O turismo vive um momento de transformação. Questões como mudanças climáticas, desigualdades sociais e a busca por viagens mais conscientes estão redefinindo a forma como o setor opera.
Diante desse cenário, a REMOTE Latin America defende que eventos de turismo também precisam rever seu papel e colocar a sustentabilidade como eixo estratégico — não como iniciativa pontual, mas como princípio orientador.
Responsável pela realização do REMOTE Immersion, encontro boutique anual e itinerante dedicado ao turismo de experiência, de pequena escala e de luxo na América Latina, a organização acredita que eventos do setor devem liderar pelo exemplo.
Para além dos impactos ambientais, esses encontros influenciam cadeias produtivas locais, comportamentos de consumo e a forma como os destinos se desenvolvem.
“Sustentabilidade e turismo regenerativo estão sempre na pauta, mas transformar discurso em prática é um desafio”, afirma Marcelo Pontes, Diretor Comercial da REMOTE Latin America.
“Ir além significa repensar todo o modelo do evento — e não apenas compensar emissões ou gerenciar resíduos”, acrescenta o executivo.
A estratégia de sustentabilidade do REMOTE Immersion foi concebida como um processo contínuo de aprendizado.
Desenvolvida em 2023 para a edição realizada em Cuenca, no Equador, pela organização chilena Regenera NGO, a iniciativa se baseia nos critérios do Conselho Global de Turismo Sustentável (GSTC) e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU.
Como cada edição ocorre em um destino diferente, o plano é adaptado às especificidades locais, respeitando desafios e oportunidades de cada território.
“O formato itinerante exige escuta ativa e soluções sob medida, sem abrir mão de compromissos claros com a redução de impactos e a valorização das economias locais”, explica Ana Duék, Consultora de Sustentabilidade da REMOTE.
“Nosso objetivo é ampliar os benefícios para além do evento, envolvendo anfitriões, fornecedores e empreendedores da região”, completa.
Entre as iniciativas adotadas estão o trabalho próximo com comunidades locais, a priorização de hospedagens e experiências responsáveis, o investimento em negócios do território e a criação de espaços de capacitação para profissionais do destino.
No campo ambiental, o evento estima e compensa suas emissões de gases de efeito estufa, reduz o uso de plásticos descartáveis e privilegia operações de baixo impacto.
Os participantes também são convidados a aderir ao Guia do Viajante Responsável e a compensar as emissões de seus deslocamentos aéreos.
Meses antes de cada edição, a REMOTE oferece consultorias rápidas de sustentabilidade para fornecedores envolvidos, com foco em alinhar práticas e estimular melhorias duradouras.
Desde o início do programa, cerca de 50 empresas de Cuenca (Equador), Puyehue (Chile), Antigua (Guatemala) e Chapada dos Veadeiros (Brasil) já participaram das trocas.
A preparação para 2026 está em curso, com o engajamento de hotéis, restaurantes e operadores de atividades em Boquete, no Panamá.
“Sustentabilidade não é um ponto de chegada, e sim uma jornada”, destaca Clara Davies, Diretora de Comunicação da REMOTE Latin America.
“Eventos são temporários por natureza, mas seus efeitos permanecem. Promover destinos e atrair visitantes já não basta — é preciso garantir que o que fica seja positivo e relevante”, conclui.
Nas últimas seis edições, o REMOTE Immersion também realizou o Legado REMOTE, programação paralela e gratuita aberta à comunidade local, com curadoria de Daniel Nunes.
O espaço reúne especialistas para discutir temas de turismo responsável alinhados às demandas de cada destino anfitrião.
Com essa trajetória, a REMOTE Latin America reforça seu compromisso de revisar práticas, fortalecer parcerias comunitárias e aprender continuamente. Saiba mais: https://remote.la/













