Início Eventos Sociais, Esportivos e Corporativos Festa junina: como a tradição se transforma em brand experience

Festa junina: como a tradição se transforma em brand experience

As festas juninas deixaram de ser apenas uma data na agenda de confraternização das empresas para ganhar espaço cada vez maior no planejamento de marca.

Afinal, o arraiá é um exemplo perfeito de brand experience, pois, por si só, valoriza o repertório cultural e fortalece a criação de vínculos. 

A avaliação é de Vanessa Chiarelli Schabbel, diretora executiva da Bop Comunicação Integrada, agência especializada em comunicação e eventos corporativos.

“O evento é o canal de comunicação mais completo que uma marca tem”, afirma Vanessa. “Num mesmo ambiente, você reúne experiência sensorial, relacionamento, conteúdo e exposição da marca.”

A festa junina, nessa lógica, oferece uma vantagem de partida. O tema já vem com música, comida, figurino e símbolos que o público reconhece sem esforço, seja público interno ou externo, o que reduz o custo de construção da experiência e abre espaço para a marca inserir sua mensagem dentro de um código cultural familiar.

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DA DECORAÇÃO À ESTRATÉGIA

O que separa a ativação bem planejada da festa improvisada, segundo Vanessa, é o propósito. “Cada elemento precisa ter função dentro de uma narrativa, não pode existir só porque coube no orçamento”, diz.

“Até o brinde deixa de ser um objeto qualquer e vira parte da história que a marca quer contar”, completa. A régua vale para a decoração, a comida e cada detalhe da ação.

Essa exigência cresceu com a entrada das gerações mais jovens no centro do consumo. Vanessa observa que os públicos mais novos querem entender o posicionamento das marcas e cobram coerência entre discurso e prática, o que tornou as ativações superficiais menos eficazes do que as experiências com significado.

No arraiá, isso aparece em festas que dialogam com os valores que a empresa diz defender.

A executiva acrescenta um ponto que a inteligência artificial tornou mais relevante. “Num momento em que tudo pode ser gerado por IA, a experiência presencial ganha valor justamente por ser real e difícil de replicar no digital”, afirma.

A festa junina, com seu apelo sensorial, se encaixa nesse movimento de valorização do contato físico.

O RETORNO QUE NÃO É IMEDIATO

A maior resistência, reconhece Vanessa, está na forma de medir resultado. “O retorno de uma ação de marca raramente vira venda imediata”, diz.

“Ele se constrói no médio e no longo prazo, pela lembrança da marca, pela preferência futura e pela conexão emocional com o público”, acrescenta.

A referência que a executiva usa são as grandes ativações em festivais de música, em que o objetivo não é vender na hora, mas gerar reconhecimento e afinidade.

A festa junina corporativa segue o mesmo princípio, com a vantagem de um tema de baixo custo de entrada e alta identificação. “Quem souber trabalhar a emoção e a conexão com o público vai sair na frente”, conclui Vanessa.