no peso do item Recreação no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo IBGE, combinado à massa de rendimento real dos trabalhadores medida pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).
“É um cenário que combina demanda aquecida com um comportamento mais cauteloso por parte das empresas, o que exige atenção para as condições que influenciam investimento, geração de empregos e competitividade do setor”, finaliza Doreni Caramori Júnior, presidente da ABRAPE.












