A palavra pode valer mais que mil imagens? É a partir dessa provocação que o FliMUJ – Festival Literário do Museu Judaico de São Paulo realiza sua quinta edição, de 14 a 17 de outubro, em São Paulo.
A programação reúne escritores, artistas, pesquisadores e pensadores brasileiros e estrangeiros em nove mesas que discutem temas como memória, identidade, religião, política, envelhecimento, maternidade, preconceito, tradução e alteridade.
A proposta do festival parte de uma característica central da tradição judaica: o papel da palavra escrita, lida, interpretada e debatida na preservação da memória e na transmissão do conhecimento.
Ao longo da programação, os convidados também discutem a capacidade da linguagem de criar imagens, estabelecer diálogos e aproximar experiências distintas.
Entre os nomes confirmados estão Sarah Hurwitz, Nora Krug, Hila Blum, Valérie Zenatti e Mariano Horenstein, além de autores e pesquisadores brasileiros.
A abertura, em 14 de outubro, será conduzida pela escritora norte-americana Sarah Hurwitz, autora de As a Jew, best-seller do The New York Times e vencedor do National Jewish Book Award. Ex-redatora de discursos de Barack e Michelle Obama e Hillary Clinton, Hurwitz conversa com o jornalista Roberto Simon sobre sua reaproximação com o judaísmo e sobre os motivos que levam parte dos judeus a se afastar de sua tradição religiosa.
No dia 15 de outubro, a programação começa com a mesa “O que o hebraico tem a ver com o iorubá?”, que reúne a soferet Rachel Reichhardt, primeira e única mulher da América Latina habilitada a escrever rolos sagrados judaicos, e o babalorixá, antropólogo e escritor Rodney William.
A conversa propõe um diálogo entre as formas de transmissão de conhecimento presentes nas tradições judaica e afro-brasileira.
Ainda no dia 15, a autora e ilustradora alemã Nora Krug e o quadrinista brasileiro Marcelo D’Salete discutem memória, culpa e a representação de passados traumáticos na mesa “Quem pode acertar as contas com o passado?”.
Krug investigou o envolvimento de sua própria família com o nazismo em Heimat, enquanto D’Salete dedica parte de sua obra à reconstrução de histórias apagadas da experiência negra no Brasil.
A programação do dia termina com a mesa “O que faremos com tantos anos de vida?”, que reúne Alexandre da Silva, Secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, e a neurocientista Sharon Sanz Simon para discutir os impactos sociais e individuais do aumento da longevidade.
No dia 16 de outubro, o envelhecimento volta ao centro da programação na conversa “O que você faria hoje se soubesse que sua vida acabaria amanhã?”, com os escritores Bruna Waitman e Oscar Nakasato, vencedor do Jabuti por Nihonjin.
A mesa aborda velhice, autonomia, relações familiares e as transformações provocadas pelo avanço da idade.
Em seguida, Giovana Madalosso e a escritora israelense Hila Blum discutem os limites das relações entre mães e filhos na mesa “Há limites para um amor de mãe?”.
Autora de Como amar uma filha, vencedor do prêmio Sapir, Blum conversa com Madalosso, autora de Suíte Tóquio, sobre proteção, autonomia, afeto e maternidade.
No dia 17 de outubro, o festival retoma a discussão sobre preconceito na mesa “Quando uma imagem se torna preconceito?”, com o historiador Karl Schurster e o antropólogo Juliano Spyer.
Os convidados analisam como estereótipos são construídos e reproduzidos e de que maneira judeus e evangélicos são representados no imaginário brasileiro.
A relação entre literatura, tradução e diálogo entre diferentes culturas é o tema da mesa “Como encontrar a palavra certa para falar com um estranho?”, que reúne o escritor e tradutor brasileiro Bernardo Ajzenberg e a escritora francesa Valérie Zenatti, autora de Uma garrafa no mar de Gaza e tradutora da obra de Aharon Appelfeld.
O encerramento do FliMUJ será realizado pelo psicanalista e ensaísta argentino Mariano Horenstein, autor de O divã e a bússola. Na mesa “Como se tornar um estrangeiro?”, mediada pelo escritor Julián Fuks, Horenstein discute a ideia de que a escuta exige um exercício permanente de deslocamento e estranhamento.
FLIMUJINHO AMPLIA PROGRAMAÇÃO PARA O PÚBLICO INFANTOJUVENIL
Além da programação principal, o Museu Judaico de São Paulo promove, em 18 de outubro, a primeira edição do FliMUJinho, voltada ao público infantojuvenil.
A iniciativa amplia o alcance do festival e aproxima crianças e adolescentes da literatura e dos temas relacionados à cultura e à memória.
Todas as mesas do FliMUJ são gratuitas, com vagas limitadas. Os ingressos devem ser retirados antecipadamente pelo site do Museu Judaico de São Paulo.
Caso a lotação seja atingida pela internet, o público poderá tentar uma vaga na fila de espera no local.
PROGRAMAÇÃO
14 de outubro – quarta-feira
19h – Abertura: Como judeus incrédulos retornam ao judaísmo?
Com Sarah Hurwitz. Mediação: Roberto Simon.
15 de outubro – quinta-feira
15h – O que o hebraico tem a ver com o iorubá?
Com Rachel Reichhardt e Rodney William. Mediação: Dalia Schneider.
17h – Quem pode acertar as contas com o passado?
Com Marcelo D’Salete e Nora Krug. Mediação: Gabriela Franco.
19h – O que faremos com tantos anos de vida?
Com Alexandre da Silva e Sharon Sanz Simon. Mediação: Micheline Alves.
16 de outubro – sexta-feira
15h – O que você faria hoje se soubesse que sua vida acabaria amanhã?
Com Bruna Waitman e Oscar Nakasato. Mediação: Bianca Mantovani.
17h – Há limites para um amor de mãe?
Com Giovana Madalosso e Hila Blum. Mediação: Luara Calvi Anic.
17 de outubro – sábado
11h – Quando uma imagem se torna preconceito?
Com Karl Schurster e Juliano Spyer. Mediação: Anita Efraim.
15h – Como encontrar a palavra certa para falar com um estranho?
Com Bernardo Ajzenberg e Valérie Zenatti. Mediação: Gabriela Longman.
17h – Como se tornar um estrangeiro?
Com Mariano Horenstein. Mediação: Julián Fuks.
18 de outubro – domingo
FliMUJinho – Festival Literário para o público infantojuvenil.
SERVIÇO
Período: 14 a 17 de outubro de 2026
Local: Museu Judaico de São Paulo
Endereço: Rua Martinho Prado, 128 – São Paulo, SP
Funcionamento: Terça a domingo, das 10 horas às 18 horas (última entrada às 17h30).
Ingresso: Gratuito, necessita de retirada no site: http://museujudaicosp.org.br/programacao/
Classificação indicativa: Livre












